terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O "ENGENHEIRO" EM ENTREVISTA COMBINADA!

SESSÃO DE PROPAGANDA


Talvez porque houve um acordo prévio entre a SIC, o Expresso e o primeiro-ministro, ninguém se atreveu a mencionar assuntos tão prosaicos como desigualdade, inflação, salários reais, pensões de reforma, justiça, administração central e local, corrupção, autoritarismo e por aí fora.
Nem a pronunciar o irritante nome de Manuel Alegre.
A SIC e Sócrates trataram o país como um comício do PS.
Isto é, com segurança e com desprezo.


Vasco Pulido Valente
No: Público


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10 Comments:

At 19 de fevereiro de 2008 às 19:10, Anonymous D.O. said...

A entrevista a Sócrates, ontem na SIC, não trouxe nada de novo a não ser o reconhecimento do erro e a promessa pouco explícita de abrandamento em relação ao encerramento de urgências hospitalares. De resto, a entrevista é, ela mesma, um excelente retrato da situação política do país. Mais as perguntas do que as respostas. Durante uma hora Sócrates responde a pormenores, enumera medidas, explica (quase sempre com tanta habilidade como falta de rigor) a acção do governo e defende-se de casos. E safa-se bem numa entrevista fácil. Mas não há nenhuma pergunta ou resposta política. É um super-director-geral que ali está. Não há nenhuma pergunta ou resposta sobre o futuro (a não ser sobre o seu próprio futuro) e sobre as razões políticas de cada medida. Sócrates dá uma entrevista defensiva para perguntas defensivas. A verdade é que se a entrevista foi, no mínimo, pouco interessante, teia sido um tédio insuportável se fosse uma entrevista política. Porque Sócrates nunca conseguiria sair do chavão redondo e vazio em que é especialista. Porque Sócrates não tem uma ideia política e não tem uma forma de olhar para o país e para o Mundo: Sócrates repete o lugar-comum para defender políticas que têm um conteúdo político profundo que, provavelmente, ele próprio desconhece. Pior: não precisa de falar de política. A entrevista que deu ontem só podia ser dada num país onde não há uma oposição forte nem confronto político. E no entanto, a política está lá.

No que toca ao emprego, Sócrates foi habilidoso. Tentou até a coisa extraordinária de transformar o aumento do desemprego numa excelente notícia. O aumento da população activa não é propriamente um dado inesperado. A um governante, sobretudo a um governante que ostente a palavra “socialista”, deve interessar saber se há mais ou menos desempregados. E há mais. Muito mais. Tentar esconder isso com a criação de postos de trabalho (não querendo saber sequer que tipo de postos de trabalho) é apenas um truque. O que interessa saber, pelo menos do ponto de vista de quem não tem emprego, é porque é que com este governo atingimos o mais alto nível de desemprego de duas décadas. Até porque, depois de vivermos anos a ouvir falar da crise demográfica para explicar muitos dos problemas do Estado Providência, o aumento da população activa deveria ser uma boa notícia. Mas para isso é preciso que essa população activa esteja a trabalhar.

Quanto à economia, Sócrates agarra-se ao que se pode agarrar, mas fica-se com a estranha sensação de que ele vive num país diferente. E quando chega aos certificados de aforro percebemos o descaramento é total. Quem os tem terá dado por isso e entendido até onde pode ir a falta de rigor de José Sócrates.

Em relação ao Aeroporto e à nova travessia do Tejo, ficou claro que o governo navega à vista e não faz a mais pálida ideia do que anda a fazer e a decidir.

Chegados ao fim da entrevista, Sócrates não mobiliza ninguém. Pode argumentar pior ou melhor, defender-se pior ou melhor, convencer pior ou melhor sobre a bondade de cada reforma, mas não mobiliza ninguém. Nem uma palavra sobre o futuro. Quando se pedem tantos sacrifícios às pessoas (e Sócrates parece nem desses sacrifícios ter consciência) é preciso conseguir explicar para quê e para onde se quer ir. Nada. As perguntas não puxaram por isso. Mas se tivessem puxado tinham esbarrado com um muro de palavras ocas.

