PONTE DO SOR
PONTE DO SOR, UM ESPAÇO DE LIBERDADE BANHADO PELO RIO SOR
terça-feira, 14 de julho de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
JÁ ESTÁ DISPONÍVEL A OPS! Nº 3
O pensamento único conduziu ao endeusamento do mercado e à diabolização do Estado, mesmo quando os níveis de satisfação desceram, o desemprego aumentou e os custos dispararam. À sombra das parcerias publico-privadas floresceram grandes negócios privados e desvirtuaram-se regras de transparência obrigatórias no serviço público. Casos de promiscuidade impune entre negócios privados e cargos políticos contribuem para agravar a descrença.
A submissão dos serviços públicos às regras da concorrência priva o Estado de intervir em áreas essenciais para a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos e distorce a avaliação dos serviços prestados. Os serviços públicos não podem ser tratados como se fossem uma qualquer mercadoria. A perda de milhares de empregos no sector público não é condição de progresso. E o encerramento de serviços públicos no interior do país contribui, às vezes de forma dramática, para a desertificação do território.
A submissão dos serviços públicos às regras da concorrência priva o Estado de intervir em áreas essenciais para a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos e distorce a avaliação dos serviços prestados. Os serviços públicos não podem ser tratados como se fossem uma qualquer mercadoria. A perda de milhares de empregos no sector público não é condição de progresso. E o encerramento de serviços públicos no interior do país contribui, às vezes de forma dramática, para a desertificação do território.

Manuel Alegre
Revista de Opinião Socialista

DESCARREGUE A REVISTA COMPLETA EM PDF
Etiquetas: Democracia, Manuel Alegre, Opinião Socialista
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
CONTRA O CRIME DE AMANHÃ
Estou em crer que a dr.ª Maria de Lurdes Rodrigues deu um pontapé na maioria absoluta que os disparates políticos da dr.ª Manuela Ferreira Leite presumivelmente garantiam ao eng.º José Sócrates.
Como a ministra da Educação não decide, na solidão alcatifada do gabinete, sem escutar, inevitável e antecipadamente, o primeiro-ministro, infere-se que este é o principal responsável da situação.
Não há parábola que remova esta sucessão de evidências.
Sócrates está longe de ser um bom governante.
Porém, a presidente do PSD ainda seria pior.
As perspectivas não são de molde a alegrar-nos.
Estes mandantes desabusados (para usar uma expressão cara a Aquilino) tornaram insuportável a vida portuguesa.
A nossa inalterável ingenuidade cimentou-os no poder.
A verdade é que, depois do PREC, com ligeiras variantes, o descontentamento, a raiva, o desespero causados pelas mentiras sistemáticas e despudoradas converteram o nosso regime numa duvidosa democracia.
Direi: numa democracia distanciada, sem alma nem paixão, ausente do outro, como certos preopinantes quiseram moldar a modernidade do jornalismo a essa obscenidade ética e deontológica da distanciação.
Em todo este comportamento político reside algo de tirânico, resultado de uma educação que se manifesta larvarmente, e cujas origens podem ser encontradas numa Igreja que se não desproveu da rigidez e de uma classe dirigente organizada na mediocridade, no autoritarismo, e destituída de grandeza.
Para essa gente, as declarações de Manuel Alegre, ao Diário de Notícias de domingo, suscitam um leve desdém, um trejeito de enfado ou, então, um trovejar de frases inócuas.
Ele diz sempre o mesmo, formulou um dirigente socialista, muito adicto à felicidade de ser a voz do dono, qualquer que esse dono seja.
Não é assim.
Alegre tem sido um respingão incómodo, ante a inqualificável inércia e o desacrediante desvio ideológico do PS. E há um núcleo central das suas opiniões que se mantém, exactamente porque ele não se deixa pacificar, possui convicções, e, goste-se ou não, tem combatido a lassa indiferença de muitos dos seus camaradas.
O documento recolhido por João Marcelino e Paulo Baldaia é particularmente importante, porque cria uma declarada ruptura com este PS, ao mesmo tempo que o deponente recusa o exílio interior.
Penso que a questão dos professores, adicionada a todas as querelas conhecidas, determinou este desabafo, que nada tem de secundário nem de sentimental. Manuel Alegre sente-se embaraçado num partido que se fechou à sociedade e que traiu os testamentos legados, em nome de uma esquerda moderna cedo naufragada em soluções parciais e em repugnantes concessões - que permitirão, acaso, o crime de amanhã.
