AINDA HOJE OS LOBOS UIVAM
Depois da Assembleia da República ter aprovado, por unanimidade, uma resolução que determina a transladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional, eis que 500 cidadãos – ou deverei chamar-lhes súbditos? – vêm subscrever uma petição insurgindo-se contra que se proponha como modelo de herói nacional um homem com o perfil de terrorista e bombista.

Segundo os signatários da petição, Aquilino Ribeiro teria, entre outras malfeitorias, participado na conspiração que levou ao Regicídio, em 1908.
Aquilino Ribeiro viu-se a contas em três regimes – o Monárquico, o Republicano e o Fascismo – com toda a espécie de acusações e sentenças tendo, por duas vezes, fugido a uma justiça tendenciosa, manipulada e preconcebida, como também, por muitas outras, tendo-a enfrentado com grande coragem e dignidade. Concretamente sobre o período do Regicídio, sabe-se que tinha relações com maçons e carbonários, mas nenhuma modalidade de justiça provou alguma vez que Aquilino tenha estado no local a 1 de Fevereiro de 1908. Não esteve. E que estivesse? A história é a história e quem é quem para fazer o julgamento? E, já agora, quem se apresenta para julgar Aquilino pelo envolvimento na revolta militar de 1927?
Aquilino Ribeiro enfrentou toda a vida o rancor de alguns protagonistas da mesquinhez e da mediocridade nacionais.
Censuram-lhe os livros, perseguiram-no na vida profissional e pessoal, atiram-no aos juízes. Chegaram a julgá-lo sob a acusação de desacreditar as instituições vigentes a coberto da ficção literária.
O que nunca lhe perdoaram foi que ele tomasse partido nos episódios das novas Patuleias. E contra a figura de Mestre Aquilino, ainda hoje os lobos uivam.
J. P. G.
Aquilino Ribeiro viu-se a contas em três regimes – o Monárquico, o Republicano e o Fascismo – com toda a espécie de acusações e sentenças tendo, por duas vezes, fugido a uma justiça tendenciosa, manipulada e preconcebida, como também, por muitas outras, tendo-a enfrentado com grande coragem e dignidade. Concretamente sobre o período do Regicídio, sabe-se que tinha relações com maçons e carbonários, mas nenhuma modalidade de justiça provou alguma vez que Aquilino tenha estado no local a 1 de Fevereiro de 1908. Não esteve. E que estivesse? A história é a história e quem é quem para fazer o julgamento? E, já agora, quem se apresenta para julgar Aquilino pelo envolvimento na revolta militar de 1927?
Aquilino Ribeiro enfrentou toda a vida o rancor de alguns protagonistas da mesquinhez e da mediocridade nacionais.
Censuram-lhe os livros, perseguiram-no na vida profissional e pessoal, atiram-no aos juízes. Chegaram a julgá-lo sob a acusação de desacreditar as instituições vigentes a coberto da ficção literária.
O que nunca lhe perdoaram foi que ele tomasse partido nos episódios das novas Patuleias. E contra a figura de Mestre Aquilino, ainda hoje os lobos uivam.J. P. G.
Etiquetas: Aquilino Ribeiro, Literatura







