sexta-feira, 5 de julho de 2013

ONDE ISTO ...?



Só não é indecoroso, porque pungente. 
O Governo desmorona-se e Pedro Passos Coelho vai às televisões e diz que não abandona o País. 
Aconselhou os jovens, ainda não há muito tempo, que o melhor que eles tinham a fazer seria emigrar. 
Agora, "daqui não saio, daqui ninguém me tira." 
Não tenho como classificar este insólito. 
Mas é ele, e mais ninguém, o caso e a causa desta baderna. 
Portas lá foi embora, depois de humilhado pela centésima vez. 
Passos não lhe ligava nenhuma, e tomava unilateralmente decisões, quando elas deviam ser bipartidas e negociadas. 
É o que consta; o que não quer dizer que seja verdade.

Verdade é o facto de Passos não estar preparado, cultural, política e intelectualmente, para dirigir o País. 
Não possui estofo de estadista nem condição de dirigente. 
Apercebeu-se das limitações que o enredavam e respaldou-se nos conhecimentos de Vítor Gaspar, que lhe disseram ser o Grande Manitu da "nova" economia. 
Parece que este último é muito conhecido e respeitado "lá fora"; aqui, foi o que se viu.
Falhou na estratégia, no projecto, e nunca conseguiu acertar nos prognósticos e nas "projecções" apresentados aos portugueses. 
Passos, perplexo, não demonstrou o mínimo sinal de apreensão, dizendo sempre, como num estribilho, "estamos no rumo certo." 
O dr. Cavaco aquiescia e apoiava, com uma inconstância que raia a cegueira ou a insanidade.

Os protestos, orgânicos e inorgânicos, multiplicam-se. 
Um povo nas ruas a gritar que está farto desta política de iniquidades e de sofrimento. 
Portas demite-se, num acto sem precedentes, que põe em causa a própria natureza do regime. 
Quando Gaspar diz adeus, Passos designa Maria Luís Albuquerque substituta do ministro. 
Nada teria dito a Portas, cuja opinião era contrária.

Ora bem: quando Passos vai a Belém, para a posse da nova ministra, a farsa atinge registos inauditos. 
O primeiro-ministro já tinha conhecimento da decisão de Portas, e o Governo, portanto, estava ferido de morte. 
Porém, não avisara o dr. Cavaco, como se tudo corresse no melhor dos mundos. 
Consta que o dr. Cavaco estranhou a ausência, na solenidade, dos ministros do CDS. 
Calou-se.

A pouca vergonha e a demência moral atingiram níveis insuspeitados. 
Quem nos acode?

Estamos metidos com gente de escasso carácter e de grandeza amolgada. 
Dizem as notícias que o Presidente vai reunir-se com os parceiros sociais e outros. 
Não se sabe muito bem para quê. 
A não ser que queira, a todo o custo, manter e sustentar Passos Coelho. 
A imprensa, em todo o mundo, desatou à gargalhada e tem ridicularizado a situação portuguesa pelo absurdo que tudo isto abrange. 
A pouca vergonha e a demência moral atingiram níveis insuspeitados. 
Quem nos acode?

B.B.

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