Ele é contra.
B.B.
B.B.
Etiquetas: Educação, José Sócrates, Manuel Alegre, Partido Socialista, Portugal
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
OS SOCIALICIDAS
Vai por aí algum alvoroço com as declarações de Manuel Alegre sobre as derivas do PS.
O PS já nasceu com derivas: basta atentar nos seus fundadores.
Provinham, quase todos, do antifascismo, mas ética e ideologicamente eram diferentes. De católicos progressistas a ex-comunistas, até republicanos de traça jacobina, o PS foi, quase, um trâmite freudiano de adolescentes contra os pais.
O que os impediu de compreender as mitologias da social-democracia, esta mesma diversamente interpretada e opostamente aplicada nos países escandinavos.
Provinham de uma leitura catequista do marxismo, caldeada na experiência da República de Weimar.
Quando, no PREC, se gritava: Partido Socialista, partido marxista! - a exclamação estava a mais.
A interrogação seria mais apropriada.
O estribilho ficou mudo, quando Willy Brandt mandou dizer que as estentóricas frases eram estranhas à teologia do socialismo democrático.
Por essa época, Manuel Alegre, numa entrevista que lhe fiz, disse, dramático, que a social-democracia era a grande gestora do capitalismo.
Goste-se ou não dele, a verdade é que nunca foi ambidextro na forma de protestar.
Na realidade, há muitíssimo poucos socialistas no PS; no Governo, parece-me que nenhum.
Observo aquelas figuras, marcadas por uma espécie de misticismo barroco, e pergunto-me: que tem feito pelo País esta gente de manejos burocráticos e de cerviz dobrada ante o Príncipe?
Nada.
Pior: tem cometido o mais condenável de todos os crimes - o socialicídio.
Não é de agora, o delito.
Com José Sócrates, socialista de ocasião, propagandeou-se a esquerda moderna como justificação de todas as malfeitorias ideológicas, sociais, morais e éticas.
Mas ele resulta de uma génese política malformada.
As tendências no PS, desenvolvem-se, exclusivamente, com palavras e frases protocolares.
E os poucos que pertencem a uma genealogia oposta são marginalizados ou tidos como anacronismos.
Há, nesta gente, falta de garra, de honra, de competência, de credibilidade, de integridade, de vergonha.
Trabalhadores precários: 1 700 000.
População empregada: 5,2 milhões de pessoas.
Desempregada: cerca de meio milhão.
Dois milhões de portugueses na faixa da pobreza.
São conhecidos os vencimentos escandalosos, as mordomias, as pensões de reforma não apenas no privado como no público.
O regabofe na sociedade portuguesa é mais do que revoltante.
O PS é uma desgraça.
O Governo socialista uma miséria. E ambos têm de saciar imensos e sôfregos apetites.
Manuel Alegre repetiu o que se sabe - e que só o não sabe quem o não quer saber.
Afinal, pouco se ambiciona do PS: apenas um bocadinho de socialismo.
B.B.
O PS já nasceu com derivas: basta atentar nos seus fundadores.
Provinham, quase todos, do antifascismo, mas ética e ideologicamente eram diferentes. De católicos progressistas a ex-comunistas, até republicanos de traça jacobina, o PS foi, quase, um trâmite freudiano de adolescentes contra os pais.
O que os impediu de compreender as mitologias da social-democracia, esta mesma diversamente interpretada e opostamente aplicada nos países escandinavos.
Provinham de uma leitura catequista do marxismo, caldeada na experiência da República de Weimar.
Quando, no PREC, se gritava: Partido Socialista, partido marxista! - a exclamação estava a mais.
A interrogação seria mais apropriada.
O estribilho ficou mudo, quando Willy Brandt mandou dizer que as estentóricas frases eram estranhas à teologia do socialismo democrático.
Por essa época, Manuel Alegre, numa entrevista que lhe fiz, disse, dramático, que a social-democracia era a grande gestora do capitalismo.
Goste-se ou não dele, a verdade é que nunca foi ambidextro na forma de protestar.
Na realidade, há muitíssimo poucos socialistas no PS; no Governo, parece-me que nenhum.
Observo aquelas figuras, marcadas por uma espécie de misticismo barroco, e pergunto-me: que tem feito pelo País esta gente de manejos burocráticos e de cerviz dobrada ante o Príncipe?
