terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

DO CORREIO...


Outrora fui militante socialista, agora, velho e alquebrado, sou apenas sócio.
Mas serei socialista até morrer.
Como tenho muito tempo livre e encaro a política como uma actividade nobre em prol da Humanidade, acompanho e estudo a realidade que me cerca.
Por isso, ando triste.
A generalidade das pessoas está a viver mal, há disparidades sociais gritantes, a economia não desenvolve, a corrupção anda por aí impunemente, os políticos caíram no descrédito, etc.
Não gosto disto e sobretudo não gosto das responsabilidades que o meu Partido tem nisso.
Por isso, ontem ouvi com atenção a entrevista ao Primeiro-ministro Sócrates. Fiquei chocado, porque mais não fez do que tentar dourar a pílula e atirar areia para os olhos das pessoas.
Precisa de descer à terra e andar pelo país real;
precisa de ter a humildade de assumir erros e emendá-los;
precisa de ter inteligência para explicar às pessoas que algumas reformas são inevitáveis;
precisa de ter sensibilidade para dar esperanças credíveis a quem passa mal; precisa de se humanizar e deixar de lado os feios trejeitos de impaciência e arrogância, como se fosse todo-poderoso e infalível.
Não subscrevo as campanhas feitas contra ele, mas é um homem desagradável, azedo, irritante e demasiado sem dúvidas!
Assim, receio que esteja a conduzir o país e o PS para um buraco bastante fundo.


Um velho socialista de cepa

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2 Comments:

At 19 de fevereiro de 2008 às 19:21, Anonymous J.M.M. said...

O Escriba do Governo

Vital Moreira - ex-comunista ferrenho - multiplica-se, missionariamente na publicação de opiniões favoráveis ao Governo.

Disserta sobre tudo, ataca quem se opõe ao Governo, e não é módico nas loas a José Sócrates.

Disseram-me que a Secretária de Estado da reforma admninistrativa é esposa de Vital Moreira. Se assim é está explicada a "coisa". Nada como apoiar a família!

Da análise dos textos de Vital Moreira ficou-me uma dúvida: Há quantos anos Vital Moreira não contacta com o Portugal Profundo, o Portugal Real?

Vital Moreira vive num castelo de beatitude, numa redoma "intelectual" e vai contribuindo para "sustentar" , "almofadar" o Governo de que a mulher faz parte, com um conjunto ininterminável - é um missionário autêntico - de opiniões, muitas sem qualquer suporte real ou mesmo jurídico.

Quem ler o blogue http://www.causa-nossa.blogspot.com/
pode verificar a frenética prosa de Vital Moreira em defesa do Governo.

Creio que ele já nem sabe o que há-de fazer para sustentar a política do Governo. Agora já começa a esclarecer os pareceres que deu em 1999 e que serão contrários ao qjue defende agora!?

Vital Moreira evidência falta de conhecimento da realidade do País, da vida concreta, dos anseios, dificuldades , problemas de Portugal.

Vital Moreira rodeado de livros e com as pantufas calçadas, Portugal é uma miragem, beatifica, e então nada melhor que defender o Governo em que a mulher é secretária de estado!

Nao lhe fica mal como homem, não deve opinar vestindo a qualidade de professor. Está a julgar em causa própria, coisa que qualquer psicólogo ensina que não devemos fazer!

Quanto ao desemprego, Vital Moreira desça das nuvens. As "taxas" oficiais são como eram as taxas "oficiais" dos abortos. Não fiáveis por uma razão muito forte: Todos os dias centenas de portugueses que perderam o emprego vão trabalhar para Espanha/França/Reino Unido/ e Outros e não se registam no Centro de Emprego. Não contam como "desempregados".

Não contam para as taxas, mas perderam o emprego. O Governo nada fez para lhes "arranjar" emprego. Viu fecharem as fábricas e os portugueses fugirem à miséria emigrando. O Governo acaba por os "ajudar" pois ao deixar o País ir a pique as pessoas t~em que sair deste rectângulo e lá arranjam emprego no estrangeiro com melhores condições!!!

Se não fosse a emigração o desemprego era de mais de 20%.

