sábado, 5 de julho de 2008

PORTUGAL...O ESTADO A QUE ISTO CHEGOU... [II]

A próxima semana vai ser politicamente dominada pelo debate sobre o estado da Nação, que encerra o ano parlamentar.
As boas ideias tendem a durar pouco, a tornar-se rotina: um debate que deveria marcar o tempo e servir de balanço, está condenado a tornar-se um debate como os outros, porque Governos e oposições não abdicam das suas posições e não dão passos que possam favorecer os adversários.

Ainda por cima, em vésperas de ano eleitoral!

É por isso que o leitor mais atento é bem capaz de antever ao pormenor o que cada um dos partidos e o próprio Governo têm para dizer.
Desta vez, chamado a uma entrevista na televisão num pico da crise internacional, até o primeiro- ministro já se adiantou no anúncio de algumas medidas.
Que a coisa se torne monótona já é mau.

O pior é que é completamente ineficaz.

Desculpem a comparação, mas muitas vezes, o discurso político em Portugal está a ficar igualzinho ao do futebol.
Só tem é menos tempo de antena nas televisões.
Compare-se o discurso e veja-se se não há semelhanças com quem tem de se justificar politicamente sempre culpando os outros pelos erros, ou encontrando pontos positivos na sua actuação quando está à vista o resultado de insucesso.

Não chegamos ainda ao ponto de ter um dirigente político a pedir-nos que demos as mãos para a corrente positiva passar com mais força. I
sso, só mesmo Scolari sabia fazer.

Mas temos políticos - no Governo e na Oposição - que são incapazes de aplaudir uma ideia adversária, que chegam ao ponto de apoiar uma medida se ela for proposta do seu lado, mas incapazes de a votar se, a mesmíssima proposta, vier do adversário.

Ainda esta semana, Manuela Ferreira Leite proferiu uma frase que, para mal dela a vai perseguir por algum tempo: O país não tem dinheiro para nada, o que, traduzido para futebolês quer dizer: Sócrates não joga nada.
Não joga nada porque é do outro.
O que Ferreira Leite disse já outros políticos disseram, incluindo o próprio Sócrates que, como sabemos, em matéria de arrogância, não fica a dever nada a ninguém.

No país ideal do mundo ideal, durante o debate do estado da Nação, políticos da oposição aconselhariam caminhos alternativos aos ministros, depois de estes terem admitido que algumas das suas políticas tinham falhado.
Entre este mundo idílico e a selva do futebol vai uma distância enorme.
Tão grande que a política real poderia ter ficado a meio caminho, aonde quer que se situasse o ideal olímpico da política. Infelizmente, não ficou.
Mas alegremo-nos, o mal não é só nosso, lá fora passa-se o mesmo; como diz o primeiro-ministro, a crise é internacional.


J.L.P.

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5 Comments:

At 5 de julho de 2008 às 14:19, Anonymous M.A.P. said...

A Lusa deu-se ao trabalho de contar os deputados que se encontravam quarta-feira, pelas 17.20, no plenário da AR, onde se debatia a Conta Geral do Estado.

Dos 230 eleitos, estavam presentes 42. Os restantes 188 andavam, como Santana Lopes, "por aí", talvez no bar a beber um copo e a comentar as incidências da contratação de Cristian Rodriguez pelo F. C. do Porto, talvez a dormitar em alguma comissão, talvez, quem sabe?, já no comboio ou no avião a caminho de um mais que merecido fim-de-semana. Discutiam-se, no plenário, insignificâncias como a questão do défice, o desenvolvimento, o empobrecimento dos portugueses. Lá fora estavam 30 graus, e só quem não tivesse nada que fazer é que perderia tempo numa discussão cujo resultado antes de o ser já o era. Os historiadores do futuro cantarão a epopeia dos 42 das Termópilas parlamentares, em que uns poucos de deputados, encafuados num desfiladeiro de cadeiras vazias, enfrentaram as hordas por assim dizer persas do desprestígio da AR. Mas pode bem ter acontecido que os 42 heróis acidentais apenas tivessem o ar condicionado avariado em casa.