Como técnico, falta a Sócrates rigor. Como político, falta-lhe política. Resta-lhe a habilidade. O que é assustador quando se querem fazer tantas reformas. Um bom resumo do pensamento de José Sócrates: mais vale um mau sistema de avaliação dos professores do que avaliação nenhuma. Esta é a máxima que o engenheiro aplica a toda a política. Pois eu acho o contrário: se é para fazer pior, mais vale deixar como está.

 
At 19 de fevereiro de 2008 às 19:13, Anonymous R.V. said...

José Sócrates disse que foram criados 94 mil novos postos de trabalho nos três anos de governo do Partido Socialista (PS), num sinal de que "a economia portuguesa está a criar emprego".

"Se mantivermos o mesmo nível de criação de emprego destes três anos, ultrapassaremos os 150 mil postos de trabalho", garantiu, sublinhando que o ritmo da "criação de postos de trabalho acelerou em 2007".


E quantos empregos se perderam?

* Primeiro, o papel do estado não é a criação de emprego, pelo que não há lógica nesta argumentação;

* Segundo, Sócrates promete resultados da parte do mercado, algo que (supostamente) não controla;

* Terceiro, falar dos empregos criados não faz sentido. Se dependesse do governo, poder-se-ia falar do saldo entre os empregos que se ganharam e os que se perderam. Proceder assim é demagógico e desonesto.

Educação
"O sistema mais injusto para os pais, alunos e professores é não existir avaliação, aquilo que aconteceu nos últimos 30 anos".

"O mais importante que fizemos nas escolas foi aumentar os cursos profissionalizantes"

"Entre 1995 e 2005 a educação gastou o dobro com aumento de professores, diminuição de alunos e os mesmos resultados. Nestes dois anos, há o mesmo dinhero, menos professores, mais alunos e mais sucesso escolar".


* O sistema mais injusto para os pais, alunos e professores é que a avaliação se centre em quantos alunos foram passados em vez de no profissionalismo do professor.

* Tenho um amigo inscrito nas Novas Oportunidades. Trabalha há uns anos e tem o 12º por acabar. Inscreveu-se, recebeu um monte de dossiers e ficou à espera para ser convocado para um exame onde seriam detectadas as lacunas para ser certificado na sua área profissional. (Entretanto, já espera pelo exame há um ano.) Depois desse exame seria inscrito em cursos do Centro de Emprego para colmatar as lacunas encontradas.

Afinal, a novidade consiste na campanha publicitária e nos portáteis. O resto já existia!

Quanto aos cursos profissionalizantes, deixa cá ver, os cursos técnicos não existiram já numa das inúmeras reformas educativas dos últimos 30 anos? Isto parece um ping-pong.

* Temos que reconhecer que entre 1995 e 2005 tudo correu mal e assim aconteceu por causa dos professores.

 
At 19 de fevereiro de 2008 às 19:16, Anonymous JCS said...

Malucos do riso

Pode já ser resultado da direcção de Nuno Santos, mas a SIC estreou ontem, depois do Jornal da Noite, um programa muito divertido.

Aparecem três cavalheiros, um está de laço e o outro é igual ao presidente da câmara de Lisboa depois de ser esvaziado.
O terceiro é o protagonista, um senhor muito divertido, que conta anedotas durante uma hora.
O programa chamava-se “Entrevista a José Sócrates”.

 
At 19 de fevereiro de 2008 às 19:18, Anonymous L.Carvalho said...

A ENTREVISTA ROSA DE SÓCRATES NUM PAÍS QUE NÃO EXISTE

Há uma ironia na triste noite de ontem, entre o país que voltou a meter água por todos os lados e a arrogância de José Sócrates que no final da sua entrevista à SIC reconheceu ser não só o responsável como também o autor dos famigerados projectos de casas estilo maison com janelas do género fenêtre.

O que impressiona é que no meio de uma sessão de marketing político televisivo, onde Sócrates é na verdade bom, não tenha havido uma palavra para com os portugueses que sofreram perdas e danos com a noite do temporal.
Estamos perante um ministro frio, o tal desalmado como já lhe chamam dentro do seu próprio partido.
Temos um primeiro-ministro que decora números e se marimba nas pessoas.
Mas a ironia da coisa está em que aquelas casas projectadas por ele há 20 anos são o ícone de um território desordenado, de um a política urbana inexistente. Os projectos de Sócrates são por si o seu retrato e podemos aqui dizer que a obra consegue superar o autor em medíocridade.

