quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

MONTARGIL - CENTRO DE SAÚDE FECHADO

Médica de baixa

Centro de Saúde de

Montargil encerrado




O tempo passa e parece que os problemas no Centro de Saúde de Montargil acrescem. Depois do problema da falta de médicos, a única profissional de saúde efectiva, que acumula funções de directora clínica, acabou de meter baixa. Neste momento, a unidade encontra-se encerrada.

"A única médica ao serviço permanente acabou por meter baixa médica até ao dia 2 de Março, até lá o Centro de Saúde vai estar sem médico", revela António Teles, da Comissão de Utentes de Montargil.

Lamentando esta situação que deixa bastante consternada a população, António Teles não acredita que a sua resolução esteja para breve. "Certamente que vai ficar por resolver", até porque "havia uma médica que vinha ao Centro de Saúde fazer um dia por semana, mas que tem faltado frequentemente, o que deixa a extensão de Foros de Arrão também sem médico", denunciou.

Note-se que os cerca de quatro mil utentes são, na sua maioria, idosos e com poucos recursos, têm agora que se deslocar a outras unidades de saúde, nomeadamente o Centro de Saúde de Ponte de Sor ou até ao Hospital de Abrantes.

Para além dos muitos quilómetros que têm de fazer, António Teles frisou que os constrangimentos para os utentes não se ficam por aqui. "Muitas vezes as pessoas chegam a Ponte de Sor e têm de pagar a ambulância de ida e regresso, porque na credencial não lhes é colocado um carimbo como sendo uma situação urgente. Isto é um grande transtorno tendo também em conta que se tratam de pessoas que vivem apenas da agricultura e têm reformas na ordem dos 200 euros. Se tiverem de se deslocar a Ponte de Sor duas ou três vezes por mês ficam sem dinheiro e depois não têm recursos para poder comprar, por exemplo, alimentos", revelou.

Sem médico no Centro de Saúde até Março, pelo menos, a Comissão de Utentes ainda não reuniu com a população e ainda não se sabe quais as próximas medidas a tomar. Contudo, António Teles mostra-se convicto de que "tudo o que estava ao nosso alcance foi feito".

Até ao momento, a Comissão de Utentes nunca baixou os braços. Depois de um buzinão, do envio de uma carta aberta à ministra da Saúde "que não nos atendeu e nem se dignou a responder-nos", e de várias deslocações à Assembleia da República, a Comissão aguarda audiências com os deputados do PS e do PSD.

Ainda no mês de Dezembro a Comissão foi recebida pelos deputados do PCP, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista Os Verdes (PVE), e encontra-se agora a agendar uma data para uma audiência com o CDS/PP.

Apesar de todos estes esforços, os resultados têm sido muito poucos e, por essa razão, António Teles considera que a resolução dos problemas no Centro de Saúde de Montargil "não está nas mãos da Comissão de Utentes, mas sim dos responsáveis locais e nacionais".

Recordando que na unidade de Montargil já houve internamentos com 12 camas e urgências 24 horas por dia, António Teles lamenta que, actualmente, já não existam urgências e o Centro de Saúde tenha ficado sem médico.

"É lamentável. Estamos a regredir no tempo. Quando imaginávamos que o direito à saúde também se aplicava à Freguesia de Montargil, neste momento isso não acontece. As pessoas são privadas de um direito que está na Constituição da República Portuguesa. Pagamos impostos tal e qual os outros cidadãos do País e depois estamos nesta situação. Parece que estamos desprotegidos daquilo que são os direitos mais elementares, que é o direito à saúde", declarou com tristeza.


Catarina Lopes
Jornal Fonte Nova

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sábado, 17 de maio de 2008

A FALTA DE VERGONHA NÃO TEM LIMITES?



A maioria dos médicos nunca primou nem prima pela pontualidade quanto à hora marcada para atenderem os doentes.
É do dia-a-dia de qualquer paciente chegar ao consultório, ao centro de saúde ou ao hospital e ouvir a indicação o(a) sr(a). dr(a). ainda não chegou ou o sr(a). dr(a). está quase a chegar ou, ainda, o(a) sr(a). dr(a). está um bocadinho atrasado(a).



É raro que, entre os médicos atrasados crónicos, os que, quando finalmente atendem o doente, justificam o seu atraso e disso peçam desculpa.

Poucos doentes refilam, tanta é a habituação.
Médicos e doentes aceitam pacífica e tacitamente que o incumprimento de horários combinados por parte do médico faz parte das condições implícitas do contrato de uma consulta.

Obviamente que parte, uma parte, destes atrasos se justifica ou por uma dificuldade de deslocação ou porque uma consulta ou intervenção durou mais que o previsto, o que, no entanto, não devia eximir à obrigatoriedade de comunicação prévia ao doente ou de uma justificação prestada perante quem se obrigou a esperar.


Esta prática continuada e adquirida faz parte das carências de civismo na nossa sociedade.

Sendo um abuso de poder na medida em que a liberdade que o médico tem de se atrasar sistematicamente por inércia social quanto ao uso do direito de reprovação é incomensuravelmente maior que a liberdade que o doente (não) tem de sair porta fora e, tratando-se de uma continuação de tratamento, submeter o prevaricador ao efeito da concorrência.
Disto, julgo, devia tratar a Ordem dos Médicos, formando os médicos nos deveres elementares da deontologia social aplicada a cidadãos bem educados.
Mas parece não ser essa a prioridade da Ordem, mas antes o pugnar para que aos doentes que falhem consulta sem aviso prévio, lhes seja cobrado 20% do valor da consulta (omisso, é claro, quanto a penalizações do médico em caso de não comparência não avisada ou nos casos de atrasos).
É o que se pode chamar de meta da impunidade profissional sem riscos.
E muita falta de vergonha.


J.T.

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