Nada.
Pior: tem cometido o mais condenável de todos os crimes - o socialicídio.
Não é de agora, o delito.
Com José Sócrates, socialista de ocasião, propagandeou-se a esquerda moderna como justificação de todas as malfeitorias ideológicas, sociais, morais e éticas.
Mas ele resulta de uma génese política malformada.
As tendências no PS, desenvolvem-se, exclusivamente, com palavras e frases protocolares.
E os poucos que pertencem a uma genealogia oposta são marginalizados ou tidos como anacronismos.
Há, nesta gente, falta de garra, de honra, de competência, de credibilidade, de integridade, de vergonha.
Trabalhadores precários: 1 700 000.
População empregada: 5,2 milhões de pessoas.
Desempregada: cerca de meio milhão.
Dois milhões de portugueses na faixa da pobreza.
São conhecidos os vencimentos escandalosos, as mordomias, as pensões de reforma não apenas no privado como no público.
O regabofe na sociedade portuguesa é mais do que revoltante.
O PS é uma desgraça.
O Governo socialista uma miséria. E ambos têm de saciar imensos e sôfregos apetites.
Manuel Alegre repetiu o que se sabe - e que só o não sabe quem o não quer saber.
Afinal, pouco se ambiciona do PS: apenas um bocadinho de socialismo.
B.B.
Etiquetas: José Sócrates, Manuel Alegre, Partido Socialista
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
A PALREAÇÃO
Em entrevista ao Diário Económico, Mário Soares reanimou esta semana o perfil de esquerda que meticulosamente retoca desde que deixou de praticar activamente a política de direita, nos seus já longínquos tempos de governante.
Primeiro, debica no Governo de José Sócrates, a quem adverte que as pessoas «não protestam só porque os sindicatos as empurram» e que «vêm para a rua porque sentem os seus postos de trabalho em causa ou porque a saúde, educação, justiça e reformas os preocupam», pelo que «chegou a hora de tranquilizar as pessoas».
Depois, branqueia com bonomia a ofensiva brutal de José Sócrates contra a generalidade dos direitos socio-económicos conquistados com a revolução de Abril, aplaudindo nomeadamente «os dois anos de Governo» que «tiveram como objectivo reequilibrar as finanças públicas».
Mas onde Soares se esmerou foi «quanto ao autoritarismo» do Governo de Sócrates, onde «houve episódios desagradáveis, que foram muito empolados», concedendo «que devem ser evitados e corrigidos» mas advertindo, do alto da sua tremenda autoridade de antifascista encartado (mas não muito encarcerado, isso era para os comunistas), que «falar de bufos e denúncias, hoje, é usar terríveis nomes para pequenos abusos – desagradáveis, mas sem significado».
«Pequenos abusos» é como Soares vê, hoje, saneamentos arbitrários na Função Pública perpetrados por chefias despóticas, cuja ética assenta na subserviência às tutelas ministeriais que exibem, elas próprias e sem pudor, uma concepção ditatorial do poder, como flagrantemente se tem evidenciado em diversos ministérios e sob indisfarçável beneplácito de José Sócrates.
«Episódios desagradáveis» é como Soares classifica, hoje, o caldo de cultura que esta actuação instalou, em apenas dois anos, na imensa máquina do Estado, onde o poder se transformou num instrumento de pressão, a denúncia anónima em respaldo para castigos administrativos, a bufaria num acto valorizado pelos responsáveis políticos, a crítica ao poder num crime com castigo, o medo de represálias hierárquicas em quotidiano nas repartições, o silêncio na melhor defesa.
Tal como no fascismo, por muito falhada que esteja a memória de Mário Soares.
O facto de este caldo de cultura ainda não ter engolido os direitos, liberdades e garantias conquistados com Abril – como Soares também argumenta, classificando de «má fé» e «erro grave» «comparar os dois sistemas» - só mostra uma coisa: que Sócrates ainda não teve tempo nem meios para chegar aí, embora a concentração de poderes policiais e investigatórios que passou para as suas mãos configure um bom esforço para lá chegar, a par das tentativas para governamentalizar a Justiça ou controlar o jornalismo.