 
At 5 de julho de 2008 às 15:23, Anonymous Anónimo said...

«Processo de Judas ameaçado de prescrição

Director da PJ adiou busca a casa de Jorge Coelho

Por Luís Rosa

O processo relativo à gestão de José Luís Judas na Câmara de Cascais arrasta-se, e os eventuais crimes de que venha a ser acusado dificilmente terão consequências, já que na sua maioria estão prestes a prescrever.
Entretanto, os magistrados intervenientes no processo apuraram estranhos factos

Por exemplo, a busca à casa de Jorge Coelho foi adiada por ordem do então director da PJ, que alterou a data marcada pelo juiz. A justificação para o adiamento foi a ocorrência de um evento social.

Judas é ainda acusado pela autarquia liderada por António Capucho (que lhe sucedeu em 2002) dos crimes de burla qualificada, participação económica em negócio e prevaricação que, por terem uma moldura penal superior ou igual a oito anos, só prescreverão a 30 de Março de 2014. »

No:Semanário "SOL"

ASSIM VAI PORTUGAL ENTREGUE A: CORRUPTOS;
VIGARISTAS;
LADRÕES;
ENFIM, VERDADEIROS:

FILHOS DA PUTA...

 
At 5 de julho de 2008 às 15:25, Anonymous Anónimo said...

MAIS DOS VERDADEIROS FILHOS DA PUTA:

Presidente da TAP
Ordenado quadriplicou em 5 anos

Por Sónia Trigueirão

Fernando Pinto passou de 190 mil para 1,2 milhões de euros de vencimento anual. O Conselho de Administração Executivo da TAP custa à empresa quase quatro milhões de euros por ano

Só o presidente da transportadora aérea, o brasileiro Fernando Pinto, recebe actualmente, por mês, um salário que ronda os 60 mil euros, cerca de 840 mil euros ao ano, soube o SOL.

A este valor será acrescido um prémio 420 mil euros por ter atingido os objectivos de gestão definidos pelo Governo para 2007.

Assim, num ano, Fernando Pinto pode receber um total de 1,2 milhões de euros – seis vezes mais do que recebeu em 2001, quando assumiu funções de administrador-delegado da TAP.

Nessa altura, e segundo a declaração que apresentou no Tribunal Constitucional e que o SOL consultou, Fernando Pinto teve rendimentos anuais no valor de 190.893 mil euros.


E ASSIM VAI A CRISE!
SÓ QUE A CRISE NÃO É PARA TODOS.
OS VERDADEIROS FILHOS DA PUTA NÃO SABEM O QUE É A CRISE...

 
At 6 de julho de 2008 às 22:03, Anonymous A.F. said...

O fisco – esse papão assustador – tal como os ogres dos contos nunca está satisfeito, querendo sempre mais e mais. Por infelicidade do destino vive alimentado pelos trabalhadores por conta de outrem e por todos quantos não podem escapar aos seus vampirescos dentes. O fisco é capaz de tudo, até de penhorar uma casa no valor de milhares de euros na perspectiva de apurar uns míseros cêntimos como há bem pouco tempo aclarou o Público. O fisco passa o tempo à procura das notas encalhadas nos colchões de gente poupada e de vida simples, dizendo as más-línguas não ter os olhos tão abertos quando se trata de comilões de alto-coturno muito dados a aparecerem em determinadas revistas – Forbes é exemplo – porque as suas fortunas levaram rombos de centenas de milhões devido à crise bolsista. A propósito de notícias dizendo que Scolari – vem a talhe de foice – e outros conhecidos não cumprem os seus deveres fiscais, a horda dos invejosos grita e vocifera porque não ganha nem nunca ganhará em toda a sua vida o ordenado de um mês do Ronaldo, e por isso mesmo não têm possibilidades de entrar na lista dos fugitivos. Nestes casos o fisco rejubila e enquanto os advogados dos supostamente faltosos tratam de suster as suas investidas, o insaciável rebusca e volta a rebuscar na procura de devedores de meia-tijela sem amparo de juristas, que por temor correm em direcção a uma casa de crédito rápido e terrível a fim de obter o necessário dinheiro para acalmar a fera. Já a EDP ganhadora de muitos milhões está apostada noutro tipo de prática, isto é: os clientes cumpridores devem pagar as dívidas dos caloteiros. Uma vergonha a merecer indignação geral e renúncia ao pagamento das facturas. Se a maioria deixar de pagar a EDP vai à falência e nós ganhamos folga e poupamos para dar ao fisco. A propósito, de Itália chega a notícia: as prostitutas vão pagar impostos. Acho muito bem. Se o fisco português fizer o mesmo o problema do défice está resolvido. Acreditem! País sério o nosso onde não há um comércio declarado de exploração prostituída, mas onde todos sabemos quais são as prostitutas que fogem ao pagamento das taxas pelos chorudos lucros auferidos e não me estou a referir às raparigas de perna ao léu a trabalharem nas bermas das estradas ou às vindas debaixo da fórmula núpcias falsas, como falsas são muitas declarações de rendimento. Senhor fisco diga lá: estou a lembrar evidências ou a dar vazão à maledicência que sopra pelas ruas e travessas?

