domingo, 4 de maio de 2008

ENCHE-ME O CORAÇÃO DE TRISTEZA

1. Acompanhado pelo seu incontornável ministro dos Gastos Públicos, Mário Lino, José Sócrates anunciou mais uma obra estruturante para o país: investir cerca de duzentos milhões de euros do Estado para multiplicar por quatro a área do terminal marítimo de contentores de Alcântara, no coração de Lisboa. A obra é um velho sonho do Porto de Lisboa - tapar o rio com contentores ou o que seja para que os lisboetas desfrutem dele o menos possível. E é também um velho sonho da empresa que detém, por concessão, o monopólio do negócio dos contentores no porto de Lisboa: a Liscont, pertencente à Mota-Engil (sim, a de Jorge Coelho). Para servir os interesses da empresa, o Estado vai então gastar dinheiro a dragar o rio e a enterrar o comboio e redesenhar os acessos rodoviários à zona, porque não é brincadeira fazer escoar milhares de contentores diariamente do centro da cidade. Oferece-lhe ainda uma área de luxo para desfrute em exclusivo e a histórica Gare Marítima de Alcântara, com os painéis de Almada, por onde gerações de portugueses partiram para a emigração ou para a Guerra de África e gerações de turistas desembarcaram em busca da cidade debruçada sobre o rio. Mas a Liscont também investe a sua parte: 227 milhões. Condoído do seu esforço, porém, o Governo compensa-a por esse magnânimo gesto, prorrogando-lhe por mais vinte e sete anos, até 2042, o monopólio que detém e que expirava dentro de sete anos.

Portanto, saem dali os paquetes de passageiros que, desde que me lembro, desde que o meu avô me levava a vê-los em criança e eu aos meus filhos, era a única coisa de interesse em Alcântara e uma das coisas que faziam de Lisboa uma cidade diferente. E para onde vão? Vão para onde deviam ir os contentores: para uma extrema da cidade e da frente de rio, para Santa Apolónia. Parece-vos absurdo que se lembrem de pôr os turistas a desembarcar numa ponta desabitada da cidade e os contentores a desembarcarem nas Docas, junto aos Jerónimos e à Torre de Belém? Não, não é absurdo: faz parte de um plano maquiavélico do Porto de Lisboa (mais um), arquitectado passo a passo. Com o abandono da Doca de Passageiros de Alcântara e a sua transferência para Santa Apolónia, onde nenhuma infra-estrutura existe para os acolher, o Porto de Lisboa tem assim uma excelente oportunidade para lançar mãos àquilo de que mais gosta: a construção e especulação imobiliária à beira-rio. A APL propõe-se construir um contínuo de edifícios em Santa Apolónia ocupando uma frente de rio de 600 metros para o novo terminal de passageiros (até se prevê a construção de um hotel, partindo do raciocínio lógico que os turistas, uma vez acostados ao cais, abandonarão os seus camarotes já pagos a bordo para se irem instalar no hotel em frente ao navio...). De modo que, de um só golpe e com a habitual justificação do interesse público para enganar tolos, os engenheiros que nos governam acabam de roubar mais um bom pedaço de rio a Lisboa: 600 metros em Santa Apolónia e outros tantos em Alcântara. Chama-se a isto uma expropriação pública em benefício de interesses particulares.

E, como de costume, quando se trata de dispor da cidade e do rio, com pontes ou terminais de contentores, é Sócrates e a sua equipa do Ministério das Obras Inúteis quem faz a festa e lança os foguetes. Se é que Lisboa tem um presidente de Câmara, mais uma vez ninguém o viu nem ouviu.

2. À falta de outros interessados no assunto e face à suprema nulidade política dos governantes do mundo desenvolvido, é a ONU apenas que parece preocupada com a escalada avassaladora do preço dos alimentos, a acrescentar à da energia. Entregues a si próprios, os mercados e os governos reagem de acordo com a lei do salve-se quem puder, dando um lindo exemplo prático das delícias da globalização: os países exportadores de alimentos fecham as portas de saída para evitar problemas políticos internos; os países exportadores de petróleo recusam-se a intervir no mercado para fazer estancar a subida do crude, empolada artificialmente; e os que não têm petróleo, como a Itália e a Inglaterra, regressam em força ao carvão e que se lixe o aquecimento global, com o incremento da mais poluidora fonte de energia. Assim entramos numa espiral de loucos: a alta do preço do petróleo faz subir o preço dos alimentos e o preço destes o do petróleo; os especuladores da finança e do imobiliário, cuja ganância mergulhou a economia mundial em crise, fogem agora das bolsas para as matérias-primas, como o petróleo, os alimentos e a água, fazendo aumentar ainda mais o seu preço; os países que têm dinheiro mas precisam de energia dedicam-se a comprar terras aos pobres de África e da Ásia para nelas produzir biocombustíveis, a partir dos cereais; menos terras agrícolas, menos comida ainda: aqueles que não têm nem alimentos, nem energia nem terras disponíveis, só podem esperar morrer de inanição - segundo a ONU são trezentos milhões em todo o mundo ameaçados de morrer de fome.