Há uma curiosa coincidência, nesta intervenção de Soares, com a publicada há três semanas por Manuel Alegre, que tonitroava estar ali «contra o medo e pela liberdade» para garantir, ao longo de três páginas, que «não é legítimo falar de deriva autoritária» no Governo de Sócrates, já que o medo – que reconhece existir actualmente – não resultará da acção governativa, mas «da inexistência de uma cultura de liberdade individual» em Portugal (portanto, o responsável pelo clima de intimidação promovido pelo Governo é... o próprio «povo português»... Alegre no seu melhor).
Mas não é só coincidência. Mais uma vez estas duas «referências» do PS regressam com a «palreação de esquerda» para absolver a política de direita do seu partido.
Depois, branqueia com bonomia a ofensiva brutal de José Sócrates contra a generalidade dos direitos socio-económicos conquistados com a revolução de Abril, aplaudindo nomeadamente «os dois anos de Governo» que «tiveram como objectivo reequilibrar as finanças públicas».
Mas onde Soares se esmerou foi «quanto ao autoritarismo» do Governo de Sócrates, onde «houve episódios desagradáveis, que foram muito empolados», concedendo «que devem ser evitados e corrigidos» mas advertindo, do alto da sua tremenda autoridade de antifascista encartado (mas não muito encarcerado, isso era para os comunistas), que «falar de bufos e denúncias, hoje, é usar terríveis nomes para pequenos abusos – desagradáveis, mas sem significado».
«Pequenos abusos» é como Soares vê, hoje, saneamentos arbitrários na Função Pública perpetrados por chefias despóticas, cuja ética assenta na subserviência às tutelas ministeriais que exibem, elas próprias e sem pudor, uma concepção ditatorial do poder, como flagrantemente se tem evidenciado em diversos ministérios e sob indisfarçável beneplácito de José Sócrates.
«Episódios desagradáveis» é como Soares classifica, hoje, o caldo de cultura que esta actuação instalou, em apenas dois anos, na imensa máquina do Estado, onde o poder se transformou num instrumento de pressão, a denúncia anónima em respaldo para castigos administrativos, a bufaria num acto valorizado pelos responsáveis políticos, a crítica ao poder num crime com castigo, o medo de represálias hierárquicas em quotidiano nas repartições, o silêncio na melhor defesa.
Tal como no fascismo, por muito falhada que esteja a memória de Mário Soares.
O facto de este caldo de cultura ainda não ter engolido os direitos, liberdades e garantias conquistados com Abril – como Soares também argumenta, classificando de «má fé» e «erro grave» «comparar os dois sistemas» - só mostra uma coisa: que Sócrates ainda não teve tempo nem meios para chegar aí, embora a concentração de poderes policiais e investigatórios que passou para as suas mãos configure um bom esforço para lá chegar, a par das tentativas para governamentalizar a Justiça ou controlar o jornalismo.
Há uma curiosa coincidência, nesta intervenção de Soares, com a publicada há três semanas por Manuel Alegre, que tonitroava estar ali «contra o medo e pela liberdade» para garantir, ao longo de três páginas, que «não é legítimo falar de deriva autoritária» no Governo de Sócrates, já que o medo – que reconhece existir actualmente – não resultará da acção governativa, mas «da inexistência de uma cultura de liberdade individual» em Portugal (portanto, o responsável pelo clima de intimidação promovido pelo Governo é... o próprio «povo português»... Alegre no seu melhor).

Mas não é só coincidência. Mais uma vez estas duas «referências» do PS regressam com a «palreação de esquerda» para absolver a política de direita do seu partido.
Henrique C.
Etiquetas: José Sócrates, Liberdade, Manuel Alegre, Mário Soares, Partido Socialista
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
DISCURSO SOBRE O MEDO
Numa maçadora entrevista à SIC, o nosso querido primeiro-ministro tentou minimizar e, até, desacreditar o artigo de Manuel Alegre, no Público, no qual criticava o autoritarismo e o medo ressurgentes. Sócrates repetiu o já por nós sabido. E os entrevistadores, apesar da agressividade sorridente, apenas expuseram a modéstia dos pessoais recursos.
Sócrates não possui o talento das suas farsas e começa a ser deprimente a grosseria das respostas.
O homem dissimula, com o enfatuado das frases, o facto de que não dispõe de ideias de seu.
A verdade é que o discurso sobre o medo, de Manuel Alegre, propiciava uma discussão, pelo menos curiosa, dos nossos comportamentos.
