sexta-feira, 9 de maio de 2008

É ESTE O PAÍS QUE TEMOS?

Estava eu a ler o jornal quando dei com uma notícia estranha, tão estranha que a li uma segunda vez para ver se não me tinha enganado.
Mas não, de facto era tal e qual a li da primeira vez: o Tribunal de Contas multou os partidos políticos em mais de trezentos mil euros.
Como o que faz o Tribunal é julgar em face da lei e como quem faz a lei são os partidos, quer dizer que os partidos andam a fazer leis que não são capazes de cumprir.
Isto coloca então uma questão interessante: por que razão fazem os partidos leis que os fazem pagar as malditas multas?
Foi ao ponderar esta questão que me lembrei (e revi) no livro de Kucich sobre a sociedade britânica colonial do século XIX, quando o autor relacionava a política imperial com as classes sociais e a hierarquia social. Para este autor merece particular atenção a complexidade da hierarquia social e as tensões sociais que aí se desenvolvem e as implicações que daqui resultam para a formação da identidade social, com as múltiplas características e facetas que a definem.
Não pretende Kucich com isto dizer que as identidades social ou imperial devem ser explicadas por uma disciplina de psicologia colectiva, mas sim que há elementos com paralelo na psicologia que conhecemos que ajudam a compreender e descrever o discurso e a práxis social da Grã-Bretanha de finais do século XIX, tese que aliás sustenta no seu livro Imperial Masochism.

Preparava-me eu para aprofundar a matéria quando me dei conta de que já as minhas ilustres colegas argentinas Eva Cinada e Eva Porosa, da Universidad Datanga, já a tinham estudado longamente, trabalho que deram a conhecer no seu magistral livro Kiss Me or Kick Me: Social Institutions in Tomorrow’s World.
Dizem as Evas que também nas organizações sociais em qualquer país as tensões sociais internas e externas que se acumulam podem levar a desvios ou patologias sociais semelhantes aos que conhecemos da Psicologia para os indivíduos.

A aplicação dos trabalhos destas minhas colegas ao nosso caso concreto é muito simples: na sociedade portuguesa de hoje os partidos políticos sentem o descrédito e a desconfiança de que são alvo por parte do cidadão comum e, incapazes de reconquistar essa confiança, estão progressivamente a desenvolver uma patologia social que lhes permite racionalizar e compensar: o masoquismo social.
Com efeito, o masoquismo social e a vitimização que se lhe segue são um mecanismo que constitui factor de aproximação social na sociedade portuguesa de hoje – uma sociedade dos coitadinhos, entre os modelos de sociedade tipificados pelas Evas.
Os nossos partidos esperam, pois, ao serem castigados por terceiros (neste caso, o Tribunal de Contas), captar a simpatia dos cidadãos eleitores, que assim já não sentem necessidade de os castigar – pelo contrário, apelam até ao instinto de defesa dos fracos.

Por outro lado, o Tribunal de Contas, ao punir deliberadamente e com violência e publicidade a torto e a direito, enquadra-se no que as nossas Evas designam de uma organização social sádica.
Isto revela, pois, uma faceta da organização social, política e administrativa do Portugal de hoje: o seu sadomasoquismo social.
Uns gostam de ser repreendidos e castigados, outros estão muito felizes com o papel de agentes vingadores, castigando os prevaricadores.

Não pensem, meus queridos leitores, que isto de vivermos numa sociedade sádicomasoquista é mau e que nos devemos preocupar.
O que nos deve preocupar é outra coisa, que as Evas bem documentam com evidência histórica: é que qualquer organização social masoquista numa sociedade sadomasoquista, na ausência de qualquer facto externo que o contrarie, evolui inexoravelmente para uma organização social esquizofrénica e os nossos partidos políticos já começam a dar sinais disto.


F.B.

