terça-feira, 20 de novembro de 2007

A MEDIDA DE TODAS AS COISAS

Foi preciso chegar ao fim de uma entrevista congratulatória (ontem, ao DN e à TSF) para que Durão Barroso fosse questionado sobre a Guerra do Iraque e confessasse: Houve informações que me foram dadas, a mim e a outros, que não corresponderam à verdade.

Ouvir estas as declarações, bem como as dos restantes protagonistas da Cimeira dos Açores, é como ouvir as contraditórias desculpas de um grupo de rapazolas sobre uma noitada que correu mal. Cada um se justifica com os outros. Durão diz agora que só organizou o encontro porque os espanhóis lho pediram. É curioso: na altura toda a gente viu as piruetas que deu para poder aparecer na fotografia.



É embaraçoso para Durão, e mesmo escusado. Nós sabemos hoje muito mais do que as suas justificações insinuam. O memorando de Downing Street, publicado pelo Times em 2005, demonstra que quase um ano antes da guerra George W. Bush já tinha decidido invadir o Iraque. As informações e os factos iriam ser amanhados (fixed around no original) para justificar a decisão. Os seus aliados britânicos sabiam. As actas da reunião de Crawford entre Bush e Aznar, que o El País publicou recentemente, demonstram que um mês antes da guerra Bush recusara a ideia de Saddam abdicar e exilar-se no Egipto. Aznar sabia.



Sabemos hoje que Saddam poderia ter sido contido de muitas formas, já desde os anos 80, e que esta guerra deveria ter sido evitada. Perante isto, Durão diz que agora é fácil. Pelo contrário, Sr. Durão: não foi fácil então ser contra a guerra e não é fácil ainda hoje - desde fascistas a apoiantes de Saddam e a pró-terroristas já fomos chamados de tudo -, mas foi demasiado fácil, isso sim, ir na onda e cuidar da carreira.

Se falo em carreira é porque Durão diz na mesma entrevista que não gosta da expressão carreira política. Declarações portentosas vindas de quem, sobre a Guerra do Iraque, diz ainda o seguinte:

Não temos que estar de forma nenhuma arrependidos da posição que tomámos. Portugal não perdeu nada, também na Europa, com isso. Repare, depois das decisões que tomei, fui convidado a ser presidente da Comissão Europeia e tive o consenso de todos os países europeus. O que demonstra que o facto de Portugal ter tomado naquela altura aquela posição não prejudicou em nada, em nada, a imagem de Portugal junto dos seus parceiros europeus.

Durão Barroso pode não gostar da expressão, mas faz da sua carreira política a medida de todas as coisas. Aquelas frases sugerem bem como funciona a sua cabeça e a de tantos políticos como ele. Portugal não tem que estar arrependido do apoio à invasão do Iraque. Porquê? Porque não perdeu nada com isso. Não perdeu o quê: honestidade, credibilidade, autoridade moral? Nada de tais coisas; foi a nossa imagem que não sofreu. E como sabemos que a nossa "imagem" não sofreu? Porque a carreira de Durão o demonstra.

Esta é a mais pura inversão moral. A carreira de um indivíduo é a medida da imagem de um país. A imagem de um país é mais importante do que o seu comportamento. E a opinião dos parceiros - em geral mais ricos, poderosos e brancos - é mais importante do que o destino de gente que é menos qualquer dessas três coisas.

Muitos anos, muitos jornais e muitas crónicas depois, pergunto-me se será demasiado ter uma palavra sobre os quinhentos mil mortos e quatro milhões de refugiados desta guerra. Mas afinal, os portugueses não devem preocupar-se com isso, porque Durão Barroso veio depois a ser nomeado para um cargo importante. Mais alguma coisa interessa?


Rui Tavares

Etiquetas: , , , , , ,

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

BANHA DA COBRA

Com os números das estatísticas a mostrarem este país cada vez mais no cú da Europa, o Sr. Silva vai pavonear-se para a Europa do um Durão Barroso, tão sujo de sangue Iraquiano e do cimento e alcatrão da Somague, que todos evitam sequer falar do assunto, o nosso Engenheiro corre as escolinhas deste país, qual caixeiro-viajante, a vender computadores portáteis a preço de saldo.
Que forneça esta alternativa aos nossos jovens estudantes, não me parece mal, mas esta ideia de se andar a mostrar todos os dias a fazer estas vendas, como se nada mais houvesse para fazer, em nada melhora a vida de quem sobrevive neste país.
Pode ser muito bom vendedor da banha da cobra, mas duvido que isso contribua alguma coisa para o nosso futuro.
Não é com propaganda que se cria emprego nem se acaba com a pobreza.


K.

Etiquetas: , ,