sábado, 11 de dezembro de 2010

PORTUGAL ANSEIA PELO FMI !

Sabemos, ouvimos e lemos, há muito que não ignoramos: os portugueses adoram protectores. Nos sapatos, mas não só: de preferência na vida. Tomaram o gosto com o Salazar e o seu chapéu de chuva que fez de cada português um pastorinho abrigado das intempéries do Mundo. Da guerra, do comunismo, do consumismo e dos pecados. Em troca de um pão e um copo de vinho, com um terço por sobremesa e um bagaço como digestivo, o português tornou-se numa ovelha obediente num rebanho bem guardado.

Por tudo isto e muito mais não admira que agora, à falta de um governo responsável, com huevos e com sentido social, o português anseie pela vinda do FMI.
A Nossa Senhora já deu o que tinha a dar e parece que também entrou em crise devido à míngua das esmolas, e até o professor de economia posto pelo voto popular na cadeira de Belém já não consegue fazer de Menino Jesus, nem de qualquer outra figura prestável do presépio nacional.


O português típico que respondeu à sondagem deste fim-de-semana do Expresso, SIC e Rádio Renascença, sonha agora com uma santa aliança FMI-PSD, uma joint venture entre Borges e Coelho, a santa aliança mais que perfeita para levarem a cabo o desmantelamento final do Estado Social.
A última bandeira ( e única) que fazia até agora a diferença entre a esquerda social-democrata (PS) e o liberalismo troglodita da direita (PSD).


Portanto: os portugueses depois de terem sido chibatados pelo governo de Sócrates, estão agora já a baixar as calças à espera das vergastadas dos carrascos do Fundo.
Há qualquer coisa de sórdido e de masoquista no comportamento do português, mas esta tendência doentia para o sofrimento começa a ser mais preocupante do que a subida dos juros da dívida.
A não ser que haja aqui neste síndroma da dor algo de místico e de redentor. Soubemos esta semana que João Paulo II se auto-flagelava na intimidade e também já sabíamos que um banqueiro caído em desgraça desafiava a auto-tortura em nome do Senhor, na mesma altura em que gizava grandes engenharias financeiras.


Se o Zé Coitado acha que é a levar nas nálgas que vai enriquecer... o melhor é por-se a jeito e ouvir outro grande mestre da chicotada que no melhor das suas curtas-metragens, gritava: Aguenta e não chora!.


L.Carvalho

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

LÁ COM ELES!

A luta pelo poder, no PSD, atinge, amiúde, aspectos grotescos. O que me faz reverter para há quase três décadas. Num final de tarde, na Redacção do Diário Popular, conversava com Jacinto Baptista, grande jornalista e homem de palavra sóbria, porém sarcástica. A certa altura, disse-lhe: Aquilo no PSD vai uma barafunda dos diabos! O costume, naquele partido, desde as origens até hoje. Jacinto Baptista encolheu os ombros e respondeu. Isso, é lá com eles! E eu de acordo. A historieta contei-a inúmeras vezes, sobretudo quando servia os meus intentos. Hoje, não estou bem certo de que as crises daquele ou de outro partido sejam lá com eles.

As inter-relações entre os partidos correspondem às características das democracias ocidentais. O definhamento e, inclusive, o desaparecimento de qualquer partido desequilibra a balança e debilita a batalha das ideias. Aconteceu em França e em Itália, para falar, somente, na Europa. Mas a tentação totalitária emerge, logo-assim que as formações políticas se ausentam, e em todas as esquinas há um tirano à espera de vez.

O PSD, desde a fundação, é um partido à procura de sentido ideológico. Já o disse e escrevi: Sá Carneiro via-se à nora para atender a todas as fragmentações, e tentar federá-las. Caldeado nos velhos ideais da burguesia nortenha, com padres, fascistas, salazaristas ressentidos, anticomunistas e republicanos nostálgicos, o PSD (então PPD: Partido Popular Democrático, crismado pelo escritor Ruben A.) correspondia à necessidade de se criar uma estrutura política propensa a trepar ao poder, a fim de contrariar a tendência esquerdista da sociedade, após Abril. Na melhor das conjecturas, aquela grinalda de opiniões, desejos e sentires poderia ser incluída no quadro dos demo-liberais. De social-democrata, nada tinha. Aliás, para a grande burguesia do Norte, ser social-democrata era ser um esquerdista desalmado. Sá Carneiro tentou, em vão, fazer com que o seu partido entrasse na Internacional Socialista, à época uma representação respeitável e credível. Não deixaram. O PSD matriculou-se, pois, na figuração que lhe estava mais a molde: à Direita.

Esta confusão e esta ambiguidade determina e explica, naturalmente, as crises sistemáticas pelas quais tem passado o PSD.
Não deixa e ser preocupante, agora, que alguns dos seus mais eminentes barões lhe façam o responso e rezem pela sua morte.
Esta crise partiu de pressupostos errados. A dr.ª Ferreira Leite surgia, aos olhos de um terço dos seus companheiros como uma espécie de endireita o sítio.
Não endireitou.
Pior: demonstrou que não tinha jeito nenhum para a função, aliás na decorrência do comprovado quando ministra da Educação e ministra das Finanças.

Os outros dois terços estavam entregues a Pedro Passos Coelho e a Pedro Santana Lopes.
A intrigalhada fervia.
A senhora afastou o primeiro (e Miguel Relvas) do Parlamento, e premiou o segundo com o apoio declarado e descarado à pretensão deste em ser presidente da Câmara de Lisboa.
Não quero, neste momento, discretear acerca dos saneamentos da dr.ª Manuela.
No entanto, não deixam de revelar um carácter e iluminar o que nos esperava, caso ela amarinhasse a primeira-ministra.
Estamos naquela: do mal, o menos; e lá temos de suportar o Sócrates.

Entretanto, com a displicência própria de quem tem mau perder, a dr.ª Manuela é colocada à parte não só pelo primeiro-ministro como por Paulo Portas, nas negociações para o Orçamento do Estado.
Aos poucos, Portas aproveita-se, e bem, das crises do PSD, vai desbaratando o que resta do maior partido da oposição e prepara-se para lhe tomar o lugar - o que, sem metáfora, já o conseguiu.

Pedro Passos Coelho, que me parece vir a ser o vencedor da pugna que se aproxima, tem a tarefa mais bicuda que se prevê entre todas as tarefas. Aturar o Santana Lopes; enfrentar o que vai restar das ruínas da dr.ª Manuela; cuidar-se com Aguiar e, sobretudo com Rangel. Qualquer destes amolgou-se na doutrina: dizem-se liberais, o que deixa espavorido qualquer pessoa de bem. Passos Coelho estará interessado em recuperar os princípios "sociais-democratas" e reabilitar a ténue esperança de muita gente desesperada?

Que projecto possui no combate ao desemprego e à precariedade?
E a questão da Saúde?
E da Educação?
E as contas públicas, e a regionalização, e a Justiça, e as políticas sociais e fiscais?
E a cultura?
Com que equipa está a contar?
Algumas destas interrogações constituem parte da organização de Estado, seriamente abalada por um Governo que já não interessa a ninguém.
Porém, que substituto?
O actual PSD é uma desgraça pegada que também não suscita nenhuma credibilidade sem fornece nenhuma garantia.


B.B.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

NOVO CARTAZ PSD!

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quinta-feira, 26 de março de 2009

PONTE DE SOR - JOAQUIM LIZARDO É O CANDIDATO DO PSD


Segundo o Jornal Alto Alentejo, o engenheiro Joaquim Lizardo, responsável técnico das Águas do Norte Alentejano e actual vereador vereador eleito pelo PSD na Câmara Municipal de Ponte de Sor volta a assumir a candidatura a esta autarquia encabeçando a lista do PSD.

Trata-se de um dever cívico e até atitude de higiene mental disse Joaquim Lizardo à redacção do Jornal Alto Alentejo, sem confirmar ainda a candidatura.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

SANTANA-MAIA LEONARDO É O CANDIDATO DO PSD À PRESIDENCIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE ABRANTES

O Partido Social Democrata, apresenta hoje às 18 na sede do PSD em Abrantes em conferência de imprensa o Dr. António Santana-Maia Leonardo como candidato à Câmara Municipal de Abrantes.


Para acompanhar a campanha do Dr. António Santana-Maia Leonardo à Câmara de Abrantes consulte o blogue: AmarAbrantes

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

É O QUE TEMOS...

A apresentação do Orçamento de Estado para 2009 teve a aparência de uma rábula política.
Apesar da pen-drive, o fascínio pelas grandes tecnologias não consegue esconder a iliteracia nem a incompetência política, apenas torna tudo mais evidente.
Aliás, o titular das Finanças mais parecia o ministro do Tédio parado no meio de um país sucessivamente adiado.

Implacável, o Orçamento de Estado é um documento para um país realmente adiado.
Sócrates prepara a estagnação para 2009 com um Orçamento politicamente habilidoso – disfarça as eleições com a crise internacional.
Depois da beatificação do deficit a todo o custo, segue-se a apologia das famílias, da função pública, dos empresários e da melhoria das condições gerais do país.
O primeiro-ministro não apresentou o Orçamento, mas brindou Portugal com uma brilhante confissão de inconsistência política.
Em abono da verdade, a visão e os princípios políticos do primeiro-ministro coincidem com as indicações específicas de Bruxelas.
Afinal, qual será o verdadeiro e real Sócrates – o homem da austeridade ou o símbolo da bonança?
Provavelmente, ambos em semanas alternadas.