Mas a crise do preço da alimentação é também um momento de ajuste de contas com o passado recente, em países como Portugal. Antes de entrarmos na UE produzíamos mais de metade do que comíamos, tínhamos ainda um mundo rural e agrícola e um país relativamente equilibrado entre o interior e o litoral, a província e as grandes cidades. Mais de duas décadas depois, o que vemos? Produzimos menos de um quarto daquilo que comemos; à força de subsídios, desmantelámos a frota pesqueira e deitámos fora toda uma cultura e saber que demorara gerações infinitas a apurar, passando a importar todo o peixe que vem à mesa; gastámos fortunas a pagar aos agricultores para eles abandonarem os campos ou ficarem sentados a ver em que paravam as modas, sem investir, sem inovar, sem arriscar - até lhes demos uma barragem, a maior da Europa, para eles se distraírem a fazer regadio, já que diziam que as culturas de sequeiro não davam, mas, assim que se viram com a barragem feita, venderam as terras aos espanhóis, agarraram nas mais-valias que os contribuintes lhes tinham facultado e agora só querem regressar ao local do crime para fazer urbanizações turísticas à beira de Alqueva; de caminho, desmantelámos a fileira florestal tradicional, substituindo-a por um oceano de pinheiros e eucaliptos, contribuindo ainda mais para a desertificação e os incêndios de Verão, porque um ex-ministro, hoje muito bem na vida, declarou solenemente que os eucaliptos são o nosso petróleo verde; enfim, como resultado último de toda esta clarividência, gastámos os rios de dinheiros europeus que nos poderiam e deveriam ter garantido a solvabilidade e independência económica para sempre, a construir auto-estradas e duas megacidades onde as pontes e os terminais de transportes de toda a ordem nunca são suficientes para acolher o Portugal que fugiu do interior morto.

Demos cabo do país e não foi por falta de avisos nem por particular estupidez dos governantes. Foi, claramente, para servir os interesses particulares que vegetam perpetuamente à sombra do Estado. Essa clique infecta dos falsos empresários e dos traficantes de influências que sugam toda a riqueza do país.

Não me admira nada que até o presidente da Companhia das Lezírias - uma empresa estatal que ocupa as melhores terras agrícolas de Portugal e que o empresário Américo Amorim tentou há tempos privatizar a seu favor - venha dizer que não pode deixar de aproveitar a oportunidade do futuro aeroporto de Alcochete para se lançar também na especulação imobiliária em parte dos terrenos que lhe cabe administrar. A bem do ordenamento do território, é claro. A sua desfaçatez é um exemplo eloquente das razões pelas quais chegámos a este ponto de desesperança. Mas será que o senhor, ao menos, não lê jornais e não sabe que estamos à beira de uma severa crise alimentar? Será que não lhe explicaram que o objectivo da Companhia das Lezírias é a agricultura e não a especulação turística? Ou achará, como o eng.º Sócrates, que, no futuro vamos todos comer betão e jogar golfe?


Miguel Sousa Tavares

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domingo, 13 de maio de 2007

O FUTURO SUBERÍCOLA DA CHARNECA DE MONTARGIL


No próximo dia 25 de Maio irá realizar-se o seminário “O FUTURO SUBERÍCOLA DA CHARNECA DE MONTARGIL” que decorrerá na Herdade dos Leitões em Montargil, o qual foi organizado pela Fundação João Lopes Fernandes com a colaboração da AFLOSÔR – Associação dos Produtores Florestais da Região de Ponte de Sôr, da Junta de Freguesia de Montargil e da Leadersor - Associação para o Desenvolvimento Integrado do Sôr , o apoio do Ministério da Agricultura do Desenvolvimento Rural e das Pescas e dos programas FEOGA Orientação e Leader+.
Os trabalhos, que decorrerão no ceio do próprio montado, à sombra de frondosos sobreiros, terão inicio pelas 10 horas e serão presididos pelo Senhor Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Dr. Rui Nobre Gonçalves.