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sábado, 19 de abril de 2008

"SES"

De como não tenho óculos que permitam notar, na presente crise, a dimensão oculta da verdade


Vejo Menezes a ser entrevistado pelo Mário Crespo. Leio no Expresso que Cavaco prefere Rui Rio. Dizem que Manuela Ferreira Leite espera pelo autarca do Porto. Que José Miguel Júdice observou que Rio é mau por causa do túnel de Ceuta, preferindo Aguiar Branco, o tal que Jardim teme por ser da grande burguesia do Porto, donde, aliás, terá vindo Francisco Sá Carneiro. Prefiro acreditar no Menezes e no choque psicológico que representou a festa dos oitenta anos da sua mãe, interrompida pelo voyeurismo de certa comunicação social. Prefiro acreditar que o autarca de Gaia é um gajo porreiro, um homem comum, apaixonado, sempre entre o tudo e o seu nada, odiando a sociedade de corte, que ele qualifica como um bando dos mandantes do centralismo.
Infelizmente, reparo que muitos dos que se identificam com a atitude de Menezes, no repúdio dos métodos da politiqueirice, são, agora, tentados a dizer que ele demonstrou não ter jeito para a pulhítica, e que até já sabia onde se iria meter. Apenas acrescento que, nesta encruzilhada, são tantos os ses que a análise corre o risco de não ser capaz de ver o objecto à distância.
Porque ainda não sabemos qual a verdadeira causa da demissão de Luís Filipe. Se foi mesmo uma questão privada, ou íntima. Se foi mesmo porque sentiu direito ao nojo no p'ra mim chega. Se foi mera manobra de maquiavelismo à moda do Norte, para uma posterior vaga de fundo, ou de preparação da candidatura de Pedro, o tal que tão bem sabe encenar ou que em Menezes me parece genuíno.
E os ses prosseguem quanto à eventual alternativa. Se Menezes vai acabar por recandidatar-se. Se Manuela deixa mesmo de ser um D. Sebastião de saias. Se o Rui Rio vai mesmo à luta. Se o Marcelo salta para a garupa do cavalo de poder. Se Pacheco Pereira concretiza em militância o seu corajoso pensamento.
Apenas acrescento o que tenho repetido: PSD e PS são as duas faces da esquerda moderna do Bloco Central que a direita dos interesses vai manipulando, nas teias da sociedade de corte que marca o ritmo da nossa decadência, onde abundam dossiers sobre a vida privada dos principais protagonistas da política profissional que eventualmente podem ser reabertos pelos grandes patrões da comunicação social, onde falta um Berlusconi enxertado em populismo, com o apoio dos pós-fascistas, mas onde falta uma neta de Salazar ou um césar que case com uma Carla Bruni.
Reparo também que os melhores líderes predadores dos nossos PS e PSD emergiram sempre em tempo de vésperas. De Cavaco a rodar o carro a caminho da Figueira da Foz, ou de Sócrates a chegar depois de Ferro Rodrigues. De Barroso a espreitar depois de Nogueira, ou de Guterres a aproveitar o desastre de Sampaio. Quem sempre fica são os Zeca Mendonça, as bases e os jotas, porque os mandantes continuam a querer uma direita que convenha à esquerda, bem como uma esquerda que convenha à direita, para se confirmar o sistema de mandantes, isto é, do que parte e reparte e fica sempre com a melhor parte, quando o jogo precisava de um new deal.
Hoje é o tempo dos senhores Silvas que são do olhanense e querem jogar no boavista. Tal como a política corre o risco de ser marcada pelos discursos de Pinto da Costa e dos jogos imaginativos dos palradores que preparam a substituição do Luís Filipe Vieira, onde, afinal, se fica a saber que o acordo na avaliação dos professores resultou de uma conversa de Carvalho da Silva junto do ministro do trabalho, com o presidente a apadrinhar, à imagem e semelhança do que pode acontecer com o regulamento da Concordata, quando o reitor da Universidade Católica, nas jornadas parlamentares do CDS, reclama tratamento igual ao que o Estado dá à correia sindical do PCP.
Neste sentido, o epifenómeno Menezes é sintomático. A crise é o normal dos anormais da presente infuncionalidade dos nossos principais e pequenos partidos. A actual crise apenas revela, sem mantos diáfanos da ilusão, a verdade da decadência, onde um qualquer senhor Silva pode levar-nos a confundir D. Sebastião com uma mala cheia de dinheiro fresco.
Apenas concluo com aquela eterna observação de Hegel: é nos momentos de crepúsculo que costuma levantar voo a ave da sabedoria. Já foi nos piores momentos da polis ateniense que surgiram as reflexões de Sócrates, Platão e Aristóteles, tal como foi pouco antes de Alcácer-Quibir que Camões e Fernão Mendes Pinto puseram os lusíadas em peregrinação.
Aconselho a todos que mergulhem no pensamento ou que exercitem a criatividade que um empregado de uma agência de publicidade nos legou diante de um interregno psicologicamente semelhante ao dos tempos que passam. Voltem a ler os textos de Pessoa, desliguem a televisão, reparem que, na noite de quinta-feira, Lisboa sofreu a maior chuvada desde 1864, e vão até à barra do Tejo ver nesgas de sol que rompem o nevoeiro. A ave da sabedoria pode transformar-se em esperança, quando nascer um novo dia. Bom fim de semana!


