terça-feira, 8 de maio de 2012

COMUNISTA?


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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

SINAIS DO TEMPO

O arminho é um pequeno animal (mede entre 15 e 30 centímetros e pesa pouco mais de 200 gramas) incluído no Anexo III da Convenção de Berna (espécie ameaçada, parcialmente protegida e sujeita a regulamentação especial).

Para seu azar, seu tão grande azar, tem uma pele felpuda e bonita, que fica bem em adornos ricos como o camauro (gorro) e a mozeta (estola) de veludo com que Bento XVI, recuperando o luxo papal pré-tridentino, agora se exibe, em vistoso conjunto com os seus famosos sapatos Prada.
O Papa está atento aos sinais dos tempos, como prescreve o Vaticano II.
Ora não são, os nossos, tempos de frivolidade e de ostentação?

Dentro do mesmo espírito de aggiornamento, o padre e teólogo António Rungi está a organizar o concurso de beleza Sister Itália 2008, destinado a eleger a Miss Freira italiana. E, no Channel 4, passa o reality show Façam de mim um cristão!, onde os concorrentes têm de converter infiéis ao cristianismo em três semanas.
Dois mil anos é muito tempo.
Hoje, ninguém de bom gosto, podendo usar um gorro de veludo e arminho, usaria uma coroa de espinhos


M.A.P.

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quarta-feira, 2 de julho de 2008

O PREÇO DAS MISSAS

Aumentam os transportes e aumentam os preços das missas. Entre as minudências materiais e a infinitude do espírito já não há as diferenças que implicavam um irredutível antagonismo. A vida quotidiana, no socialismo moderno de José Sócrates, está insuportável. Ajudava, para alguns, o encontro com Deus, na liturgia missal. Agora, até esse alívio dos aflitos cobra aumento. Sabemos que não somos feitos para compreender muitas coisas, e que a política é a disciplina das ambiguidades. No entanto, entendemos menos o domínio do vil metal no território do religioso. O preço das missas vai corresponder a que tabela? A uma medida semelhante à dos transportes colectivos? Por tempo, equivalendo este à quilometragem? Em quanto vai importar uma modesta novena? E um piedoso rito de defuntos?

Haverá, então, razões para crer na afirmação do teólogo assuncionista Marcel Neusch [Deus no Século XXI, Instituto Piaget, Colecção Crença e Razão], segundo o qual Deus deixou de ser contestado porque, para muitos, Ele deixou de fazer parte das questões que interessam aos homens? Adiciono, para complemento de reflexão, estas perguntas do padre Anselmo Borges, leitura estimulante aqui, no DN: Que Deus é esse, em nome do qual se aterroriza e mata pessoas? Há guerras em curso, e os cristãos pedem ao Deus, os judeus pedem ao Deus, os muçulmanos pedem ao Deus. Qual Deus? E que vai Deus fazer para atender a todos contraditoriamente?

Em todos os conflitos contemporâneos, a Igreja tem desempenhado um papel relevante. Para o bem e para o mal. Muitas das suas evasivas, numerosos dos seus silêncios atingem, historicamente, os domínios do escândalo. O papa do Hitler, Pio XII, que abençoou as Divisões Panzer, e estendeu o braço numa saudação aberrante, não é, somente, a simbólica de uma época: reflecte uma intenção e assinala uma ideologia.

A evidência é que a dimensão histórica da cruz permitiu toda a espécie de abusos, inclusive o da superstição. As missas são agora mais caras. A decisão, creio que vaticana, obedece a uma exigência dos tempos, que transforma os arautos e servidores do Reino em deploráveis mercenários.

A glória de Deus é o pobre vivo. A frase de Ireneu deixa de fazer sentido. E o aumento do custo das missas, por módico que seja, sugere que a plenitude do amor na fé é gravemente amachucada. Pediam, os crentes, a salvação do mundo e a purificação das pessoais almas. Para isso, oravam, na apoquentação de quem acredita que uma boa prece é sempre a derrota dos males concretos. Entre os quais estes, rudemente impostos pela política de Sócrates. O amparo, presumidamente oferecido, na grata solidariedade de quem vive em plena comunhão de afectos, dispõe, agora, de uma tabela de preços. Deus está no mercado.


B.B.