Por outro lado, o Orçamento é apresentado como um exercício de realismo, prudência e rigor. Eis finalmente uma frase pacífica – realismo face ao ano eleitoral, prudência porque as eleições ganham-se nas urnas e rigor na asfixia política da oposição. Coerente na convicção das conveniências, Sócrates oferece ao país um Orçamento economicamente arriscado, mas eleitoralmente seguro.
O Orçamento é a dose nacional de Prozac para 2009.
No futuro, as consequências continuarão a ser pagas pelos portugueses.
Entretanto, o país vagueia numa espécie de atraso que alguns julgam ser a face primeira do progresso.

E que dizer da oposição?
Uma conclusão salta à primeira vista – o PSD não se ouve no país. O PSD vive no pior dos mundos quando tem uma líder, mas não tem liderança.
Sem disciplina, inseguro na tradição política que representa, o PSD perdeu o hábito de vencer. Quanto a Ferreira Leite, a líder deve entender que não chefia uma Igreja.
Tal significa que não tem todo o tempo do mundo e uma autoridade natural que lhe permitam definir o tempo das declarações.
Em política existe a necessidade de falar e ser visto, respondendo à regra básica da discussão entre os opostos.
Existe em Portugal todo um eleitorado de centro-direita que exige uma alternativa política.
Um eleitorado que não vai esperar eternamente pelo PSD.

Carlos Marques

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domingo, 7 de setembro de 2008

UM POLVO QUE CONTROLA, PERSEGUE E DESPEDE...

Os que sabem que isto não vai bem, não podem falar muito alto porque há uma impressionante máquina socialista que controla, que persegue, que corta apoios, que gere favores ou simplesmente que demite...
[...]
Na administração pública, na vida económica, no associativismo, nos mais variados sectores podemos recolher testemunhos e exemplos de um clima antidemocrático, pouco saudável...
[...]
É urgente libertar o país do sectarismo partidário.
[...]

Manuela Ferreira Leite
No encerramento da Universidade de Verão
em Castelo de Vide

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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

FÁBRICAS DE OCIOSOS INÚTEIS

Dificilmente acreditamos no discurso político.
Esvaziados de ideologia (com excepção do PCP), desprovidos de convicções, reeditando o rotativismo suicida do século XIX, o PSD e o PS não são carne, nem peixe, nem arenque vermelho: apenas uma teia reticular de interesses e de cumplicidades.
Conduziram-nos até ao nojo da política.
Secaram as mais módicas assunções de civismo.


Serviram de péssimo exemplo aos mais novos.
Aqueles sinistros agrupamentos de jotas mais não são do que máquinas de produzir inutilidades.
Repare-se nos trajectos de antigos dirigentes juvenis de ambos os partidos.
A canseira que acumulámos é proporcional ao exercício do ócio praticado por aquela gente.

É natural que desconfiemos de tudo e de todos, no que se refere a política. Os exemplos são propícios a duvidar da virtude.
O recente caso de Paulo Portas, que ocultou, durante um ano, o pedido de demissão do seu vice, Luís Nobre Guedes, e o silêncio deste sobre o assunto, é significativo.
Aliás, parece que o silêncio se tornou a regra da arte.
Sócrates emudece quando se trata de esclarecer as origens da onda de violência que varre o País.
Manuela Ferreira Leite reserva, para o próximo domingo, dia do encerramento, em Castelo de Vide, da Universidade de Verão do PSD a revelação da excelsa grandeza das suas ideias.
A pátria, expectante e a arquejar, está de joelhos.
Até lá, até se chegar a esse domingo luminoso, em que a verdade fundamental será dita como um sacramento, os cem jovens inscritos nos cursos, terão de se contentar com aqueles graves senhores que lhes falam das venturas do porvir, consubstanciadas na admirável social-democracia do estimável partido.
Na falta do gracioso intermezzo que lhes seria certamente proporcionado pelo alto sentido de humor do prof. Marcelo, escutarão, com embevecido assombro, o verbo eloquente do imenso socialista António Vitorino, que não está ali por engano.

O panorama permite-nos admitir que estamos perante uma cegada.
A própria estratégia do silêncio, da dr.ª Manuela Ferreira Leite, configura uma situação mais próxima do folclore que se censura do que da reflexão que se reclama.
Naturalmente, há casos de escrúpulo e de pudor.
Não os encontro na política.
Mas conheço alguns em literatura, embora raríssimos, seja dito.
A verdade, no caso vertente, é que a mudez da chefe do PSD devia ser correspondida pelo seu staff.
Sucede, rigorosamente, o contrário: os que têm falado só têm dito disparates e tolejos.
A ideia de que o pensamento recatado é uma demonstração de seriedade, não conduz a parte alguma.
A política, enquanto tal, é o exercício da relação com o outro, e, em princípio, a prática de um diálogo só interrompido pela arrogância – ou pela fragilidade, aliás, o esconderijo da arrogância.

A chamada reentrada nada traz de novo.
Exactamente porque os partidos de poder deixaram de se comprometer com os problemas do nosso tempo.
Os outros, retomam a interpretação partidária, por vezes engraçada e maliciosa, outras, repetitivas sobre o problema da relação entre fins e meios na política.
Não há debate, não há polémica, não há empenhamento no uso de uma doutrina, de um projecto, de uma dinâmica.
O mundo mudou e as chamadas sociedades modernas ainda não encontraram resposta.
O neoliberalismo não encontra resistência, nem crítica, nem sistema de ideias que, pelo menos, o conteste com seriedade e lucidez.
As reacções são meramente emocionais, quando não provocam o mais sonoro dos bocejos.

O aparecimento de uns vagos preopinantes de Direita pareceu, inicialmente, possibilitar uma interessante agitação.
Tudo se resume a uma espécie de comentário jocoso, pouco original, inspirado no estilo de Vasco Pulido Valente, com pequenas e grotescas citações de autores anglosaxónicos.
A diferença é que Pulido leu e lê, está atento à lazeira da pátria, e as suas grandes referências intelectuais encontram-se no chão cultural do século XIX português.
O homem é um chato, um enfadado, há quarenta e tal anos que assim é. Porém, é um prosador de recorte, sobretudo quando é injusto na apreciação, o que, curiosamente, o torna mais atractivo, por mordaz.
Todavia, até ele, neste momento, me parece um pouco fatigante, pela não oculta tendência em defender o indefensável: a dr.ª Manuela Ferreira Leite.

Nada nos encaminha para o júbilo.
Tudo nos empurra para o desencanto. E, no entanto, é preciso acreditar que as coisas não podem permanecer, eternamente, nesta estrebaria moral. Depois do 25 de Abril, um grande poeta, Pedro Tamen, escreveu um poema lindíssimo, que continha este verso: Agora, estar.
A festa não durou muito.
Não tivemos força para impedir o regresso do reino cadaveroso.
O que por aí se vê não é o resultado de uma vitória sobre a anarquia.
É um monte de escombros, sob o qual ficou soterrado o mais exíguo sonho de felicidade.

APOSTILA – Lemos as listas dos best sellers (o Alexandre O’Neill chamava-lhes as bestas céleres), e já não nos surpreendemos com o rol de futilidades, de estropícios literários, de imbecilidades programadas que suscita o interessa (e a compra) do português.
Não há uma, escassamente uma, minimamente uma só obra daquelas que marcam pela qualidade.
Contudo, há-as.
São devoradas pela onda de criminalidade literária.
Desejo, somente, referir: Portugal na Espanha Árabe, de António Borges Coelho, Editorial Caminho. É a terceira edição de um monumental trabalho de investigação e de amor, composto de quatro volumes e, agora, reunido num só tomo. Borges Coelho é um dos maiores historiadores portugueses de sempre. Como o seu escrúpulo e o seu rigor nada têm a ver com a feira de vaidades em que se transformou o nosso meio cultural; e a ignorância e o descaso adquiriram carta de alforria nos media – o nome de António Borges Coelho raramente é referido. Porém, é um intelectual de alto coturno, um português raro, um professor que a Universidade aclamou.
Este Portugal na Espanha Árabe ensina-nos muito daquilo que somos, e da importância da cultura muçulmana no desenvolvimento da nossa própria compleição cultural. Depois, é escrito num idioma de lei.
Tudo a concorrer para que os meus Dilectos adquiram este extraordinário texto. E se os jovens da Universidade de Verão do PSD frequentassem as páginas deste volume aprenderiam, certamente, muitíssimo mais do que com aquilo que ouviram e vão ouvir.


B.B.

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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

NENHUM SILÊNCIO É INOCENTE

Diz-se que Manuela Ferreira Leite vai quebrar o silêncio. Diz-se que esse magno acontecimento ocorrerá no domingo, no encerramento da Universidade de Verão do PSD. Diz-se, numa amarga perturbação, que a calada senhora, a fim de manter a estratégia da inaudibilidade - apenas sussurrará.