JAM

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

CRISE DE REPRESENTAÇÃO [ parte II ]

1.

Em quem é que eu voto? É a pergunta que mais me fazem. É a pergunta que mais me faço.

2.

Já tive mais certezas do que as que tenho hoje. Há quem pense que é muito simples: critica Santana Lopes, não pode votar no PSD. (De passagem, a mesma crítica não é feita aos "renovadores" que dizem ir votar no PCP, ou aos socialistas que disseram cobras e lagartos de Sócrates e vão votar PS, ou aos bloquistas que vão votar PS. A economia da coerência como arma de critica ad hominem é sempre para os outros...) Mas eu estou em oposição a Santana Lopes e não ao PSD, cujo papel na democracia portuguesa continuo a considerar vital. Seria mau para Portugal que Santana Lopes voltasse a ser Primeiro-ministro, mas seria péssimo que o PSD perdesse o seu papel único no sistema político português. Continuo a pensar que, após a ultrapassagem deste epifenómeno, que não será fácil nem pacífica, o PSD pode reencontrar o seu papel de único partido por onde passam (e passaram) todas as reformas que Portugal precisa. O futuro do PSD diz-me respeito como seu militante e não conto alhear-me dele e por isso uma fina linha de navalha de decisão me pesa. Não se pode ficar de bem com todos. Acontece.

3.

Se Sócrates chegar ao poder - como um infeliz cartaz da JSD e múltiplas declarações de Santana Lopes e Miguel Relvas todos os dias nos dizem que vai acontecer - será o retorno ao adiamento medíocre e dourado. Todos sabem o que penso do guterrismo, não vale a pena repeti-lo. Mas convém ficar claro que se Sócrates chegar ao poder, o primeiro responsável é Santana Lopes. Não é único, Durão Barroso e os unanimistas do PSD que batem palmas a tudo para reservar o seu pequeno lugar, também têm responsabilidades. Mas nunca ninguém enterrou o PSD numa crise de credibilidade tão grande como Santana Lopes, nunca ninguém dividiu o partido tão esterilmente como Santana Lopes. Houve quem dissesse há muito tempo que ia ser assim, desde o tempo da Cadeira do Poder.

4.

Há também responsabilidade nos poucos que podiam pelo menos ter tentado fazer-lhe frente, há cinco meses e agora. A tese que, para derrubar Santana Lopes, é preciso que ele perca as eleições, pode ser boa para os candidatos à sua sucessão, mas é péssima para o partido e má para o país. Fique no entanto a saber-se que muito foi tentado, felizmente sem vir para as páginas dos jornais, para que tal acontecesse. Houve muita gente que não ficou sentada e que tentou. Falhou, mas também não é verdade que muitos militantes, entre os quais me incluo, não tenham tentado persuadir, convencer, sem sucesso.