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS, NEM PARA CRIANÇAS, NEM PARA JOVENS, NEM PARA...,


Aqui há uns três meses, numa cerimónia pública de apresentação de um livro, as palavras de um prelado português impressionaram vivamente quem as ouviu: Cada vez que vejo um pobre a dormir na rua penso que nesse dia e por esse motivo o governo do país devia cair.
O que terá proclamado o bispo ao ler, nos jornais de ontem, os dados europeus sobre a pobreza infantil em Portugal?

Há estatísticas que trazem consigo tanto sofrimento e amargura de tanta gente indefesa que só mesmo corações empedernidos e sensibilidades sociais embotadas podem ficar indiferentes.
É o caso dos dados europeus que, uma vez mais, envergonham Portugal e deveriam rebaixar os titulares do poder em Portugal.

Só que os titulares do poder estão tão inebriados consigo próprios, tão enlevados com a sua própria propaganda, tão extasiados com os elogios das clientelas, tão cegos pelo brilho do dinheiro dos compartes e pelo sucesso dos interesses que não há miséria que os comova.

No último caso conhecido, os dados europeus revelam que Portugal é o segundo país europeu onde o risco de pobreza infantil é maior e mais duradouro.
A situação piorou desde o relatório anterior e hoje em Portugal já existe um número considerável de crianças que sofre de sérias carências alimentares.

Não consta que o Governo, de acordo com a vontade do bispo, tenha caído e nem é de prever que se tenha sentido minimamente incomodado.

As muito pobres crianças portuguesas – uma em cada cinco – se não têm pão que comam brioches, como dizia Maria Antonieta, e siga em frente a tilintante marcha dos interesses.


J.P.G.

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

QUESTIONAR A IGREJA



As minhas relações com a religião católica sempre foram de prevenção e curiosidade.
Ateu, razoável leitor da Bíblia, tento compreender o Evangelho e seguir o seu espírito "humano" sobrelevando o aspecto divino, digamos assim.
Hegel ensinou que tudo o que se referia à Igreja, no que ela comporta de humanidade, dizia respeito a todos nós.

O conhecimento permite a eficácia da luta contra o obscurantismo e a crendice.


Se não contam comigo para lisonjear leitores preguiçosos, muito menos estou disposto a recusar, em bloco, uma realidade cultural que se pode traduzir numa significação lógica.
De uma ou outra forma tenho dialogado, espaçadamente, com homens da estirpe de D. Manuel Clemente e de D. Januário Torgal Ferreira, e com o dissidente padre Mário de Oliveira.


Eis porque me surpreende o silêncio dos média em torno da notável entrevista que o padre Anselmo Borges deu a Sarah Adamopoulos, e publicada na última revista Notícias Magazine.
O ponto de partida é um volume, Deus no Século XXI e o Futuro do Cristianismo [edição Campo das Letras], coordenado por aquele professor e sacerdote, e no qual 16 especialistas dos diversos saberes reflectem não apenas sobre a vida espiritual, mas, sobretudo, acerca de uma realidade integrante da filosofia.


Anselmo Borges, colaborador semanal do DN, faz a distinção entre metafísica e história, contrariando a cegueira da consciência e elegendo o julgamento ético como a faculdade de se ver para diante.
Repensar Deus exige a percepção de que a religião (neste caso o catolicismo) é um meio, antes de ser um fim, uma via e não um objectivo.
Até o ateu se dá conta de que há um mistério no mundo, afirma o padre Borges.
Repetirei, com Fernando Pessoa: Não ter Deus é já ter Deus.
Porém, recuso a mentira cultural do dogma e a parábola da obediência cega, por equivalerem a actos de imposição e de força: insinceros e ausentes da vida.
A distinção entre crentes e não crentes permite que os últimos tenham sempre a possibilidade de investigar, interpelar, renovar - ao contrário dos primeiros.


Anselmo Borges comprometeu-se com uma luta que faça evoluir a sociedade portuguesa para uma significação intrínseca.
A Igreja do humano tem um papel importantíssimo a desempenhar, enfrentando a Igreja da casta e do absoluto.
A Igreja do divino tende a esquecer que a cultura dispõe sempre da capacidade de ser cultura.
No entanto, Anselmo Borges adverte: A Igreja Católica continua a ser uma monarquia absoluta [.] e não pode pregar os direitos humanos fora dela, quando os não pratica no seu seio.
Dito de outra forma: a Igreja não é democrática, e a sua autoridade, contrária à mensagem de Jesus, chega a ser antidemocrática.