Esta atmosfera espectral, que o previsível Pacheco Pereira designa de necessária pausa para meditação, não tem sido, propriamente, aplaudida de pé. As dúvidas erguem-se, como puas, nas almas perplexas dos militantes. E a conspiração alastra como eczema. Menezes, feroz e irado com a mudez obstinada da dr.ª Manuela, ameaça com um congresso devastador. Marcelo manifesta-se incomodado e, até, aflito, com a cruel ausência da presidente. Santana Lopes, apesar de primo da dr.ª, não descansa um mísero segundo sem a fulminar com impiedosos comentários. Ângelo Correia abandonou a efusão das metáforas. Proclama que este rumo absurdo conduzirá o partido às profundezas do abismo. A dr.ª usa a retórica do desdém (moita, carrasco!) que deixa os adversários desatinados.

Mas já não são, exclusivamente, os barões a criticar as águas palustres onde, penosamente, se move o PSD da dr.ª Manuela Ferreira Leite. As bases começam a embaciar o fascínio sentido pela senhora. Circula um abaixo-assinado no qual se pede uma sacudidela à abulia e à inércia do partido. As palavras são aprimoradas; mas não deixam de ser rudes.

A Universidade de Verão parece, na lógica deste panorama, a contra-regra do Pontal; digamos: um sinédrio intelectual e grave, destinado a inculcar em cem ansiosos moços o breviário da social-democracia à portuguesa. A coisa é notoriamente confusa. E a identidade dos professores uma barafunda pegada, repleta de narcisismos perversos e de nervosas ambições.

Não sei se os meus pios leitores imaginam a natureza dos discursos de Pacheco e de Leonor Beleza, de António Borges e do general Garcia Leandro, sem omitir, claro!, o inimitável António Vitorino, socialista e tudo, sobretudo nos dias ímpares. Quase todos os nomeados são directamente responsáveis pelo estado a que chegou o País. Parte do descrédito da acção política a eles se deve. O nosso desalento deixou de ceder a qualquer apelo cívico, e as nossas emoções mais asseadas foram letalmente atingidas.
A casta que tomou conta da Pátria devia ser condenada por indignidade nacional. Chega a ser infame a lista das prebendas, das reformas sumptuosas, das funções acumuladas, dos duplos e triplos vencimentos auferidos por uma gente desprezível, que entre si partilha o bolo, num macabro trânsito de interesses.

Os cem jovens que assistem ao conclave de Castelo de Vide vão, com aqueles professores, aprender - quê?
Os exemplos não são virtuosos.

B.B.

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sábado, 5 de julho de 2008

PORTUGAL...O ESTADO A QUE ISTO CHEGOU... [II]

A próxima semana vai ser politicamente dominada pelo debate sobre o estado da Nação, que encerra o ano parlamentar.
As boas ideias tendem a durar pouco, a tornar-se rotina: um debate que deveria marcar o tempo e servir de balanço, está condenado a tornar-se um debate como os outros, porque Governos e oposições não abdicam das suas posições e não dão passos que possam favorecer os adversários.

Ainda por cima, em vésperas de ano eleitoral!

É por isso que o leitor mais atento é bem capaz de antever ao pormenor o que cada um dos partidos e o próprio Governo têm para dizer.
Desta vez, chamado a uma entrevista na televisão num pico da crise internacional, até o primeiro- ministro já se adiantou no anúncio de algumas medidas.
Que a coisa se torne monótona já é mau.

O pior é que é completamente ineficaz.

Desculpem a comparação, mas muitas vezes, o discurso político em Portugal está a ficar igualzinho ao do futebol.
Só tem é menos tempo de antena nas televisões.
Compare-se o discurso e veja-se se não há semelhanças com quem tem de se justificar politicamente sempre culpando os outros pelos erros, ou encontrando pontos positivos na sua actuação quando está à vista o resultado de insucesso.

Não chegamos ainda ao ponto de ter um dirigente político a pedir-nos que demos as mãos para a corrente positiva passar com mais força. I
sso, só mesmo Scolari sabia fazer.

Mas temos políticos - no Governo e na Oposição - que são incapazes de aplaudir uma ideia adversária, que chegam ao ponto de apoiar uma medida se ela for proposta do seu lado, mas incapazes de a votar se, a mesmíssima proposta, vier do adversário.

Ainda esta semana, Manuela Ferreira Leite proferiu uma frase que, para mal dela a vai perseguir por algum tempo: O país não tem dinheiro para nada, o que, traduzido para futebolês quer dizer: Sócrates não joga nada.
Não joga nada porque é do outro.
O que Ferreira Leite disse já outros políticos disseram, incluindo o próprio Sócrates que, como sabemos, em matéria de arrogância, não fica a dever nada a ninguém.

No país ideal do mundo ideal, durante o debate do estado da Nação, políticos da oposição aconselhariam caminhos alternativos aos ministros, depois de estes terem admitido que algumas das suas políticas tinham falhado.
Entre este mundo idílico e a selva do futebol vai uma distância enorme.
Tão grande que a política real poderia ter ficado a meio caminho, aonde quer que se situasse o ideal olímpico da política. Infelizmente, não ficou.
Mas alegremo-nos, o mal não é só nosso, lá fora passa-se o mesmo; como diz o primeiro-ministro, a crise é internacional.


J.L.P.

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quarta-feira, 2 de julho de 2008

CONVERSAS EM FAMÍLIA...



Depois das homilias de Marcelo e Vitorino, ontem e hoje, tivemos duas sintomáticas conversas em família de Hilary Ferreira Leite e de Obama Pinto de Sousa, neste arranque das primárias do nosso Bloco Central, a que, outrora, demos o nome de União Sagrada.
Ambas glosaram a presente alteração anormal das circunstâncias, com muito petróleo, muitas taxas de juro e pouca crise alimentar. Sócrates, com o estadão do Terreiro do Paço como cenário de fundo, foi todo ele muito marquês, num exercício de politiqueirice, criticando verbalmente a politiqueirice, sic rebus, sic stantibus.

Sem qualquer acaso psicanalítico, substituiu Portugal pelo país, assumiu que tem encontros imediatos com o bem comum, situando-o na respectiva consciência e repetiu o soundbyte do ritmo reformista de modernização do país, mas ajudando quem precisa de ajuda, usando esse novo bacalhau a pataco que é não gastarmos nadas em obras, porque elas serão feitas por privados, os quais ficam com esse insignificante das concessões.

Por enquanto, ainda não anunciou a privatização das praias do domínio público marítimo, para transformarmos as areias em abonos e família e em incentivos à gravidez.



Apenas se confirma que, depois das vacas gordas de um estado de graça feito de porreiro, pá!, lá nos vamos enredando nas vacas magras, onde o é o inspirador do novo discurso maneleiro do país de tanga.
O que Sócrates não conseguiu disfarçar foi o tom de monólogo, feito de muitas vacas sagradas, dado que a conversa parecia um ditado, levado a cabo através de uma operação de conversão de muitos tracks de um mini-disk, cuja versão de fotonovela já conhecíamos nos palanques inaugurativos, feitos para propaganda de telejornal.

De qualquer maneira, para além da ausência da palavra e da ideia de Portugal, também desapareceram coisas como os cidadãos e os indivíduos, dado que se restauraram apenas as células do velho corporativismo das famílias e das empresas e das empresas e das famílias, entidades que, afinal, voltam a participar estruturalmente na vida da nação.
Por outras palavras, em tempo de vacas magras, apenas a abstracção das vacas sagradas, para que o contribuinte e o eleitor não reparem que são eles que pagam estes pilares da concessão da ponte do tédio, ainda sem buzinão...


JAM

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quarta-feira, 18 de junho de 2008

"YES"DE MOLLY BLOOM?

Nunca fui um entusiasta quer da Constituição Europeia quer do Tratado de Lisboa e ainda menos me iludi com a engenharia institucional contra naturam a que apontavam os mecanismos respectivos, como aqui tive ocasião de escrever com alguma frequência.

De uma maneira ou de outra, os países mais fortes apontavam a um directório a que se submeteriam os países mais fracos e tudo redundaria numa espécie de federalismo europeu de trazer por casa, substantivamente comandado por eles e formalmente por Bruxelas, com a singularidade de se dispensar um orçamento federal compatível e o picante de haver cada vez menos um espírito europeu partilhado e cada vez mais uma série de conflitos de interesses nacionais muitas vezes insolúveis...

De resto, quem ler a laboriosa concocção do texto de 2007, após a presidência alemã ter dado as suas instruções à presidência portuguesa, fica com a certeza de que nenhum chefe de Estado ou de Governo participante na CIG conhece bem o teor e as implicações daquilo que aprovou.

Na mecânica e nos detalhes (e quase sempre são estes o que mais conta), o Tratado de Lisboa só pode ser o produto da cerebração sibilina de altos funcionários nos bastidores das instituições europeias, muito em especial, do Conselho. A este vício genético, acrescem outros:

Foi politicamente muito imprudente o processo seguido na Convenção que levou à elaboração de um projecto de Constituição Europeia. Foi igualmente imprudente a sua proclamação urbi et orbi em Roma em 2004, como se via pouco depois com os desaires em França e na Holanda. Continuou a ser imprudente a repescagem e ressurreição que conduziram à minuta absolutamente incompreensível e à estruturação apressada, impulsionada pela presidência alemã, daquilo que veio a ser o Tratado de Lisboa.