5.

A favor dos que não avançaram antes, mas o vão fazer a 20 de Fevereiro, há que ter consciência das dificuldades, dos tempos demasiado curtos, dos momentos desfavoráveis, da aceleração com que tudo ocorreu, e da degradação de muitas estruturas do partido que, desde que não lhes mexam nos lugares dos seus dirigentes, aceitam tudo e perdem o sentido do interesse nacional. Neste ciclo de pressa, Durão Barroso tem muitas responsabilidades, porque podia ter sugerido uma sucessão pelo governo, dando tempo ao partido para encontrar uma solução sem ser sob pressão e encomenda.

6.

Dito isto, fique bem claro que o PS não é alternativo aos males do PSD. Isto está de tal modo rasteiro que convém também dizê-lo explicitamente. Lembro a alguns meninos sem memória que quando eles andavam em hotéis a fazer acordos com o engenheiro, ou quando no PSD muitos se acomodavam à inevitabilidade do estado de graça permanente de Guterres e actuavam como se estivessem em bloco central para os empregos, eu fui sempre um duro crítico do guterrismo muitas vezes solitário. Quem criticou a divisão entre PS e PSD dos lugares nos conselhos de administração de algumas importantes empresas, quem criticou a venda da Lusomundo à PT, quem criticou as re-nacionalizações por via das golden shares, quem criticou a passagem dos orçamentos do PS? Não foram alguns dos patriotas da camisola dos dias de hoje.

7.

Discordo por isso em absoluto da posição de Freitas do Amaral no plano político. Insisto: no plano político, porque quanto ao plano moral, os discípulos do dr. Portas são os últimos que têm autoridade para o criticar, dado que a sua casa é o melhor exemplo do oportunismo em estado puro, com a agravante de ser exibido com arrogância e hipocrisia. Freitas do Amaral tomou uma posição de consciência, pouco fácil para quem foi o que foi e é o que é. Merece respeito por isso e discordância política.

8.

Voltaremos aqui.
José Pacheco Pereira

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

BLOCO DE ESQUERDA APRESENTA-SE



Na passada terça-feira, dia 11 de Janeiro, ao fim da tarde, no bar "Os Gémeos", na cidade de Portalegre, teve lugar a apresentação pública à comunicação social da candidatura do Bloco de Esquerda ao círculo eleitoral de Portalegre.

Estiveram presentes, os 4 membros da lista de deputados de Portalegre, o seu mandatário, Paula Nogueira, em representação da Mesa Nacional do BE, assim como cerca de uma vintena de apoiantes, onde se incluíam todos os candidatos às legislativas de 2002, bem como dos jornalistas dos principais órgãos de comunicação social regional.


A 1ª intervenção esteve a cargo do mandatário distrital que apresentou os elementos da lista, e referiu alguns factos como sejam:
O de serem todos alentejanos (por nascimento, criação ou residência e trabalho), por representarem quatro sectores considerados fundamentais para esta força política: Produção \ Indústria, Educação, Saúde e Cultura, tendo igualmente referido o facto de se ter atingido a paridade no género: metade de candidatos mulheres e a outra metade homens.
De seguida, tomou a palavra Paulo Cardoso, cabeça de lista que apresentou a Declaração Política em 7 pontos principais, a saber:
- a necessidade de estabelecimento de um “novo contrato” entre o interior e o poder central,
- a necessidade do investimento público no interior,
- o emprego como factor estrutural de fixação da população,
- a definição de serviços públicos de qualidade,
-a colocação do distrito de Portalegre na rota da energia, encarado como factor de desenvolvimento,
- recolocar a representatividade e a responsabilidade democráticas, e
- fazer das florestas uma prioridade nacional.
Da Mesa Nacional do Bloco, veio a sua solidariedade com esta candidatura, assim como a apresentação das 10 prioridades para os primeiros 100 dias de funcionamento da nova Assembleia da República; foi referido, igualmente, o facto de o Bloco de Esquerda já ter apresentado o seu programa eleitoral, ao contrário do que acontece com os restantes partidos para os quais ainda não se sabe claramente que posições defendem e medidas pretendem tomar.