Irão ser abordados os temas inerentes aos problemas e potencialidades suberícolas da “Charneca de Montargil”, com vista à elaboração e implementação de um programa específico, ajustado às realidades, para reposição do potencial produtivo e inovação e aperfeiçoamento dos métodos e técnicas da exploração e produção suberícola.
Haverá ainda um certame, para apresentação de ideia e equipamentos destinados à floresta e, em particular, aos povoamentos de sobro, com ênfase nos processos de extracção mecânica da cortiça.
Será apresentado o Prémio Dona Leonor Lopes Fernandes Vieira Lopes, destinado a galardoar trabalhos inéditos, com aplicação prática no domínio da subericultura e cuja atribuição terá uma periodicidade trienal, no valor de 4.500 euros.
No âmbito do Programa Leader+, será lançada uma brochura intitulada “A Charneca de Montargil”, editada em português e inglês e de distribuição gratuita, na qual se faz resumidamente a caracterização ecológica, económica e social do espaço rural da região.


Refira-se que a “Charneca de Montargil” foi definida por Pina Manique e Albuquerque, na sua Carta das Regiões Naturais do Continente Português (1945), sendo considerada o “solar do sobreiro”, onde se produzem cortiças de superior qualidade, caracterizadas pela sua extrema leveza e elevado rendimento industrial.

Os oito concelhos abrangidos pela “Charneca de Montargil” (Alter do Chão, Avis, Crato, Coruche, Gavião, Mora e Ponte de Sôr) produzem, em cada novénio, cerca de 24 milhões e quinhentas e oitenta mil arrobas de cortiça, o que equivale a 26,1% da produção nacional e a 13,7% da produção mundial.

Um estudo recentemente realizado pela Fundação João Lopes Fernandes revelou que a produção actual de cortiça nesta região se situa em aproximadamente 2/3 do seu potencial produtivo, que a mortalidade dos sobreiros não atinge 10% dos povoamentos, como foi amplamente divulgado, mas o valor 0,56 árvores por hectare/ano, o que se considera abaixo dos padrões normais, embora se levantem alguma preocupação, por existirem áreas com mortalidade mais concentrada e detectou algumas áreas de montado, submetidas a uma gestão mais adequada, onde a densidade de povoamento quase duplicou.
O mesmo estudo revelou que a situação actual da “Charneca de Montargil” é preocupante; o seu progresso económico e social tem vindo, cada vez mais, a afastar-se das zonas mais progressivas do País, tornando-se, também, cada vez mais, numa região humanamente desertificada e, por isto, à mercê do fogo.

À semelhança de outras regiões do País, os montados de sobro e a cortiça continuam a ser o principal suporte da “Charneca de Montargil”, dela dependendo, directa ou indirectamente, a grande maioria da população.
Através dos sobreiros, que proporcionam os salários mais elevados de todas as actividades primárias, conseguem-se retirar dos solos extremamente pobres da região, sem grandes possibilidades de outra produção, os rendimentos da sua decadente população rural e de parte significativa da sua crescente população urbana, cada vez mais dependente da industria corticeira.
A Charneca de Montargil não pode, por isto, continuar à sombra de uma política de desenvolvimento rural virtual, pretensamente assente em actividades acessória que, por muito locativas que possam ser, não resolvem mais do que umas quantas situações individuais e, de forma alguma, os problemas sociais e económicos da região.
Por isto, os principal objectivos deste seminário são a mobilização dos agentes da fileira, nomeadamente os produtores, cuja sobrevivência económica, a curto prazo, dependerá exclusivamente da cortiça, para que desenvolvam e aperfeiçoem as suas técnicas de exploração e produção, sensibilizar o poder autárquico, que detêm cada vez mais poder de intervenção e responsabilidades florestais, de que o verdadeiro suporte do desenvolvimento e bem-estar dos seus municípios tem por base os montados e povoamentos de sobro, a produção e a industria da cortiça e alertar o poder central da precariedade que enferma a “Charneca de Montargil”, desde há muito vitimada por políticas de desenvolvimento rural ruinosas, quando em tanto contribui para a economia nacional, e consciencializá-lo da urgência de adopção de medidas concretas e eficazes, que devolvam à região o seu potencial produtivo.

A “Charneca de Montargil” é detentora de mais de um quarto da única produção nacional sem concorrência externa, a cortiça, e de uma das maiores riquezas do País, que são os montados e povoamentos de sobro.
Por isto, há que consciencializar a opinião pública do contributo que presta à economia nacional e proporcionar-lhe os meios necessários ao seu desenvolvimento endógeno.

O manifesto desinteresse nacional pela produção de cortiça poderá, mais cedo do que se pensa, exterminar definitivamente grandes áreas do chamado “mundo rural”, fazer desaparecer os montados, criar mais pobreza e maiores problemas económicos ao País.