A Constituição Europeia era um cadáver adiado. A Europa dos mais fortes não o percebeu ou não o quis perceber.

Agora, o projecto estatela-se mais uma vez, por acção de um pequeno país, por sinal aquela mesma Irlanda que era dada como paradigma dos benefícios da integração e do crescimento espectacular em poucos anos graças à Europa... Também este facto torna a rejeição do Tratado de Lisboa particularmente grave no contexto europeu e mesmo mundial.

O resultado mostra bem que a União Europeia continua a não ser possível com a arquitectura que se lhe pretendia impor, de cima para baixo. Coonestaram-se todos os expedientes para se fazer aprovar a Europa na secretaria. O falhanço é clamoroso, mas ainda se vai assistir a mais ginásticas conceptuais.

Por outro lado, o referendo. Sim, o referendo, entre nós evacuado expeditivamente pelos mesmos que se tinham comprometido a promovê- -lo... Sócrates perdeu uma boa ocasião de brilhar pela coerência, no que foi rapidamente seguido por um PSD a arrepiar caminho e a desdizer-se sem pestanejar.

O resultado traz um benefício manifesto aos partidos à esquerda do PS, referendistas por anti-europeísmo, quando, nos partidos moderados, quem pedia o referendo o fazia em nome da construção europeia e por causa dela, para que não se invocasse uma qualquer carência de legitimação a mais ou menos médio prazo. A responsabilidade de Sócrates está também em ter fingido que não percebia isto, entregando de bandeja à esquerda esse capital de reivindicação democrática, o que é tanto mais grave quanto é certo que, em Portugal, o sim teria ganho.

Já por aí se insinua nalguns sectores bem pensantes que a dimensão mínima de um país como a Irlanda não pode travar o motor que interessa a mais 26 Estados. É um exercício que pode ser feito quanto a mais de uma dúzia deles, incluindo o nosso... Este perigosíssimo argumento traduz um enorme desprezo pelos países mais pequenos e pelo princípio da igualdade entre os Estados.

Para já, entre ameaças, perspectivas de negociação e expectativas pouco consistentes, parece que se pretende que Molly Bloom reconsidere e também remate esta história com o seu yes. O pior é que é exactamente com pressas, álibis, expedientes, sofismas e simplificações grosseiras deste tipo que se esvazia o sentido dos valores europeus, se aliena o interesse dos cidadãos e se fica impedido de construir decentemente o futuro da União.


Vasco Graça Moura

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segunda-feira, 2 de junho de 2008

"LADRÕES"...FINOS...

Estado gastou 485 milhões em negócio que valia um quinto

O Estado está a pagar por uma rede de comunicações do Ministério da Administração Interna um total de 485,5 milhões de euros, cinco vezes mais do que poderia ter gasto se tivesse optado por outro modelo técnico e financeiro.

A conclusão vem num relatório escrito em Maio de 2001 pelo primeiro grupo de trabalho que estudou a estrutura desta rede de comunicações e a baptizou de Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP). Este sistema permitirá aos elementos das várias forças de segurança, dos serviços de informação, da emergência médica e da protecção civil comunicarem entre si.

O presidente desse grupo de trabalho, Almiro de Oliveira - um especialista em sistemas e tecnologias da informação com mais de 30 anos de docência universitária -, não consegue encontrar justificação para a discrepância de números, até porque o equipamento que foi adjudicado tem quase as mesmas funcionalidades do que aquele que idealizou.

"No nosso relatório prevíamos um investimento inicial entre 100 e 150 milhões de euros. A isso acrescentávamos dez por cento por ano, que corresponderia ao custo de exploração", precisa o professor universitário, que recorda que hoje, face à desvalorização da tecnologia, os valores do investimento inicial rondarão entre 70 e 105 milhões de euros. Quanto aos dez por cento de custos de exploração, Almiro de Oliveira sustenta que estes não estariam sempre a somar ao investimento inicial.

"Dever de cidadania"
"Tínhamos como princípio base o princípio do utilizador-pagador, ou seja, cada entidade utilizadora do sistema pagaria uma factura de acordo com o seu tráfego. No fim de cada período, a entidade gestora ou tinha prejuízo ou lucro: se tivesse prejuízo esse valor somava-se ao investimento adicional, se tivesse lucro abatia", justifica o perito, consultor de empresas e da administração pública.

Almiro de Oliveira explica que só agora decidiu falar sobre o SIRESP porque nunca foi ouvido no inquérito aberto pelo Ministério Público (MP) à polémica adjudicação do sistema - feita pelo ex-ministro da Administração Interna Daniel Sanches, já quando o Governo de Santana Lopes se encontrava em gestão corrente. "Esperei três anos pelos trabalhos e conclusões das autoridades judiciais num Estado de Direito... Entendi falar agora por este ser um dever de cidadania", diz.

Ligações perigosas
O inquérito, motivado por suspeitas de tráfico de influências e participação económica em negócio na adjudicação do SIRESP a um consórcio liderado pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN), foi arquivado em Março deste ano. O relatório final do grupo de trabalho de Almiro de Oliveira também consta do "dossier", mas ninguém lhe deu importância. Nem os relatórios da Polícia Judiciária nem o despacho de arquivamento, assinado pelo inspector do MP Azevedo Maia, fazem qualquer referência ao documento. Nenhum dos membros que fizeram parte do grupo foi ouvido.

No despacho de arquivamento, Azevedo Maia admite que não se esgotou a produção de prova, mas considerou que mais não seria necessário para a sua decisão. Quanto ao comportamento do ex-ministro Daniel Sanches, o inspector descreve os vários cargos que este tinha no grupo SLN antes de entrar para o Governo, mas remata dizendo: "Não resulta porém dos autos que, ao proferir o despacho de adjudicação do concurso para a criação e implementação do SIRESP já durante o Governo de gestão, isso tivesse algo a ver com as suas ligações àquelas empresas do grupo SLN", a quem o sistema seria então adjudicado por 538,2 milhões de euros.

O ministro António Costa veio depois decretar a nulidade da adjudicação com base num parecer da Procuradoria-Geral da República, mas decidiu voltar a renegociar o contrato com o mesmo consórcio liderado pela SLN (onde também entraram a PT Venture, a Motorola e a Esegur). Retirando algumas funcionalidades ao sistema, Costa acabaria por adjudicá-lo por 485,5 milhões de euros.

Polícias usam a maioria dos 5000 terminais
Neste momento são elementos da GNR e da PSP que estão a usar a maioria dos 5000 terminais de comunicações do SIRESP, uma rede que também permitirá, por exemplo, que elementos da Judiciária falem através de um aparelho parecido com um telemóvel com membros dos bombeiros, do SIS, da PSP, dos serviços prisionais ou do INEM, entre outros.

Actualmente, cada instituição tem um sistema de comunicação próprio, normalmente incompatíveis entre si, o que impede que em casos de catástrofe ou grandes eventos se faça uma boa articulação dos meios no terreno.

Segundo nota escrita enviada pelo Ministério da Administração Interna (MAI), existem neste momento 5000 terminais a funcionar em Lisboa, Santarém, Coimbra, Portalegre e Leiria. Ainda este ano acrescerão os utilizadores do município de Lisboa, ou seja, a protecção civil e os bombeiros locais, além da polícia da autarquia. Apesar de serem públicas algumas queixas das polícias quanto à dificuldade de comunicarem com os terminais dentro de algumas esquadras, o MAI garante que não têm surgido queixas operacionais sobre o SIRESP.

Segundo o ministério, já foram pagos 24 milhões de euros à sociedade que ficou de receber os montantes a pagar pelos serviços do consórcio vencedor, a SIRESP, SA. Os valores em falta deverão ser pagos, duas vezes ao ano, até 2020. Nessa data ficarão saldados os 485,5 milhões de euros por que o SIRESP foi adjudicado ao consórcio liderado pela Sociedade Lusa de Negócios. Quanto à instalação total do sistema no terreno, ela deve terminar bem antes, no final de 2009.

Segundo o planeamento da rede, estão neste momento em instalação as estações base (antenas) de Beja, Viseu, Évora e Metro de Lisboa. Se tudo correr como previsto, seguem-se, no segundo semestre deste ano, Porto, Aveiro, Setúbal, Madeira e o Metro do Porto, ainda em estudo. Em 2009 deverão ser instaladas antenas em Castelo Branco, Braga, Guarda, Faro, Viana, Bragança e Vila Real.

Na passada quinta-feira, o Governo aprovou o procedimento que permitirá a aquisição de um mínimo de 18 mil e um máximo de 40 mil equipamentos. O montante máximo definido para cada terminal é de 850 euros, ou seja, 15,3 milhões de euros para os 18 mil terminais rádio
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Cinco protagonistas num negócio que atravessou quatro governos

António Guterres
Em Agosto de 1999, um Conselho de Ministros presidido pelo então primeiro-ministro António Guterres estabelece que é vital garantir a operacionalidade entre as comunicações de emergência e segurança, considerando aconselhável a instalação de uma infra-estrutura única que sirva de suporte às várias polícias, protecção civil e outras entidades. A decisão restringe as soluções tecnológicas ao sistema Tetra. Em Janeiro de 2001 é criado um grupo de trabalho para estudar o futuro sistema, presidido por Almiro de Oliveira, que pressiona o Governo - então acusado de já ter a decisão parcialmente tomada, ao optar pelo Tetra - no sentido de alargar o leque de soluções tecnológicas.