Foi apresentada nesta sessão pública, a iniciativa em promover um Encontro Aberto onde se debata o tema da Interioridade na Raia Central: Novos desafios, Novos compromissos, contando para o efeito com a presença de participantes de vários movimentos sociais e políticos do Alentejo, das Beiras e também de Espanha; este encontro está marcado para 29 de Janeiro, em Portalegre, e contará com a presença do deputado Luís Fazenda, e cujo programa definitivo será divulgado dentro de dias.

Seguiu-se um momento de convívio e degustação de produtos regionais.

Foram igualmente divulgados os contactos da candidatura que se indicam de seguida:
http://beportalegre.no.sapo.pt e-mail - be_portalegre@hotmail.com

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

O BLOCO DE ESQUERDA APRESENTA A LISTA DE CANDIDATOS

Terça-feira, dia 11 de Janeiro de 2005, pelas 18h30, no Bar Gémeos, na Praça da República, em Portalegre, o Bloco de Esquerda promove um encontro com a comunicação social, para apresentação dos objectivos e estratégia da candidatura distrital do BE às próximas Eleições Legislativas.

Para além de Paula Nogueira, da Mesa Nacional do BE, de João Carlos Neves, mandatário da candidatura, e de Paulo Cardoso, cabeça de lista, estarão presentes, entre outros, os candidatos Joana Palmeiro, educadora de infância, Germana Carvalho, funcionária pública e José Luís Peixoto, escritor.



O Bloco de Esquerda, que nas últimas eleições legislativas teve neste círculo eleitoral, um acréscimo significativo em votos e em percentagem, conta nestas eleições, dar um contributo valioso para o reforço das esquerdas e dos seus projectos na Assembleia da República.

Na mesma ocasião será apresentado publicamente o Encontro Aberto “Interioridades: novos desafios, novos compromissos”, que reflectirá a posição geo-estratégica desta região raiana, no modelo de desenvolvimento actual, e que contará com a participação de convidados portugueses e espanhóis.
LISTA DE CANDIDATOS do BLOCO DE ESQUERDA

às Eleições Legislativas de 20 de Fevereiro de 2005

pelo Círculo Eleitoral de Portalegre


1º. CANDIDATO EFECTIVO
PAULO José Rosa CARDOSO 40 anos ,casado, 3 filhos; Sócio gerente na firma TPCM Lda; Analista Químico na Selenis SA, pertenceu à CT e continua envolvido nos movimentos laborais; Colabora com algumas organizações de cariz social e foi mandatário do Bloco Esquerda pelo círculo eleitoral de Portalegre nas legislativas de 2002. Natural de Queluz, vive em Portalegre desde a infância.
2º. CANDIDATO EFECTIVO
Joana Rosa Palmeiro de Deus, gosta de ser tratada por JOANA PALMEIRO, 41 anos, casada, 2 filhas. Desde 1986 que é Educadora de Infância com muito gosto. Nos tempos livres é contadora de contos populares ou tradicionais, por culpa do Pai e por ter nascido na freguesia de S. Saturnino – Fronteira, num tempo onde felizmente não havia televisão. Candidata INDEPENDENTE.
1º. SUPLENTE
Maria GERMANA CARVALHO. 54 anos. Funcionária Pública do Ministério da Saúde. Nascida em Angola, de famílias do Baixo Alentejo, residiu em Elvas, no Alandroal e, actualmente, reside em Arronches. Fez parte da Comissão de Trabalhadores do Hospital de Santa Cruz (Lisboa), foi Delegada Sindical. Fundadora e Membro de Associações de Pais, esteve ligada ao Programa Educação para Todos PEPT-2000.Candidata INDEPENDENTE.
2º. SUPLENTE
JOSÉ LUIS PEIXOTO. Escritor Nasceu em 1974, em Galveias, concelho de Ponte de Sôr. É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Foi professor do ensino secundário, tendo dado aulas na Lousã, em Oliveira do Hospital e na Cidade da Praia, em Cabo Verde. Títulos publicados: Morreste-me, Nenhum Olhar, A Criança em Ruínas, Uma Casa na Escuridão.
MANDATÁRIO
JOÃO CARLOS NEVES, 51 anos, nascido em Lisboa, veio para o Alentejo por alturas da mudança do milénio, tendo-se fixado em Arronches e desenvolvendo a sua actividade profissional em Portalegre, como técnico do Instituto da Conservação da Natureza:, é licenciado em Sociologia, e Mestre em Geografia Humana e Desenvolvimento Regional e Local. INDEPENDENTE mas EMPENHADO