As chuvadas que levaram o país a desaparecer pelo cano abaixo são as mesmas que há 40 anos espalharama a morte na grande Lisboa. São as mesmas que as más infraestruturas não estancaram, são as mesmas que varreram a miséria social e descobrem o entupimento das adiadas obras de conservação que as autarquias deviam fazer, mas não podem porque estão ocupadas a fazer rotundas ou a multar cidadãos indefesos como o faz a Câmara de Lisboa.

Há 40 anos a desgraça aconteceu porque os clandestinos e os subúrbios se davam mal com a força da natureza. Hoje nos mesmos locais de há 4 décadas sucedeu o mesmo. Nada mudou.

Só Sócrates é que está contente. Estancou o déficit, o país cresceu umas décimas e o desemprego passou de 8,4 para 7,9. Genial. E está confiante que vai ser reeleito.
Quem não está ?

 
At 19 de fevereiro de 2008 às 19:23, Anonymous Filipe T. said...

Um primeiro-ministro a apresentar o seu país das maravilhas a dois meninos doces. Eles perguntavam. Ele só respondia ao que queria. Eles insistiam. Ele mostrava a sua irritação. Eles encolhiam-se. Ele voltava ao texto decorado. Eles davam as deixas, ele falava e eles ouviam. Foi assim a sessão da telescola que a SIC transmitiu ontem à noite, com nota máxima para o contador de histórias e para os dois meninos que se souberam comportar de forma a não lhe estragarem os contos com realidades que não eram para ali chamadas.

 
At 19 de fevereiro de 2008 às 19:26, Anonymous J.M. said...

I



Ricardo Costa teve hoje a oportunidade de perguntar a José Sócrates de forma directa e sem hipótese de escapatória a pergunta seguinte:

Foi o Sr Primeiro-Ministro que fez mesmo os projectos ou limitou-se a assumir a responsabilidade e a autoria?

Em vez disso, fez uma pergunta que permitiu que Sócrates voltasse a responder que assume a responsabilidade e a autoria. Perante a resposta, Ricardo Costa podia ter feito mais perguntas. Podia ter perguntado se Sócrates assumia a autoria de algo feito por ele ou feito por outro. Ou quanto tempo é que demorou a Sócrates a fazer cada um daqueles projectos. Ou se Sócrates ficou satisfeito com a estética dos edifícios. Ou porque é que aparecia lá a letra de outro gajo. Ou se Sócrates assinou por alguém que não podia. Foi uma oportunidade perdida.

 
At 19 de fevereiro de 2008 às 19:26, Anonymous J.M. said...

II

À pegunta inesperada (ou para cumprir calendário) de Ricardo Costa (pretende candidatar-se a primeiro-ministro?) Sócrates deu uma resposta improvável (ainda não sei). Foi um furo jornalístico. Ricardo Costa é um entrevistador com sorte. Imaginem se ele não tivesse feito a pergunta. Nunca saberiamos das dúvidas e hesitações do Grande Líder.

 
At 19 de fevereiro de 2008 às 19:27, Anonymous J.M. said...

III

Quando peguntaram a Sócrates porque é que não tentou impedir a saída de Santos Ferreira para o BCP, Sócrates respondeu que tentou mas que não conseguiu. Nem o Sócrates consegue mandar na vida das pessoas. Conseguiu no entanto impedir a saída de mais um administrador para o BCP após aquilo que se imaginam que tenham sido duras negociações. Santos Ferreira em vez de levar 3 administradores só conseguiu levar 2. Os entrevistadores não se riram.

 
At 19 de fevereiro de 2008 às 23:06, Anonymous Anónimo said...

O Rei vai nu, mas o povo continua a acreditar que ele leva um manto de brilhantes..................

Até quando?!?!?!

 
At 20 de fevereiro de 2008 às 00:08, Anonymous José said...

O primeiro-ministro José Sócrates, foi entrevistado na Sic, por uma dupla de laços. Um deles, trazia-o de atavio, no pescoço; o outro, tolhido no bestunto jornalístico, enlaçou as perguntas num ramo de rosas que foi oferecendo ao entrevistado.

Em tempos, na RTP1, outra dupla idêntica, deslassada, já o presenteara com perguntas branqueadas, para fazer brilhar um diploma esconso.

Actualmente, são estes laçarotes, quem manda na informação televisiva, nesses dois canais. Coincidências.

 

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