Daniel Sanches
Magistrado do Ministério Público desde 1973, Sanches foi director adjunto da PJ entre 84 e 88. Passou ainda pela direcção do SEF entre 88 e 94, ano em que se tornou director do Serviço de Informações de Segurança. Em 2000 larga todos os cargos na administração pública para se tornar consultor e administrador de empresas no grupo Sociedade Lusa de Negócios (SLN), ao qual, a 23 de Fevereiro de 2003 - na qualidade de ministro da Administração Interna do Governo Santana Lopes e três dias depois de perder as eleições legislativas -, adjudica um contrato de 538,2 milhões de euros. No grupo SLN foi administrador da Pleiade, presidente da Vsegur e secretário da assembleia geral do BPN.

Manuel Dias Loureiro
Foi ministro da Administração Interna de Cavaco Silva, deputado do PSD e presidente da mesa do congresso, sendo um dos notáveis do partido. O seu nome aparece ligado desde o início ao negócio do sistema de comunicações do Estado, já que na altura em que Daniel Sanches adjudicou o SIRESP à SLN, Dias Loureiro era administrador não executivo do grupo. Fazendo questão de dizer que não tinha qualquer quota na "holding", nunca soube explicar que interesses defendia no grupo, já que não era um administrador de carreira. Por outro lado, foi, como Daniel Sanches, administrador da Pleiade e também esteve com este na Vsegur, antes de Sanches integrar o Governo de Santana Lopes.

José Oliveira e Costa
Ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Cavaco Silva, Oliveira e Costa era o presidente do grupo SLN na altura em que Daniel Sanches fez a primeira adjudicação do SIRESP ao consórcio. A sua filha é presidente de uma das empresas do grupo, a Datacomp, que também faz parte do consórcio vencedor. Ambos foram constituídos arguidos no processo judicial arquivado em Março. O BPN, do grupo SLN, está neste momento a ser investigado na "Operação Furação", que avalia suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais. Há ainda outro inquérito a correr contra o BPN, que teve por base queixas de pessoas que integram o próprio banco. Oliveira e Costa afastou-se da presidência mas mantém-se na retaguarda.

António Costa
O ministro da Administração Interna de José Sócrates apanha o "dossier" SIRESP numa altura em que Daniel Sanches já tinha feito a adjudicação ao único consórcio que apresentou uma proposta, a SLN. António Costa pediu vários pareceres sobre o SIRESP e foi apoiado num, da Procuradoria-Geral da República, que decretou nula a adjudicação feita por Sanches. Como o concurso continuava válido não podia anulá-lo, mas podia simplesmente optar por não adjudicar o sistema à SLN, considerando que a proposta feita não era satisfatória. Não foi essa a sua decisão e voltou a renegociar o contrato, conseguindo descer o preço em cerca de 50 milhões de euros depois de prescindir de algumas funcionalidades do sistema.
Mariana Oliveira
Público

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segunda-feira, 26 de maio de 2008

DESIGUALDADE & HIPOCRISIA, S.A.

Governado há três décadas por partidos com social no nome (Partido Socialista, Partido Social-Democrata, Centro Democrático e Social), Portugal é o país da UE onde é maior a desigualdade social.
O actual governo socialista desmentiu apressadamente a constatação, divulgada pela Comissão Europeia.
Que não, que isso foi em 2004; porque, em 2006, a Letónia bateu o vergonhoso recorde e já é uma sociedade ainda mais desigual que a portuguesa.
É neste quadro, em que não há ainda mais pobres porque os impostos servem para subsidiar muitas famílias, que o presidente da GALP deita para os impostos a culpa de os portugueses pagarem os combustíveis tão caros.
Ferreira de Oliveira conta que sejamos também os mais estúpidos da Europa e ignoremos que, antes dos impostos, Portugal já tem combustíveis muito mais caros que a média europeia (0,628 euros contra 0,601 no gasóleo e 0,545 contra 0,524 na gasolina).
O que, acrescentado ao facto de a GALP e mais petrolíferas pagarem, em Portugal, salários 50% inferiores à média da UE (11 euros/hora contra 25,1 na UE a 15 e 20,4 na UE a 27), explica os seus escandalosos lucros (1,2 milhões de euros/dia só a GALP).
Não somos apenas o país da Europa onde a desigualdade é maior, somos ainda aquele onde é maior a hipocrisia.

M.A.P.

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domingo, 27 de abril de 2008

SOCORRO, ELE QUER VOLTAR!


Se há coisa verdadeiramente previsível na política portuguesa é que jamais nos conseguiremos livrar de Santana Lopes. Numa das mais geniais - e indecentes - jogadas da política portuguesa, Durão Barroso, que bem o conhece, concebeu o célebre plano dois em um: ele, Barroso, livrava-se a tempo do governo e do país e embarcava para o lugar europeu, exactamente adaptado ao seu cinzentismo político e onde tem cumprido exemplarmente o que dele se esperava e, sobretudo, o que não se esperava; e, simultaneamente, oferecia a Jorge Sampaio e ao país a oportunidade de testarem de vez a absoluta incompetência de Santana Lopes. Esperava Barroso (ou melhor, sabia, como muitos outros um pouco mais inteligentes do que as célebres bases do PSD) que, por onde tinha passado o menino guerreiro - Secretaria de Estado da Cultura, Câmara da Figueira da Foz, Câmara de Lisboa - Pedro Santana Lopes nunca falhara em deixar tudo arruinado e de pantanas, sendo certo que a receita se repetiria no governo do país.

Há uma tese que defende que também Jorge Sampaio achou que o melhor era correr aquela lebre de uma vez por todas, enquanto um PS destroçado pela investigação do caso Casa Pia (nunca saberemos se séria, se politicamente orientada) encontrava tempo e líder para poder resgatar o brinquedo ao PSD. Assim, o poder caiu na rua, que outra coisa não era a sua entrega àquela tropa fandanga de Santana Lopes. E, tal como se esperava, ele fez o que pôde para dar cabo disto em apenas nove meses: deixou o défice em 6,2% e transformou a governação e representação de Portugal num espectáculo tão indigno que o próprio Sampaio teve de se mover, de vergonha. E o resto já se sabe: tentando manter o poder, que lhe caíra nos braços por golpe palaciano, Santana foi forçado a defendê-lo em eleições, onde conduziu uma campanha eleitoral abaixo do limiar mínimo eticamente aceitável e foi despachado com o pior resultado de sempre do PSD - ele, que se gabava de ganhar eleições como ninguém. Contrariando anteriores juras públicas, regressou à Câmara de Lisboa, onde ficou sentado à espera que o tempo passasse, e regressou ao Parlamento, onde Menezes, com medo dele, lhe entregou a liderança parlamentar. Como de costume, andou por aí, ele que nunca soube fazer outra coisa na vida. Passaram apenas dois anos, mas bastaram-lhe dois dias em silêncio (que, para ele, significa uma longa reflexão) e ei-lo que se anuncia de volta para o combate - com a mesma tropa fandanga de sempre. Mais o dr. Jardim e, como se dizia de um presidente americano, com um exército de frases pomposas movendo-se pelo horizonte em busca de uma ideia.

No caso de Santana, como no de Jardim, a ideia é simples: os combates, como eles chamam às peixeiradas internas do partido e às eleições mais ou menos fáceis de ganhar. Nenhum deles fez jamais outra coisa na vida nem consta que o saibam fazer. Ambos são o expoente absoluto da demagogia basista - agora consagrada pelas directas dentro do partido, de que Menezes se serviu a primor. Mas, enquanto Menezes ainda é um principiante nestas coisas, capaz de desistir em lágrimas porque meia dúzia de intelectuais lhe deram cabo da vida, já Santana e Jardim são muito mais frios e racionais, por baixo da sua capa de emocionais. Santana conduz a sua eterna campanha basista com mais inteligência do que Jardim, e por isso é que este se queixa de não ter tropas no continente. Pois nunca entendeu que, se queria ser um político nacional, tinha de mudar o seu discurso: não se fala para o povo das autarquias e distritais do PSD como se fala para os regedores de freguesia e cabos eleitorais da Madeira. E também não se pode dizer a primeira coisa que vem à cabeça em cada momento, num dia gritando que o PSD tem de ser social-democrata e no outro apelando à restauração da AD para não perder os votos da direita. E, já agora, não dizer disparates que possam pôr as bases a meditar, como essa de Aguiar Branco não servir porque vem da burguesia portuense e o PSD sempre foi um partido do povo (e Menezes, veio de onde - de Miragaia? Balsemão e Marcelo terão vindo do mundo rural da Quinta da Marinha? Durão Barroso veio da zona operária do Barreiro, secção maoísta? E Sá Carneiro, já agora, se não veio da burguesia portuense, terá vindo de onde?).