 
At 6 de julho de 2008 às 22:05, Anonymous Joaquim D. said...

A cada dia que passa, a crise entranha-se mais no nosso viver. O sucessivo e imparável aumento no preço dos combustíveis e a subida nos juros do crédito à habitação e ao consumo doem cada vez mais no bolso da classe média. Muitos estão a já a entregar a maior parte do seu orçamento mensal directamente aos bancos e a outras instituições financeiras.

A Deco manifesta-se preocupada e fala num crescente número de famílias que vê o seu rendimento mensal afectado em mais de 50% com o pagamento de créditos (quase sempre o somatório da casa, carro e crédito pessoal). Uma situação insustentável a prazo, mas que o mercado financeiro – na sua abstrusa máxima de capitalizar desgraças alheias – explora ainda mais e com insistentes anúncios de crédito fácil por telefone, atraindo mais desesperados que, invariavelmente, só agravam a sua situação quando a ele recorrem, naturalmente com juros agravados.

A situação económica do país que nunca foi deslumbrante – mas que chegou a deslumbrar alguns indígenas – revela-se-nos agora em toda a sua fragilidade, dependentes que estamos de uma economia global movida a petróleo. E como todos sabemos, petróleo é coisa que não há cá e a sua aquisição está cada vez mais cara no mercado internacional.

Quando nos deitamos com o gasóleo a um preço e acordamos com ele uns cêntimos mais caro, dia após dia, só há mesmo uma solução: mudarmos de vida! Governo, autarquias e portugueses em geral – excepto, talvez, aqueles 20% mais ricos que, rezam as estatísticas europeias, têm visto a sua vida melhorar com a crise dos outros.

O governo até já avançou com um ambicioso plano nas energias renováveis e maior investimento em inovação tecnológica. Mas visivelmente não chega.

Essencialmente, temos que ser mais parcimoniosos nos gastos. Governo e autarquias devem dar o exemplo: pagar a horas aos seus fornecedores e usar da maior moderação e rigor nos gastos públicos. E sabemos todos como o Estado tem sido relapso a pagar contas e perdulário nas despesas.

Como dissemos no começo deste artigo, há muitos assalariados a quem já sobra mês no magro ordenado. Deviam ser esses o objecto primeiro do discurso político que cavalga a palavra crise. Até por sermos, na União Europeia, o país com maior desigualdade na distribuição da riqueza produzida, e que o estudo de Bruto da Costa sobre a pobreza em Portugal vem reconfirmar.

Sofremos por isso as consequências desta crise internacional sem fim à vista e mais agudamente que outros países. Mas continuamos a assistir ao brutal nível de endividamento dos portugueses que, despreocupadamente, cavalga a caminho dos 100% do PIB nacional.

Nada disto é novo. Novidade era pôr o país a funcionar com menos milhões e mais realismo – Enfim, temos pequenas surpresas, como a de ver o social-democrata Dias Loureiro a apresentar o livro biográfico de José Sócrates. Embora já nada nos devesse espantar neste clientelar centrão político que nos conduziu a este estado de penúria.

 

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