Colecção particular abre museu em Elvas O Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), abre hoje as suas portas ao público com o objectivo de alcançar o título de maior e melhor museu da especialidade no nosso país, segundo os seus promotores. "A localização do museu junto à fronteira de Espanha e o facto de ser o único em Portugal com exposição museológica permanente de arte contemporânea, torna este projecto diferente e vanguardista no nosso país", sublinha João Pinharanda, director do MACE.
O novo espaço museológico que vai ser inaugurado por Isabel Pires de Lima, ministra da cultura, está instalado num edifício do século XVIII que serviu de Hospital da Misericórdia de Elvas, pretende também atrair os artistas do país vizinho.
Este projecto concebido pela autarquia local, num investimento de 2,7 milhões de euros, vai contar com o acervo do coleccionador local António Cachola, que possui neste espaço mais de 300 peças, de 40 artistas nacionais, entre os quais Adriana Molder e André Gomes.
António Cachola, de 53 anos de idade, economista no Grupo Delta, cedeu as suas obras por um período de 13 anos. O espólio do coleccionador integra peças de escultura, decoração, fotografias e quadros. "A colecção é exclusivamente nacional, não tem limites disciplinares, temáticos ou estéticos e pretende proporcionar uma visão global das realidades históricas e criticamente produtivas definidas entre trabalhos de artistas revelados ou firmados nos anos 80 do século passado e a actualidade", revela ao DN João Pinharanda. Para o director do MACE a aproximação com o museu de arte contemporânea de Badajoz, que conta com um vasto acervo de vários artistas portugueses é uma mais valia. "Vamos tentar desenvolver vários projectos em parceria com o Ibero-americano de arte contemporânea de Badajoz, bem como intercâmbios de objectos de arte", assegura. "Um dos objectivos do MACE passa também por ministrar cursos de formação cultural e artística, informação e formação em torno de cada uma das iniciativas realizadas, edições de qualidade, visitas guiadas e ateliers de formação para públicos escolares desde o primeiro ciclo ao secundário e actividades do mesmo tipo para públicos pré-especializados ou especializados, são indispensáveis e estão a ser delineados" revela ainda João Pinharanda.
Além dos espaços expositivos, o MACE, que conta com o Banco Espírito Santo como o segundo principal mecenas do museu, vai também abrigar uma loja, salas de trabalho sócio-educativo e para técnicos, áreas destinadas ao armazenamento e tratamento de peças, uma cafetaria, sala polivalente e um auditório.
Segundo o município de Elvas, um dos passos a dar para que o museu alcance o sucesso desejado, passa pela apresentação de uma candidatura ao Instituto Português dos Museus, para que o MACE integre a rede portuguesa de museus. Para garantir o futuro deste museu, a autarquia vai ainda encetar uma política de aquisições, para poder ter, dentro de poucos anos, a sua própria colecção.
Hugo TeixeiraD.N.Etiquetas: Colecção António Cachola, Elvas, MACE