Para se ter uma ideia da profundidade ideológica e da radiosa perspectiva de Alberto João Jardim poder um dia governar Portugal, via PSD, atente-se no que antevê um fulano chamado Carreiras, chefe da coisa em Lisboa: Jardim tem todas as condições para fazer em Portugal inteiro aquilo que fez na Madeira. Todas as condições? E quem pagaria as contas - Espanha? Já com Santana Lopes, as perspectivas são ainda mais claras. Tal como ele próprio explicou anteontem ao Conselho Nacional do PSD onde anunciou que estava disponível, há duas vias para ganhar 2009 (note-se que não são duas vias para governar Portugal, mas para o PSD conseguir ganhar as eleições de 2009). Há - diz ele - uma via igual à do PS, preocupada com a contenção e o défice (que será a de Manuela Ferreira Leite); e há a aposta no crescimento económico (que é a via dele). Santana propõe-se assim, e com todo o descaramento possível, levar o PSD de volta ao poder prometendo mais forrobodó: se o elegerem agora, ele vai prometer aos portugueses a baixa dos impostos, o aumento das pensões sem olhar a números, mais despesa pública e que se lixe o défice e a contenção. Depois de dois anos e meio a fazermos sacrifícios para recuperar as contas públicas dos seus nove meses de festa e na iminência de uma crise económica global como há muito não se via, o homem propõe-se deitar fora os ganhos dos sacrifícios feitos, em troca de termos o PSD de volta e o menino guerreiro de novo instalado em S. Bento a brincar aos primeiros-ministros. Ele e Jardim representam bem a mentalidade daqueles cuja carreira política foi feita unicamente à custa do esbanjamento de dinheiros públicos. E quem vier a seguir que pague a conta, porque a sua responsabilidade se limita a ganhar eleições.

Tudo isto seria apenas trágico-cómico, se não se desse o caso de já termos sobejas provas de que o povo do PSD, primeiro que tudo, quer é que lhe prometam o poder, e só depois é que tem um vago interesse em saber como e para quê. É chão fértil para demagogos de feira. Deve ser por isso, aliás, que se costuma dizer que o PSD é o mais português de todos os partidos.


Miguel Sousa Tavares

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quinta-feira, 3 de abril de 2008

PORCA MISÉRIA... A POLÍTICA, A FALTA DE ÉTICA E GRANDES TACHOS...



A leitura do Diário Económico de hoje, é deprimente.

Pelos seguintes motivos que nos atestam como país de quarto mundo:

Para Jorge Coelho, como para muitos gestores e ex-políticos, a passagem do público para o privado é um acto natural. Do conjunto de administradores das empresas do PSI 20, 10% já passaram por um ou mais governos. Alguns, fizeram carreira na banca, passaram para o Governo e voltaram à banca, como fez Armando Vara na Caixa Geral de Depósitos e no BCP.

Ao todo, metade das vinte maiores empresas nacionais têm administradores que ocuparam cargos no Executivo.

Olhando para os vinte CEO, só cinco assumiram funções em governos liderados pelo PS e PSD.

É assim que o Diário Económico encara o assunto da transferência do participante no programa de tv, Quadratura do Círculo, para a actividade empresarial, tipo executivo de topo. CEO, como se usa agora dizer.

Há uns tempos atrás, João Cravinho, outro socialista que abandonou o Parlamento e a intervenção política directa, passando para uma instituição financeira internacional e pública, por designação governamental, disse que o core business, da corrupção, em Portugal , residia mesmo no coração do Estado.

Um ex-Secretário de Estado deste governo, Amaral Tomás, avançou um pouco mais. Afirmou que algumas das mil maiores empresas, praticavam activamente o desporto nacional de fuga aos impostos, com a maior das naturalidades.

Ainda segundo o Diário Económico:

Contactados pelo Diário Económico, Pina Moura (antigo ministro das Finanças e actual presidente da Média Capital e da Iberdrola) e Manuela Ferreira Leite (administradora do Santander e também ex-ministra das Finanças) recusam-se a falar sobre o tema.

Vejamos o caso singular da... Cimpor, segundo aquele jornal:

A Cimpor é um caso paradigmático. A maioria do conselho de administração da Cimpor passou pelo Governo, mas não me recordo de todos, conta fonte oficial da empresa, que sublinha o facto de esta ter pertencido ao Estado: Os membros eram todos nomeados. No fundo, é tudo uma questão de elasticidade, segundo um destacado empresário que ocupou cargos políticos.

E outro ainda: Luís Filipe Pereira, o ex-governante de Cavaco Silva ( não temos salvação alguma):
Quando criei os hospitais SA, tive uma preocupação com a gestão dos recursos, diz Luís Filipe Pereira, que garante ter sido melhor ministro da Saúde (nos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes) precisamente pelos vários anos de experiência que tinha como gestor. Tive muitas propostas quando sai do ministério, diz.

Os adubos da Quimigal e os choques eléctricos da EDP, deram-lhe o arcaboiço intelectualmente necessário para governar e agora para administrar a Efacec, depois de ter passado pela CUF e de ter administrado coisa na Saúde pública. Com muitos milhões de permeio, enterrados no sistema.

Dir-se-á: são os melhores!

A nossa elite.

A vida das empresas e dos negócios é assim mesmo.

É mesmo assim?!

Então fiquemos por este pequeno apontamento do próprio Mira Amaral, sobre alguns destes génios das lâmpadas da fortuna:

Falou Mira Amaral: O Paulo Teixeira Pinto quando chegou ao Governo nem sabia o que era um banco e o Pina Moura o que era energia, lembra o ex-ministro do Trabalho, que quando foi convidado por Cavaco Silva para ganhar 600 contos no Governo, em 1985, recusou o dobro que uma empresa privada lhe oferecia.

Numa entrevista de época, Mira Amaral, perguntado que carro gostaria de ter um dia, respondeu candidamente: Um Mercedes 200 kompressor. Era então governante. Hoje, deve ter ultrapassado o seu então proclamado standard do luxo automobilístico, com toda a certeza.

As minhas perguntas continuam a ser as mesmas, tendo em conta que este panorama é o retrato mais perfeito que podemos ter de quem nos governa e das elites que os escolhem, nos últimos trinta anos:

Antes do 25 de Abril de 1974 era pior do que isto?

Não?

Então para que serviu a Revolução?

Para fazermos um país de bananas?

Ou de laranjas, no caso, com algumas rosas de permeio?

Porca miseria.

José

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domingo, 2 de março de 2008

OS PERIGOS DO CALCULISMO NO PSD

O que eu digo sobre a liderança actual do PSD não é surpresa para ninguém e, como não sou candidato a nenhum lugar, não tenho a tentação de medir as minhas palavras nem ao metro, quanto mais ao milímetro. É verdade que, mesmo que o fosse, hoje faria o mesmo, falaria na mesma, porque penso que não vale a pena as pessoas enfeitarem-se com silêncios e pudores e prudências e tácticas, quando o problema de fundo é suficientemente grave para exigir outra atitude. O facto de o PSD caminhar para as eleições de 2009 sem sequer a remota esperança de ser uma alternativa, é um problema nacional. A falta de tónus crítico e a desesperança na sociedade portuguesa reflectem o facto de esta não se reconhecer no sistema partidário como instrumento de mudança e acabar por protestar usando veículos como os sindicatos da CGTP. Historicamente foi o PSD que forneceu esse contraponto, hoje não é. A visita de Menezes à Fenprof, em si, não teria nada de mal, porque os sindicatos não são pestíferos, porém no momento actual ela significa o encontro de um fraco diante de um forte, o encontro de uma oposição ineficaz com uma oposição eficaz, uma admissão de impotência deixando atrás de si um ónus grave para qualquer governo do PSD que queira fazer reformas.

Há quem diga, num resto da cultura antiga de partido-camisola, que falar como eu falo é que impede o caminho glorioso do PSD para o poder. Acho isto uma treta, se me permitem usar um plebeísmo. Uma liderança que se afirmasse junto do país, e isso é que conta, nunca seria sequer beliscada pelo comentário político, que aliás já tem a maturidade e independência suficiente para reconhecer, caso existisse, o mérito de uma solução mesmo contra as opções pessoais. O problema do PSD não sou eu, nem Marcelo, nem nenhuma das vozes críticas, é Menezes, a sua direcção e entourage, uma parte da qual permanece discreta fora dos lugares, e é um partido cujo rank and file não quer de todo admitir que as suas escolhas messiânicas, desde o menino guerreiro ao actual líder, não querem defrontar os verdadeiros problemas do partido e da sua relação com o país, a crise enorme de credibilidade a nível nacional, a falta de esclarecimento e responsabilidade em casos como o do casino, ou todos os que, sendo assacados ao PP, ocorreram em governos com primeiros-ministros PSD que são obrigados a explicar o seu papel. Ora o PSD prepara-se para chegar a 2009 com face da derrota de 2005 e, por muito que isso possa agradar a Santana Lopes, para pela enésima vez se medir com o seu próprio espelho, é péssimo para o PSD e o país.

Mas há outras responsabilidades. Há no PSD quem seja candidato à liderança, ou pense que o possa ser, que tem a pior das ideias sobre a situação do partido e a sua liderança, e que mesmo assim ande enredado em palavras mansas e institucionais e prudentes e... hipócritas. Quando ouço dizer que Menezes deve cumprir o seu mandato, ou que é preciso dar tempo a esta liderança para mostrar o que vale, por parte de pessoas que não têm nenhuma dúvida sobre o que ele vale, e que no fundo só estão à espera que ele perca as eleições, assunto sobre o qual não têm também a mais pequena dúvida, eu tendo a pensar que elas são parte do problema e não da solução. Menezes é também filho desses cálculos.

