domingo, 15 de maio de 2011

ISTO VAI DE MAL A PIOR...


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terça-feira, 3 de maio de 2011

OBRIGADO A TODOS...

Estamos a poucas horas de saber o quanto vamos ficar mais pobres, com a bênção e ajuda da comunidade internacional.
Mais pobres, no imediato e absolutamente miseráveis num futuro bem próximo.

É um aumento brutal na dívida a juros que um país a crescer 1%, jamais poderá pagar.
Nem sequer os juros, quanto mais o capital.


Se no plano que se espera não estiverem inscritas medidas para relançar a economia e isto passa essencialmente pela produção de bens exportáveis, resta-nos deitar a corda ao pescoço ou, emigrar para bem longe.

Batemos bem no fundo e deveremos ficar eternamente gratos à cambada de inúteis, oportunistas, vigaristas e incompetentes que transformaram este país, eternamente atrasado e rural, num oásis para as construtoras civis, banca, e um punhado de amigos encostados ao regime a quem foram vendidas a preço de saldo empresas estratégicas como a Galp, Edp ou a Portugal Telecom, património rentável, em nome da livre concorrência e do benefício que a privatização traria aos consumidores.
Viu-se.

Gratos igualmente a nós próprios, eleitores imbecis e idiotizados que legitimámos todas as trafulhices, que aceitamos a corrupção, o desleixo, o tráfico de influências sem que nos doa a coluna vertebral ou os tomates, porque não os temos. a nosso lado, nomes como Cavaco, Guterres, Ferro, Soares, Constâncio, Loureiro, Sócrates, e tantos outros, ficarão indubitavelmente guardados na caixa dos figurões que um dia integrarão o anedotário nacional.

Foram décadas de lapidação do património publico e privado. décadas durante as quais, impunemente, qualquer aldrabão roubou o que pôde, sem que nada lhe sucedesse.
Os escândalos fizeram as manchetes que a espuma dos dias rapidamente lavou.
Desde a vigarice do Bcp que emprestou dinheiro aos seus clientes para que estes comprassem acções daquele banco a 5€, valor nominal forjado por trafulhices, e que hoje valem 50 cêntimos, passando por golpes como o Freeport ou o aterro da Beira, às parcerias público privadas, às golpadas dos estádios de futebol, das auto-estradas paralelas, foi um período de oportunidades na nossa história.

As formiguinhas incansáveis das autarquias, dia e noite a cavar o buraco com empreitadas de betão, a desbravar rotundas, pavilhões polidesportivos, piscinas, tudo obras de grande impacto na formação moral e escolar das novas gerações já que as anteriores, estão solidamente embrutecidas e infantilizadas.

Portanto, muito obrigado também aos senhores autarcas que ajudaram à falência, por tão bem terem sabido dar os dinheiros públicos às colectividades locais, pródigas a manterem os mais novos eternamente crianças, pelas inúmeras festas que patrocinaram, pelos passeios e almoços dos idosos ali ao lado, pelos bonés, chapéus de chuva, cachecóis, esferográficas e sacos de plástico que lhes ofereceram em troca do voto, pelos parques de merendas, pela manutenção dos impostos nos mais altos escalões, bem hajam.

Amanhã, os credores apresentam-nos a factura.

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

JUROS E MAIS JUROS...

Nos últimos dois anos os juros aumentaram mais de dez vezes.
Cada vez mais as famílias não conseguem pagar as prestações dos seus empréstimos, que aumentaram 20% a 30%, enquanto os ordenados permaneceram quase congelados ou desapareceram com o desemprego.
São mais de 15 000 as famílias atingidas pelas mais recentes subidas dos juros, drama que, aliás, não parece preocupar minimamente o último relatório do Banco de Portugal (pudera, o dr. Vítor Constâncio e os seus amigos continuam a não ter qualquer dificuldade para fazer face às prestações dos respectivos créditos…).

Por outro lado, agravou-se no segundo trimestre deste ano a tendência de queda na construção.
O sector parece ter caído cerca de 23% - na construção de edifícios mais de 12%, nas restantes obras de engenharia acima dos 40% -, reflectindo com nitidez as dificuldades acrescidas que a subida dos juros provocam nas decisões de compra e de investimento.

Entretanto, o Banco Central Europeu (BCE) ameaça aumentar este mês as taxas de juro!
Mais uma vez!
Para o BCE nada conta, nem que os juros tenham já superado os valores do início do século, que os aumentos provoquem o descalabro de cada vez mais famílias, que a actividade produtiva se confronte com condições de financiamento cada vez mais difíceis ou que os baixos níveis de crescimento económico sejam incapazes de criar emprego - muito em particular em países como o nosso, que está há anos com crescimentos bem abaixo dos ritmos já de si moderados dos seus parceiros europeus.

Mas então não há ninguém que ponha o BCE na ordem, que diga ao sr. Trichet, ao sr. Constâncio e a outros que tais que deveriam dedicar mais atenção à economia real e às pessoas?
Sócrates e o Governo Português, que presidem neste semestre aos destinos da UE, podiam e deviam ter já dito e feito alguma coisa para travar esta espiral (quase) suicida de subida dos juros.
Só que se calam que nem ratos, não querem perturbar a pretensa independência do banco central nem querem admitir que o BCE tem que passar a trabalhar orientações que promovam o crescimento e o emprego em vez de se dedicar apenas aos malabarismos germanófilos para controlar uma inflação que há muito não preocupa.
Na verdade, o que Sócrates não quer é introduzir qualquer debate que o faça desviar do seu objectivo de fazer aprovar um tratado contranatura que (não por acaso) pretende consagrar a tal independência do BCE.
Depois é capaz de nos vir dizer que não tem nada a ver com as subidas de juros nem pode fazer nada para as evitar...


H.N.

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