O Conselho de Administração

http://fundacaojlf.no.sapo.pt/

Sec. Geral: Eng.º Pedro Pacheco Marques

Tm.: +351 916620811

ppm.fundacaojlf@mail.telepac.pt

Sede: Herdade dos Leitões

7425-014 MONTARGIL

Tel./Fax: +351 242908006

Tm: + 351 963055831

fundacaojlf@mail.telepac.pt


Secretariado do Seminário:

Tm.: +351 916620811

charneca.montargil@mail.telepac.pt

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quinta-feira, 15 de março de 2007

AGRICULTURA VIA INTERNET


O Ministério da Agricultura anunciou que a candidatura de agricultores aos subsídios da PAC se passará a fazer, a partir do próximo ano, exclusivamente por via da Internet.

O ministro foi imediatamente muito criticado pelo facto mas talvez com algum excesso. A verdade é que o próprio Ministério, como a própria Agricultura em Portugal, é uma entidade semi-virtual e os subsídios não se destinam nem pouco, mais ou menos a agricultores info-excluídos por definição, de boné, colete e com as botas cheias de terra, mas a finórios de sapatos italianos, que dominam as tecnologias. De maneira que o Ministério só está a ver as coisas com realismo.

Queixam-se as associações que, apresentando-se as candidaturas através da Internet, apenas talvez 18 mil o consigam fazer, num universo de 248 mil associados. Mas pensarão as associações de agricultores que os subsídios chegarão alguma vez a mais que esses 7 por cento de pretendentes? E que alguma vez haverá subsídios para quem não saiba mexer no computador, embora saiba manobrar um tractor?
Pura ilusão.
Os agricultores modernos não fazem exactamente agricultura.
Cultivam amizades, plantam relações, transplantam influências e colhem subsídios.

Pensar o contrário será tão ingénuo como admitir que, uma vez recebidos os subsídios, os agricultores terão que semear batatas ou plantar vinha.
Isso era dantes.
Agora, recebem-se subsídios da PAC para não cultivar, até mesmo para arrancar, de modo a não fazer concorrência aos parceiros da União Europeia que produzem e vendem a sério, inclusivamente para os países subsidiados para não produzir.

Agora, só falta um aspecto a considerar: que a PAC passe a patrocinar a troca de alfaias agrícolas por computadores.

J.P.G.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

VOTEM... QUE ELES MERECEM!


Para dar continuidade às politicas mais justas de Subsidios de Apoio à Agricultura Alentejana e incrementar o processo de modernização das nossas estruturas produtivas, significa votar nos partidos de sempre.
Eles merecem!

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quarta-feira, 10 de novembro de 2004

À ATENÇÃO DA LAVOURA ALENTEJANA



Por amabilidade do meu amigo VL recebi a tradução de uma carta dirigida recentemente ao Comissário Europeu da Agricultura, e cujo conteúdo me parece poder ser muito útil à nossa gente.
Aqui fica ela.

Senhor Comissário da Agricultura,
O meu amigo Robert, que vive na Bretanha, recebeu um cheque de 100.000 EUR da UE para não criar porcos estes ano. Por essa razão eu estou a pensar entrar no programa de não-criação de porcos no próximo ano.
O que eu gostaria de saber era qual é a melhor quinta possível para não criar porcos e também qual a melhor raça a não criar. Gostaria de não-criar Javalis, mas se eles não forem uma boa raça para não-criar, fico igualmente satisfeito se puder não-criar uns Landrace ou uns Large White.
O trabalho pior neste programa parece-me ser manter um inventário preciso do número de porcos que não criámos.
O meu amigo Robert está muito entusiasmado quanto ao futuro do seu negócio.
Criou porcos durante mais de 20 anos e o máximo que tinha conseguido ganhar foram uns 35.000 EUR em 1978... até este ano, que recebeu o tal cheque de 100.000 EUR para a não-criação de porcos.
Se eu posso receber um cheque de 100.000 EUR para não-criar 50 porcos, então receberei 200.000 EUR por não-criar 100 porcos, etc?
Proponho-me começar por baixo para depois chegar a não-criar uns 5000 porcos, o que significa que receberei um cheque de 10.000.000 EUR para poder comprar um iate e para outras necessidades urgentes.
Mas há outra coisa: os 5000 porcos que eu não criarei deixarão de comer os 100.000 sacos de milho que lhe estão destinados. Entendo, portanto, que irão pagar aos agricultores para não produzir esse milho.
Isto é: receberei alguma coisa para não-produzir 100.000 sacos de milho que não alimentarão os 5000 porcos que não-criarei? Pretendia começar o mais cedo possível, porque parece que esta altura do ano é a mais propícia à não-criação de porcos.

Com os melhores cumprimentos,

(Assinatura ilegível)

PS: Mesmo estando implicado no programa poderei criar uns 10 ou 12 porcos para ter algum presuntito para dar à família?

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