Já o argumento de Marcelo, que lhe marcou o prazo de validade para o Verão, de que os militantes mais activos do PSD, os da camisola, ainda não estão convencidos de que Menezes não chega lá, porque ele anda a dizer nos almoços e jantares de fim-de-semana que subiu nas sondagens, deve ser tomado mais em consideração. Penso, aliás, que é verdade, que ainda não se esgotou a esperança do milagre do , que foi um elemento fundamental da sua vitória sobre Marques Mendes, e que, como Menezes faz o grosso da sua actividade para dentro do partido numa nunca acabada campanha eleitoral junto das bases, isto cria um ecossistema blindado ao que pensa o país. Mesmo assim, a esperança já mirrou muito, mesmo entre muitos dos votantes de Menezes. Porém, a quatro meses e meio depois, um tempo que tem que ser medido psicologicamente em função das expectativas geradas, Menezes já não pode contar com os silêncios de complacência iniciais. Basta ler os jornais e ver os noticiários da rádio e da televisão para se perceber que as línguas já se soltaram, porque até agora só eu e Paula Teixeira da Cruz não fizemos este lip service ao silêncio de circunstância, que é uma atitude que me parece muito falsa, porque leva as pessoas a estarem a dizer coisas em que não acreditam para não agitarem as águas, a não ser quando for o tempo. O problema é que já de há muito que é o tempo, para falar com franqueza, em bom rigor desde a coligação PSD/PP que já era tempo. Mas, mais vale tarde do que nunca.

Os exemplos são diários. Nuno Morais Sarmento desmantelou a superficialidade da proposta de Menezes sobre a televisão (aliás, tão ad hoc como as outras que apresentou na entrevista) e Aguiar Branco fez o mesmo no dia seguinte. Não concordo com nada do que disse Morais Sarmento sobre a televisão pública, mas ele tem, como Aguiar Branco, razão num aspecto crucial: as propostas de Menezes são tão pontuais, casuísticas, desirmanadas e disparatadas que nem sequer podem ser tomadas a sério. Elas não representam qualquer reflexão de conjunto que justifique sequer discuti-las e são apenas afirmações tácticas para marcar uns pontinhos no sítio e com o público pretendido. Na SIC eram para Balsemão ouvir, na Fenprof para os professores, e noutros sítios para os autarcas, ou para as bases, nunca para a governação.

António Capucho foi ainda mais longe numa entrevista ao Diário Económico e disse que Menezes é desastroso e que afasta as figuras (...) mais importantes no partido em termos de credibilidade [que] estão a ser alvo de gestos de desconsideração gratuita, e mesmo Ângelo Correia só à terceira insistência de Mário Crespo na SICN é que respondeu que sim, que se reconhecia na liderança de Menezes. Depois sugeriu, de forma elíptica, que a principal razão porque o fazia era porque ele rompia com vinte anos de partido, ou seja, com Barroso e Cavaco, com quem tem contas a ajustar. Com tanto entusiasmo, talvez seja por isso que Ângelo Correia está prudentemente a procurar-lhe um sucessor.

As línguas soltaram-se, mas os cálculos não. Quais são os cálculos? Um, e fundamental, é a falta de confiança na possibilidade de o PSD ganhar as eleições em 2009, não com Menezes, que isso estão todos tão certos como dois e dois serem quatro, mas com eles. Sabem que Menezes não ganha, mas também pensam que não são capazes de ganhar e esperam por melhores tempos, que o ciclo político mude e seja tiro e queda, partido hoje, governo amanhã. Esta indiferença face ao facto de o PS poder ir governar mais quatro anos, isso sim, me parece ser de mau PSD.

Associado à ideia de que não é preciso nenhuma urgência para mudar a situação está o cálculo de pensar-se que, como Menezes espera sentado que Sócrates caia, outros esperam sentados que Menezes caia. Esperar sentado é pelos vistos um hábito nacional, mas, se num ou noutro caso resulta, como com Barroso face a Guterres, não me parece que esta geração Menezes-Sócrates, que são políticos profissionais desde pequeninos, se deixe tirar a não ser à bomba, como diz Menezes.

Dito isto tudo, a situação está tão feia que só há uma pequena oportunidade que pode dar grandes resultados: apareça, o mais cedo possível, um candidato credível, que os há vários, credível acima de tudo junto da sociedade, honesto, lúcido, incomodado com o estado do país, dedicado à causa pública, com um programa alternativo ao do PS, que também não é difícil de fazer, que fale língua da gente e não politiquês, que se deixe de calculismos e arrisque tudo, e vamos ver se então muita coisa não muda mesmo. Mas para isso não é preciso que Menezes queira ou não, é preciso que o PSD o queira e esta é que é a questão mais complicada, porque o país só acredita numa mudança quando ela for a doer, começando por defrontar os erros do PSD e corrigindo-os.

Veremos. Talvez uns acreditem numa forma de milagre, eu noutro. No fundo, somos todos irremediavelmente crentes. Pelo menos nalgumas ocasiões o Senhor podia ajudar o PSD, que bem precisa. Ámen.


José Pacheco Pereira

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

AS VERDADES DO GENERAL

O general Garcia Leandro fez-se porta-voz da indignação na sociedade portuguesa, e não só escreveu, no Expresso, um artigo sobre esse sobressalto social, como repetiu o conteúdo na SIC-Notícias, adicionando o pressuposto de que bastariam dois anos de mão militar para se restabelecer a moral pátria.
Após esse período de tempo, então, a tropa restituiria aos civis o comando da nau. Dias mais tarde, em entrevista ao Correio da Manhã, o preocupado combatente foi mais longe e discreteou sobre a natureza do regime e as ambiguidades dos partidos da alternância.

Independentemente de se considerar inapropriada a afirmação acerca da intervenção militar, ela não deixa de constituir uma grave advertência. E faz-se eco do cansaço de parte substancial da população, desmoralizada com a corrupção a todos os níveis, os altíssimos vencimentos de gestores, as reformas sumptuosas de meia dúzia de privilegiados, as deficiências da Justiça, o descalabro na Educação, o desemprego galopante, a mentira com carta de alforria.

O general Leandro vai apaziguando os ânimos.
Apesar de ser frequentemente incitado a encabeçar um movimento de indignação (eufemismo de golpe de Estado armado), acrescenta que já não é tempo de revoltas de generais e de cardeais.
A frase é curiosamente instrutiva, a merecer uma daquelas análises históricas do excelso Rui Ramos, tão propenso às estratégias de apreciação quanto aos sainetes de estilo.
Quem são essas figuras da elite portuguesa aprovadoras do putschismo?
Na entrevista ao Correio da Manhã o general nada diz, porque também se lhe não pergunta.
Ninguém, aliás, no poder, na hierarquia, nos partidos o interrogou sobre.

Acredita, piamente, ser uma questão de tempo para acontecer uma implosão partidária. E afiança: Enquanto nós temos, de modo bem definido e delimitado, as áreas do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, julgo que o PS é muito grande, e que dentro dele há mais do que um partido. Há um partido claramente socialista e republicano, em que estão os doutores Manuel Alegre e João Soares. Depois, há uma área maior, que é o partido social-democrata.
Infere-se, desta reflexão, que os sociais-democratas do PS não são republicanos, e que os republicanos, no PS, constituem minoria.
Quanto ao PSD, sua estrutura ideológica e prática política, o general é omisso.

Há, na amena bondade deste homem, que muitos consideram ingénuo, algumas confusões de índole ideológica, como aquela que o impele a qualificar António José Seguro como detentor de grande sentido de Estado, pormenor inobservável à vista desarmada.
Seguro é um produto típico dessas estranhas agremiações designadas por jotas, de onde têm saído numerosos carreiristas da ociosidade.
Aprendeu a astúcia de se comprometer muito pouco com pouquíssimas coisas.
Há anos, declarou, bocejante, ao Expresso, estar cansado da política – mas totalmente disponível para ser deputado no Parlamento Europeu.
Para onde, aliás, foi, com os vencimentos, as mordomias e as prerrogativas correspondentes.
Como a quase totalidade dos socialistas do PS, estaria muito melhor no PSD.
Aliás, penso que ambos os partidos se deveriam unir, tantas são as semelhanças nos interesses, tantos são os laços ideológicos e tão iguais as apetências de poder.

As avaliações do general, por vastas, teriam de conter algumas evidências, por poucas.
Assim, quando fala nas iniquidades gritantes na sociedade portuguesa, e aponta quase todas aquelas que nos ferem, repete as críticas gerais e as cada vez mais acentuadas desconfianças dos cidadãos para com os políticos.
O País está numa espécie de transe, que conduzirá, inevitavelmente, para grandes convulsões sociais, de resultados imprevisíveis.
Na terça-feira última, em entrevista a Ana Lourenço, SIC-Notícias, Manuel Carvalho da Silva foi muito claro, ao não relativizar a vulnerabilidade dos contextos políticos nacionais.
Não há perigo de implosão dos partidos, como prevê o general Garcia Leandro; mas sim a pulverização do projecto de Estado Social, com consequências nefastas para a colectividade.