A indiferença aborrecida com que o primeiro-ministro empalmou a questão, e o silêncio sem condolências com que os entrevistadores o admitiram, chegaram para se entender da inutilidade do insólito encontro a três.
O PS não quer discutir coisa alguma.
É um partido entregue a tabeliães, com mistura de tecnocracia de segunda ordem.
Além, claro!, da ausência total e absoluta de ideologia e de convicções. Quando Sócrates afirma, sem pudor, que as acusações de Alegre sobre o medo na sociedade e no PS constituem um clássico, a deselegância extravasa os limites do suportável.
O secretário-geral não quer debater o assunto.
É um direito que lhe assiste.
Porém, comete uma espécie de assassínio de carácter, de que, a esmo e amiúde, lamenta ser alvo.
Está à vista desarmada que a sociedade portuguesa vive numa atmosfera de temor, caucionada pelo desemprego, pelo trabalho precário, pelo custo da vida, pelo incentivo à delação, pelo desprezo com que se trata os nossos velhos, pela recusa da esperança, pelo sombrio horizonte do futuro, pelo ataque indiscriminado ao Serviço Nacional de Saúde, pelas obscenas desigualdades sociais não só traduzidas no desespero e na angústia quotidianas como pelas afrontosas reformas auferidas por gestores públicos - e mesmo privados. O medo cobre as situações que acabo de evocar. E esta cultura do PS não provém de linguagens intraduzíveis umas das outras: resulta de um conflito generalizado, aberto ou latente, mais ou menos violento nascido na década de 80, com o cavaquismo.
O artigo de Manuel Alegre falava da necessidade de uma visão social que rejeite as humanidades separadas.
Essa civilização do universal, de que tem sido paladino, apela no sentido dos valores e dos territórios transculturais.
Não creio que José Sócrates tenha conhecimentos suficientes para entender o que, depreciativamente, designa de um clássico periódico.
Não é tão-só problema dele.
É a nossa tragédia.
B.B.
Sócrates não possui o talento das suas farsas e começa a ser deprimente a grosseria das respostas.
O homem dissimula, com o enfatuado das frases, o facto de que não dispõe de ideias de seu.
A verdade é que o discurso sobre o medo, de Manuel Alegre, propiciava uma discussão, pelo menos curiosa, dos nossos comportamentos.
A indiferença aborrecida com que o primeiro-ministro empalmou a questão, e o silêncio sem condolências com que os entrevistadores o admitiram, chegaram para se entender da inutilidade do insólito encontro a três.

O PS não quer discutir coisa alguma.
É um partido entregue a tabeliães, com mistura de tecnocracia de segunda ordem.
Além, claro!, da ausência total e absoluta de ideologia e de convicções. Quando Sócrates afirma, sem pudor, que as acusações de Alegre sobre o medo na sociedade e no PS constituem um clássico, a deselegância extravasa os limites do suportável.
O secretário-geral não quer debater o assunto.
É um direito que lhe assiste.
Porém, comete uma espécie de assassínio de carácter, de que, a esmo e amiúde, lamenta ser alvo.
Está à vista desarmada que a sociedade portuguesa vive numa atmosfera de temor, caucionada pelo desemprego, pelo trabalho precário, pelo custo da vida, pelo incentivo à delação, pelo desprezo com que se trata os nossos velhos, pela recusa da esperança, pelo sombrio horizonte do futuro, pelo ataque indiscriminado ao Serviço Nacional de Saúde, pelas obscenas desigualdades sociais não só traduzidas no desespero e na angústia quotidianas como pelas afrontosas reformas auferidas por gestores públicos - e mesmo privados. O medo cobre as situações que acabo de evocar. E esta cultura do PS não provém de linguagens intraduzíveis umas das outras: resulta de um conflito generalizado, aberto ou latente, mais ou menos violento nascido na década de 80, com o cavaquismo.
O artigo de Manuel Alegre falava da necessidade de uma visão social que rejeite as humanidades separadas.
Essa civilização do universal, de que tem sido paladino, apela no sentido dos valores e dos territórios transculturais.
Não creio que José Sócrates tenha conhecimentos suficientes para entender o que, depreciativamente, designa de um clássico periódico.
Não é tão-só problema dele.
É a nossa tragédia.
B.B.
Etiquetas: José Sócrates, Manuel Alegre, Partido Socialista, Portugal