B.B.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

E AOS COSTUMES DIZEM NADA

1. Bento XVI chamou os bispos portugueses a Roma para lhes dar uma reprimenda exemplar e inesperada: Portugal, segundo o Papa, vai mal de verdadeira fé e de militância católica: muito folclore e pouca substância. Esta foi a resposta que a Igreja Católica portuguesa recebeu ao convite para que o Papa viesse a Fátima para a inauguração da nova (e lindíssima) basílica do Santuário. Menos Fátima e mais Evangelho, respondeu-lhes Bento XVI. Menos multidões nas datas marcadas no Santuário e mais gente nas igrejas e na vida das paróquias.

Sob a chefia de João Paulo II, a Igreja portuguesa viveu anos pacíficos, adormecida à sombra de verdades imutáveis e tranquilas: 95% de baptizados, logo de católicos; um código consistente de direitos e privilégios garantidos pelo Estado e cujo núcleo duro nunca foi posto em causa; e uma crescente reanimação pelo chamado culto mariano, que todos os anos arrasta multidões até Fátima, numa demonstração de fanatismo religioso que nada fica a dever às de outras religiões para que costumamos olhar com a sobranceria de quem contempla manifestações de selvagens fanatizados. João Paulo II - provavelmente o pior Papa que a Igreja teve desde Pio XII - era muito dado a essas manifestações de fé colectiva e irreflectida, ampliadas pela televisão e os media. Verdadeiramente, ele acreditava que, afinal, o reino de Deus era deste mundo e que aqui é que se travava a batalha decisiva: tudo o que lhe cabia fazer, enquanto representante de Cristo na terra, era viajar quanto pudesse, arrastando atrás de si as televisões e as legiões de fiéis.

O Papa Ratzinger é diferente. Ocupou-se da doutrina enquanto Woytila se ocupava da fé. Teólogo, intelectual brilhante, com uma noção da intemporalidade da Igreja que vai muito além dos fenómenos passageiros de histeria de massas, ele sabe que 300.000 peregrinos em Fátima não significam 300.000 cristãos no dia-a-dia da Igreja e das suas próprias vidas. Sabe que há católicos, e a grande maioria, que é capaz de viver 364 dias por ano ao arrepio da moral e dos mandamentos da Igreja e um dia por ano a conquistar a absolvição dos seus pecados numa excursão a Fátima, mais ou menos penosa. E sabe que a fé e a religião são coisas diferentes disso.

Penso que nem mesmo o mais disponível dos católicos é capaz de olhar para o Papa Ratzinger e ver nele o representante de Deus ou o enviado de Cristo a este mundo. Mas, em contrapartida, o seu pontificado é capaz de vir a resultar mais útil para a igreja católica do que os longos anos de papado do seu antecessor. A sua mensagem vai-se tornando progressivamente clara: mais substância e menos aparência.

2. Um tribunal de primeira instância de Madrid condenou a revista satírica espanhola El Jueves a uma pena quase simbólica por ofensas aos príncipes das Astúrias, cometida através de uma caricatura onde Filipe e Letizia eram retratados em acto sexual explícito em posição que não era a nº 1 do catálogo. Lá, aqui e além-fronteira ibérica, levantou-se uma série de vozes indignadas contra este atentado à liberdade de expressão e ao sentido de humor, não faltando até quem fizesse a comparação entre este cartoon e o célebre cartoon sobre Maomé de um jornal dinamarquês. Escreveu-se que, em Espanha, a liberdade de imprensa parece acabar quando toca à família real e outras coisas semelhantes. Parece que a ninguém ocorreu que os príncipes das Astúrias por o serem, não gozam de menos direitos do que qualquer outro cidadão. E que a qualquer cidadão assiste o direito de não ver a sua vida conjugal ou sexual retratada em caricaturas explícitas nos jornais. E não ocorreu que, mesmo que por absurdo se quisesse reduzir tal matéria ao exercício da liberdade de expressão, ela deverá sempre terminar onde começa o mau gosto.