A ascensão neoliberal, com o seu avatar pós-moderno da década de 80, procurou referir novos conceitos e novas categorias paradigmáticos.
O breviário possuía o odor a mofo das águas-furtadas. E o resultado está à vista: as desigualdades atingem níveis insuportáveis, as tensões internacionais entram no território do paroxismo, os valores são tidos como arcaicos e as armadilhas têm capturado os próprios armadilhadores.
A crise geral do capitalismo reflecte a crise geral da Esquerda. E a questão já não é, somente, política, mas, sobretudo ideológica.

APOSTILA 1 – Corre, na Internet, uma informação sobre os vencimentos, as mordomias, as pensões de reforma dos administradores do Banco de Portugal.
O regabofe parece estar instalado, sem remissão e com agravo.
O bloco central de interesses funciona com a regra e com a personalização, deixando-nos presos e reduzidos ao maquinal papel de assistentes perplexos. Evidentemente, estas deformidades no tecido moral e social português põem em causa os fundamentos da democracia, resumida, cada vez mais, a uma única dimensão.


B.B.

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domingo, 20 de janeiro de 2008

É O QUE TEMOS

Quando gostam de se insinuar como políticos de uma profunda reflexão e de ideias para além da espuma dos dias, os políticos de agora dizem que a sua fonte de inspiração é Churchill.
A sugestão implícita é a de que são políticos de causas, batendo-se por ideais contra a ditadura mediática e sempre apressada da luta política dos tempos de hoje.

A sugestão é, obviamente, ridícula e deve ser desprezada como tal.
Nenhum político de hoje tem a estatura de um Churchill, e por várias e irremediáveis razões. Primeiro, porque não nascem ricos nem aristocráticos, não se podendo permitir o luxo de olhar para a carreira política com o tom diletante com que o fazia Churchill: quando precisou de ganhar dinheiro a sério para manter o elevadíssimo nível de vida que não queria largar, Churchill ganhou-o como escritor, como colunista de jornais ou como jornalista e repórter de guerra e não sentado no Governo ou nos Comuns.
Segundo, porque o grande luxo de não precisar da política para ser conhecido ou para ganhar dinheiro dava a Churchill a faculdade de poder fazer política por duas únicas razões: por gozo ou por sentido de dever patriótico.
Terceiro, porque, tendo-lhe sempre sido indiferente a imagem que transmitia, permitia-se fazer e dizer qualquer coisa que lhe apetecesse, onde e quando lhe apetecia.

Conta-se que, largos anos depois do final da guerra, o marechal Montgomery,o herói do deserto e vencedor de El Alamein, contava a Churchill qual era o segredo da sua longevidade e boa forma física: Nunca fumei, fiz sempre exercício físico e durmo bem todas as noites.

Ao que Churchill, mais velho que o marechal, respondeu: Pois eu cá, o meu segredo é que sempre fumei, nunca fiz exercício físico e só durmo bem à tarde.
A sua actividade noctívaga era célebre.
Durante o blitz de Londres, era frequente vê-lo a seguir as operações anti-aéreas, noite fora, no centro de comando, e, quer em guerra, quer em paz, mantinha sempre um staff de três secretárias, que rodavam por turnos, de modo a cobrir as 24 horas do dia e a estarem sempre disponíveis para quando lhe desse a espertina.
A secretária que fazia o turno da manhã começava o despacho sentada ao lado da banheira onde o poderoso Winston Churchill se banhava nu durante horas, ao mesmo tempo que tomava um pequeno-almoço de ovos estrelados, bacon e costeletas de carneiro, acendia o primeiro charuto do dia e ditava ordens, discursos ou artigos para os jornais.
Está bom de ver que um homem com tais hábitos jamais faria carreira política nos tempos de hoje.

Mas, ao contrário do que apressadamente se supõe, Churchill esteve longe de ter uma carreira política de triunfo em triunfo.
Nos seus longos anos no poder, na oposição ou à margem da política, o que lhe sucedeu foram sobretudo derrotas.
Como primeiro lord do Almirantado, no começo da I Guerra Mundial, teve de se demitir, assumindo a responsabilidade política por erros de estratégia militar da Marinha de Guerra. Muitos outros erros cometeu como supremo responsável pela estratégia militar durante a II Guerra Mundial, e alguns deles com elevadíssimos custos humanos.
Entre guerras, encaixou uma série de desaires eleitorais e passou vinte anos a pregar sozinho no deserto contra o Tratado de Versalhes e a avisar que a Alemanha hitleriana se estava a rearmar. Mesmo reconhecido unanimemente como o principal responsável pela vitória dos Aliados, foi despedido sumariamente pelos ingleses na primeira eleição pós-guerra, dando razão a uma sentença célebre: A ingratidão para com os grandes homens é o sinal das grandes nações.
Em Ialta, ao lado de Roosevelt (a quem os historiadores depois desculparam, dizendo que estava muito doente), ele deixou-se literalmente enganar por Estaline, só tarde de mais acabando a vociferar contra a Cortina de Ferro.
E quando a Índia se batia por uma independência que a Inglaterra já não conseguia mais evitar, ele profetizou que, sem a Índia, a Inglaterra desapareceria do mapa e sozinho levantou-se nos Comuns para protestar contra a visita negocial de Gandhi, a quem chamava esse faquir seminu.

O que sobretudo interessa reter da biografia de Churchill é o retrato de um homem de uma imensa coragem física e moral, de uma personalidade à prova de quaisquer comentários ou julgamentos alheios e de um absoluto sentido de dever e de amor à Inglaterra - ou melhor, à ideia do Império Britânico, pelo qual combateu, como soldado, na Flandres, na África do Sul, na Índia, no Afeganistão e no Sudão.
De todas as célebres histórias acerca do seu famigerado sentido de humor, a que acho que melhor retrata a sua filosofia de corredor de fundo é talvez a última em data. Já muito velho, mas ainda deputado nos Comuns, sentado no seu obscuro lugar de backbencher e aparentemente adormecido durante um debate, Churchill ouviu uma conversa sobre si de dois jovens deputados sentados próximo: O velho está mesmo xexé.
Rodando sobre o cotovelo em que se apoiava, parecendo dormir, o velho Winston encarou-os e disse: E surdo!

Devo confessar que estas reflexões sobre o leão me ocorreram olhando para a ainda incipiente carreira de Luís Filipe Menezes à frente do PSD.
Como é que um bom autarca e um homem que parecia ter chegado à maturidade política - ou, pelo menos, ao lugar para que se vinha preparando há tempo suficiente - se transforma no espaço de dois meses num catavento político, que não conhece bússola, nem pontos cardeais, nem direcções do vento?
Parece-me óbvio: afinal, não estava preparado.
Ou cobiçou o lugar sem saber muito bem porquê ou para quê.
Acabado de eleger pelos militantes do PSD, ei-lo que se foi entregar nas mãos de um spin doctor
Escolheram Menezes, saiu-lhes Cunha Vaz: foi uma má maneira de começar as coisas. Convencido que a política moderna é apenas a imagem mais as frases certeiras no momento certo, Luís Filipe Menezes transformou-se numa marioneta triste, sem tom nem som, uma espécie de caricatura de si próprio.
Começou por seguir a moda das gravatas de cor lisas e de discursar com uma mão estendida, segurando o polegar e o indicador - deve ser o Cunha Vaz que acha que impressiona na televisão.
Depois, sem assento no Parlamento, inventou uma fórmula assaz patética de fingir que está presente nos debates principais, convocando a imprensa para discursar a seguir sobre as intervenções do primeiro-ministro, sozinho e sem contraditório.
Enfim, mal preparado, sem ideias sobre os assuntos que interessam nem tempo para as ter, reduziu toda a postura de líder da oposição a uma regra simples: o que Sócrates fizer, ele é contra; e, se fizer o que ele quer, é porque se rendeu às ideias de Menezes.
Com excepção das extraordinárias propostas que fez para dividir com o PS as grandes obras públicas, a banca e os comentadores televisivos, Menezes oscila conforme acha que sopra o vento, se necessário desdizendo hoje o que dissera ontem.
Se no passado, tal como Sócrates, defendia a Ota, acabou a reclamar vitória em Alcochete; se Sócrates desistiu de convocar o referendo ao Tratado de Lisboa (que Menezes tanto queria evitar) foi o primeiro-ministro que se rendeu às ideias do PSD e por não as ter próprias; se o Governo emenda a mão no dia seguinte e desiste de pagar os aumentos das pensões em duodécimos, tal como reclamado pela oposição, tal representa simultaneamente uma grande vitória do PSD e um sinal de desnorte do Governo.
Se Sócrates se gaba de ter posto o défice público abaixo dos 3%, Menezes chama o infausto dr. Bagão Félix para explicar ao estupefacto país que foi ele próprio e no Governo Santana Lopes quem conseguiu transformar a água em vinho e outros milagres que tais.
E a quem, lá dentro do partido, lhe pergunta para onde vai com tantos ziguezagues, ele responde que são uns cobardes e que, se quiserem, já está pronto para eleições: não contra Sócrates, mas contra os inimigos internos.
Pobres políticos de agora!
Que raio de profissão!


Miguel Sousa Tavares

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