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

ÚLTIMAS...

O Escritor José Luis Peixoto, desmente que seja o cabeça de Lista do B.E. - Bloco de Esquerda, pelo círculo de Portalegre.
3 de Janeiro de 2005
O escritor José Luis Peixoto, de Galveias, é o cabeça de lista do B.E. - Bloco de Esquerda, pelo círculo eleitoral de Portalegre.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

COM A CARTEIRA OU COM O CORAÇÃO? (VISTO DO LADO DO PS, BE E PCP)


Rui Pimentel / VISÃO

Do ponto de vista da mecânica das eleições, a principal questão é a de saber se elas serão ou não bipolarizadas, se haverá ou não "voto útil", se se vota com a carteira ou com o coração, com os "interesses" ou com a ideologia? O que é interessante é que, sendo essas eleições já para amanhã, seguindo-se elas a uma crise política grave que implicou a dissolução da Assembleia, não se consiga ainda perceber como é que vão ser. Decididamente os portugueses que repudiam o que está também não se entusiasmam com o que vem. Este sentimento é que dá espaço à dúvida.
Várias estratégias eleitorais têm sido construídas na presunção de diferentes respostas a esta questão, embora surpreenda a inconsistência do que se pode perceber dessas estratégias pela prática dos partidos já em campanha. Não deve ser do Natal, é do ar generalizado de mediocridade que se respira e da convicção cada vez mais arreigada no eleitorado que pouco mudará nas políticas a curto prazo e não haverá políticas a mais nenhum prazo - ou seja, o que há de fundo para mudar continuará intangível.
Uma das razões por que isto acontece é que a diferença temporal estreita entre ciclos eleitorais mantém ainda muito viva a memória das razões que motivaram as mudanças eleitorais do último ciclo. As pessoas sabem que, há dois anos, o PS estava no poder, foi a desgraça que foi, e por isso votaram no PSD. Sabem também como acabou o Governo PSD-PP e da desgraça que também foi. A memória das duas desgraças penaliza a mais fresca, mas não é suficiente para apagar a mais distante. Por estranho que pareça, o único partido que tinha margem de manobra neste contexto de dupla memória negativa era o PSD, mas malbaratou-a completamente ao não saber tirar lições do desastre governativo de Santana Lopes. Se tivesse mudado de liderança, num processo de ruptura com o que está, teria possibilidades de obter um crédito de confiança face a um PS que permanece guterrista e com pequena legitimidade para falar de finanças e de reformas, ele que as enterrou no pântano actual e que não as fez no ciclo mais favorável das últimas décadas.
O PS pede uma maioria absoluta, o que tem sentido e não é de todo implausível. No entanto, pedindo a maioria absoluta, o PS parece ainda hesitar na sua convicção de lutar por ela, quanto mais de a ter. Beneficiando acima de tudo do repúdio do que está, o PS parece pensar que é o bastante para obter os votos necessários, o que é um engano total. Para obter uma maioria absoluta, uma disfunção arrancada a ferros de um sistema eleitoral construído para a impedir, o PS precisa não apenas que as pessoas não gostem do que está, mas que acreditem com força no que se lhes propõe. A maioria absoluta precisa ou de dramatização ou de personalidades fortes que motivam amores e ódios, que arrastem atrás de si eleitores motivados pela empatia que suscitam. Foi assim com Cavaco Silva, o único que o conseguiu duas vezes em Portugal.
