sábado, 8 de dezembro de 2007

ONDE JÁ VIMOS IGUAL?

«Câmara de Felgueiras financiava jornal local

"Toda a gente sabia que O Sovela era o órgão oficial da câmara", sustentou o ex-assessor Vítor de Sousa

"Fátima Felgueiras tem inscrito no ADN acompanhar tudo com controlo curto", garantiu o ex-assessor de imprensa da autarca, na sessão de ontem do julgamento do caso "saco azul". O código genético da arguida surgiu na inquirição sobre o envolvimento do gabinete de imprensa na elaboração e financiamento do jornal local O Sovela. O Ministério Público tentou esclarecer se houve lugar a benefícios ao jornal por parte da presidente e do ex-vereador António Pereira.
"Toda a gente sabia que O Sovela era o órgão oficial da câmara", sustentou o ex-assessor Vítor de Sousa. Com uma vida ligeiramente atribulada, o título foi revitalizado pelos autarcas e assessores da presidente, de tal forma que Fátima Felgueiras instou o seu chefe do gabinete de imprensa a assumir a direcção do jornal, enquanto o assessor ficava a chefiar a redacção.
A partir desse momento o jornal passou a ser produzido, na sua quase totalidade, na câmara. Questionado sobre o conhecimento de Fátima Felgueiras sobre a utilização dos meios da câmara na execução do jornal, o assessor não se conteve: "Claro que sabia ou vamos ser ingénuos, bolas."
O ex-assessor da autarca garantiu que ficou traumatizado com a passagem por Felgueiras. Vítor de Sousa foi despedido na sequência do regresso de Fátima do Brasil. "Nem posso ver esta terra na televisão. Nunca mais cá vim e não imaginam o que me custou entrar neste tribunal e ser cumprimentado por quem fui", afirmou, referindo-se a Fátima Felgueiras.
No final do depoimento, o arguido Horácio Costa pediu para voltar a depor, para explicar a utilização do "saco azul" no pagamento das dívidas do jornal. O ex-vereador e arguido no processo garantiu que as dívidas antigas do jornal O Sovela lhe foram entregues para saldar através do "saco azul".

Tito Couto
Público»

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