ONDE ISTO ...?
Só não é indecoroso, porque pungente.
O Governo desmorona-se e Pedro
Passos Coelho vai às televisões e diz que não abandona o País.
Aconselhou os jovens, ainda não há muito tempo, que o melhor que eles
tinham a fazer seria emigrar.
Agora, "daqui não saio, daqui ninguém me
tira."
Não tenho como classificar este insólito.
Mas é ele, e mais
ninguém, o caso e a causa desta baderna.
Portas lá foi embora, depois de
humilhado pela centésima vez.
Passos não lhe ligava nenhuma, e tomava
unilateralmente decisões, quando elas deviam ser bipartidas e
negociadas.
É o que consta; o que não quer dizer que seja verdade.
Verdade é o facto de Passos não estar preparado, cultural, política e intelectualmente, para dirigir o País.
Não possui estofo de
estadista nem condição de dirigente.
Apercebeu-se das limitações que o
enredavam e respaldou-se nos conhecimentos de Vítor Gaspar, que lhe
disseram ser o Grande Manitu da "nova" economia.
Parece que este último é
muito conhecido e respeitado "lá fora"; aqui, foi o que se viu.
Falhou
na estratégia, no projecto, e nunca conseguiu acertar nos prognósticos e
nas "projecções" apresentados aos portugueses.
Passos, perplexo, não
demonstrou o mínimo sinal de apreensão, dizendo sempre, como num
estribilho, "estamos no rumo certo."
O dr. Cavaco aquiescia e apoiava,
com uma inconstância que raia a cegueira ou a insanidade.
Os protestos, orgânicos e inorgânicos, multiplicam-se.
Um povo
nas ruas a gritar que está farto desta política de iniquidades e de
sofrimento.
Portas demite-se, num acto sem precedentes, que põe em causa
a própria natureza do regime.
Quando Gaspar diz adeus, Passos designa
Maria Luís Albuquerque substituta do ministro.
Nada teria dito a Portas,
cuja opinião era contrária.
Ora bem: quando Passos vai a Belém, para a posse da nova ministra, a farsa atinge registos inauditos.
O primeiro-ministro já
tinha conhecimento da decisão de Portas, e o Governo, portanto, estava
ferido de morte.
Porém, não avisara o dr. Cavaco, como se tudo corresse
no melhor dos mundos.
Consta que o dr. Cavaco estranhou a ausência, na
solenidade, dos ministros do CDS.
Calou-se.
A pouca vergonha e a demência moral atingiram níveis
insuspeitados.
Quem nos acode?
Estamos metidos com gente de escasso carácter e de grandeza
amolgada.
Dizem as notícias que o Presidente vai reunir-se com os
parceiros sociais e outros.
Não se sabe muito bem para quê.
A não ser
que queira, a todo o custo, manter e sustentar Passos Coelho.
A
imprensa, em todo o mundo, desatou à gargalhada e tem ridicularizado a
situação portuguesa pelo absurdo que tudo isto abrange.
A pouca vergonha
e a demência moral atingiram níveis insuspeitados.
Quem nos acode?
B.B.
Etiquetas: Cavaco Silva, CDS/PP, Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, Portugal Julho de 2013, PPD/PSD