Ora, as opções do PS são frouxas: evitam a todo o custo uma campanha activa, na sequência de uma oposição cinzenta e pouco eficaz, e limitam-se a comentar as evidências dos incidentes em que o Governo se mete diariamente. Só que nunca foi o PS que revelou esta evidência, foram principalmente aqueles a que Portas chama "atiradores furtivos". Por isso, nem o mérito de uma oposição eficaz tem Sócrates e o PS, para começar.
O PS e Sócrates, já em plena campanha eleitoral, tiveram dois momentos para se revelarem: um, pela positiva, afirmando a opção da co-incineração ; outro pela negativa, ignorando a proposta envenenada de Pinto da Costa para se opor a Rui Rio no Porto. Quanto ao primeiro, inclino-me para considerar que Sócrates fez bem, embora talvez devesse ser mais prudente no carácter taxativo da solução, para incorporar o trabalho posterior que talvez não devesse ser todo deitado ao lixo. Na questão Pinto da Costa, bem mais grave porque envolve a afirmação dos poderes democráticos face aos poderes fácticos, de atitudes claras face à justiça e à corrupção, de recusa do populismo futebolista, Sócrates cedeu. É péssimo sinal.
Quanto à recusa de alianças pré-eleitorais, o discurso do PS é o que se espera de quem pede maioria absoluta, embora nenhuma ilusão possa ser tida quanto ao que acontecerá, caso a não tenha. Sócrates, se tiver uma maioria relativa, no limiar da absoluta, tentará uma solução minoritária semelhante à de Guterres e ela pode funcionar. Guterres fez um mandato em minoria e governou como se estivesse em maioria. Caso precise de mais votos, Sócrates fará os acordos necessários com o BE e mesmo o PCP, sem grandes hesitações, e não terá grandes dificuldades em obter esse apoio pelo menos numa fase inicial da legislatura, Nenhum partido da esquerda contribuirá por acção e omissão para o retorno do PSD e do PP ao poder, enquanto estes partidos tiverem à frente Santana Lopes e Portas.
Esta situação é prometedora para o BE e mesmo para o PCP, tanto maior quanto o forem os seus resultados eleitorais. É do interesse de ambos que o PS não obtenha uma maioria absoluta e farão tudo para isso. Haverá voto útil em Sócrates vindo da "esquerda"? Talvez em menor grau do que aquele que virá de eleitores descontentes com o PSD. A condição para que isto aconteça depende também da campanha ser ou não bipolarizada, porque, se o for, haverá "voto útil" à esquerda no PS. A situação do BE e do PCP é espelhar a do PP e por isso tudo farão para evitar a bipolarização.
Ambos apelarão a nichos eleitorais seguros - o do BE em crescimento, o do PCP a encolher, o do BE com maior dinamismo social e comunicacional, o do PCP com maior capacidade de resistência e raízes sociais mais profundas. Também aqui a capacidade das lideranças para mobilizarem os eleitorados de núcleo duro pode ser decisiva e o BE tem a vantagem de estar na moda e o PCP não. No entanto, seria injusto para Jerónimo de Sousa minimizar a sua capacidade para, numa perspectiva defensiva, proteger o PCP de uma desagregação eleitoral mais acelerada.

(continua)

José Pacheco Pereira



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