Mas é compreensível a "missão" de Vital Moreira : está a apoiar a mulher que faz parte do Governo. E nessa situação todas as inverdades, as manipulações da verdade, têm um desconto....

Desça à terra, vá pelo Portugal, veja a miséria em que isto se tornou e escreva apenas depois de ter a informação suficiente.

 
At 19 de fevereiro de 2008 às 19:24, Anonymous JAM said...

Já passou a tempestade, mas ainda não chegou a bonança. Ontem foi quase uma hora daquele tipo de propaganda calmante a que, dantes, se chamava conversa em família, onde o chefe da governação demonstrou, diante dos discursos do bastonário Marinho e do general Leandro, que é um excelente "public relations" para o homem massa da multidão solitária, dado que tem perfeito conhecimento dos "dossiers" da economia, da saúde e da educação, pois foi capaz de os reduzir a meia dúzia de linhas e de percentagens, assim confirmando como um bom político é o tal especialista em assuntos gerais que percebe de tudo um pouco, sem perceber nada de nada, entre furacões, casapias e apitos dourados. Quando a palavra pública se gasta pelo mau uso, ela pode correr o risco de se prostituir pelo abuso.


Claro que a política geral ficou reduzida a cinco minutos de quase uma hora de conversata e nada ouvimos de Europa, de política externa ou de outras questões das funções tradicionais da soberania, coisas que, normalmente, não são chamadas às pré-campanhas eleitorais, quando o velho principado, herdeiro do absolutismo, do "Estado ser ele", dá um breve passeio pela república, onde o Estado devíamos ser "nós todos". Ontem, diante de São Expresso, convinha fazer política com um ar engenheiral de tecnocrata, mas, lamentavelmente, nem sequer houve meia dúzia de segundos para uma reflexão solidária sobre as vítimas da tempestade que se abateu sobre a capital, como o deveria fazer o antigo responsável pela política do ambiente e da construção de edifícios e equipamentos urbanos em vales de cheias, coisas que existiam antes de os patos bravos e os corruptos iniciarem o permanente cerco de Lisboa, como se mostra na imagem.


Ficámos a saber que um político nunca respeita a palavra dada, pois a posterior avaliação que o mesmo faça dos altos interesses do país lhe dá autorização para revogar promessas. Até pode mudar de ministro para melhor poder defender as reformas que o mesmo ministro estava a fazer, no momento em que compreenda que as pessoas começam a perder confiança no sistema que o mesmo hierarca representa e vêm para a rua bater nos tachos, seringas, mocas de Rio Maior, sebentas e aspirinas.


Pior foi quando proclamou que as instituições precisam de liderança, reduzindo esta à existência de um qualquer senhor director, especialmente quando reconheceu que todas as grandes máquinas podem cometer injustiças e continua a valer a lei maquiavélica de o melhor para o país ser mais importante que a palavra dada, num país onde a história do orçamento ser a história do "deficit". Porque também reconheceu que não há mais abusos do Estado do que aqueles que existiam no passado, e que o mal está nas pessoas que se queixam por excesso democrático, mesmo que sejam os 719 000 subscritores dos certificados de aforro. Foi em democracia que nasceu Péricles, o primeiro demagogo que também era estratego. Hoje, quando à demagogia falta a estratégia e já não há Péricles, até a democracia se confunde com a não-democracia.


Por mim, apenas confirmei, através de uma adequada análise de conteúdo, que nunca foram usadas palavras como civismo, democracia, participação, patriotismo ou Estado de Direito, quanto mais socialismo, cosmopolitismo ou europeísmo. Este "public relations" da abstracta governação podia ser propagandista de outra qualquer governança sem governo, de outro qualquer sistema geral de pilotagem automática, ao serviço da melhoria de uma qualquer balança teconológica, onde se confirmasse que o calçado e o têxtil melhoraram e que aumentámos para 35% os cursos profissionalizantes na educação, tendo mais alunos com menos dinheiro, dado que ainda podemos crescer 2,5% ao ano, conforme consta das cábulas postas em bloco, com marcador grosso...
Quando a rotina esmaga a aventura, há sempre contas de somar que continuam contas de sumir e ninguém ainda nos explicou que os problemas económicos apenas se resolvem com medidas económicas, mas não apenas com medidas económicas...

 

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