3. Há uma circunvalação em Viseu, com vários quilómetros de comprimento, separador central e duas a três faixas de circulação em cada sentido, onde absurdamente o limite de velocidade está fixado em 50 km/hora. Como tal limite é quase impossível de cumprir, a polícia gosta de montar ali os seus radares e operações stop, com profícua caçada às multas garantida. Na madrugada do último sábado, lá montaram uma operação, com direito a assistência do sr. governador civil do distrito. Mas, para azar de todos, o primeiro condutor parado por excesso de velocidade (89 km/hora) foi nada mais nada menos do que o presidente da Câmara e da Associação de Municípios Portugueses, Fernando Ruas. Depois de uma breve conversa entre este e o governador civil, o infractor seguiu livremente o seu caminho, sem ter sido identificado nem multado pela polícia. Uma descoordenação, justificou esta quando interpelada por um jornalista.

Dias depois, Fernando Ruas voltou a recusar um pedido já diversas vezes encaminhado para a Câmara de subir o limite de velocidade naquela estrada para os 80 km/ hora, declarando que ninguém se podia aproveitar do seu caso para reclamar tal alteração. Aliás, o autarca estranhou tanto interesse no seu caso e concluiu que se procura arranjar argumentos para abater este cidadão. Eis a sua moral: Façam como eu mando, não como eu desobedeço, porque nem todos são iguais perante a lei. Realmente, não se percebe tanto interesse no assunto.

4. Depois de tratar dos fumadores, o grupo parlamentar do PS propõe-se agora tratar da saúde a quem abusa do sal. Há um deputado que anda entusiasmado a preparar uma lei que vai regulamentar ao decigrama o teor máximo de sal permitido nos alimentos dos restaurantes. Não imagino que a fiscalização de tão minuciosa legislação se possa fazer sem um exército reforçado da ASAE, com aparelhos sofisticados e actuações espectaculares ao vivo ("O sr. cliente importa-se de esperar, antes de comer o seu peixe, que eu proceda à medição do teor de sal, para verificar se está legal?").

Eu sempre disse: primeiro o tabaco, depois o sal, a seguir o álcool, depois as gorduras e os fritos e a seguir, quem sabe, talvez saia uma lei a regulamentar o perigo que representa para a nossa saúde o facto de ainda estarmos vivos.


Miguel Sousa Tavares

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terça-feira, 14 de agosto de 2007

PONTE DE SOR, PERDE A PRINCIPAL FESTA RELIGIOSA DA CIDADE

A padralhada de Ponte de Sôr

elimina a festa de

Nossa Senhora dos

Prazeres

em Ponte de So
r

e acaba com uma tradição de

séculos

«Festa de Nossa Senhora da Assunção
É no próximo dia 15 de Agosto que a Igreja Católica Celebra a Festa de Nossa Senhora da Assunção. Maria foi glorificada na Glória. Com Ela é glorificada a Igreja. Esta festa litúrgica tem um significado muito especial para a Igreja. Nossa Senhora da Assunção não pode ser substituída por Nossa Senhora dos Prazeres. É a mesma Mãe de Deus mas com um título diferente e um mistério particular. A Comunidade de Ponte de Sor vai celebrar a Mãe de Deus, na Sua Assunção ao Céu, com o seguinte programa


Dia 14: Vigília da Assunção . A Missa vespertina será no largo da Santa Casa da Misericórdia, às 21h00.
Segue-se uma procissão de velas em honra de Nossa Senhora da Assunção com a sua bela imagem. O percurso é o seguinte: Santa Casa da Misericórdia, Rua Damião de Góis para a Zona Ribeirinha. Sobe a Av. Marginal até à Rua Luís de Camões. Na Av. da Liberdade, desce pela faixa direita até à Igreja Matriz onde termina.

Dia 15. É feriado e Dia Santo para a comunidade dos crentes. Ao meio dia (12h00) teremos a Eucaristia comunitária. Maria na Glória do Céu é sinal que antecipa a futura cidade celeste. Ela é a base segura da esperança que anima todo o Povo de Deus na sua caminhada para a Pátria celeste. Maria elevada ao Céu em corpo e alma constitui para todos nós garantia da Ressurreição futura e da vitória do bem sobre o mal.»

Ecos do Sor,

7/Agosto/07,
Nº1335

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